18 de outubro de 2015

COM DUAS DECISÕES POLÉMICAS DE JOUBERT, AUSTRÁLIA PASSA ÀS MEIAS *

* Nuno Mourão
Depois de um sufocante e espectacular jogo, entre a Argentina e a Irlanda, estava tudo à espera de poder “descansar” um pouco, com a disputa da última vaga para as meias-finais – o jogo entre a Austrália e os underdogs escoceses, os últimos bastiões e esperança, do hemisfério norte. 

Os primeiros já tinham despachado a Inglaterra para o sofá e Gales para as garras dos sul-africanos. A Escócia chegou a estes quartos de final, depois de uma fase de grupos bastante competente e em que demonstraram um rugby bastante dinâmico e intenso. 
Ainda assim, um pouco longe das equipas do hemisfério sul, habituadas a outro ritmo, pressão e competição. 

Mas não se pode dizer que a Austrália estaria desprevenida, pois durante a semana, o seu treinador disse que os seus jogadores tinham que estar preparados para sofrer e que provavelmente iriam ter o jogo mais difícil até então. 
E mais, fez questão de (re)lembrar aos seus jogadores, a situação semelhante em que se encontravam no mundial de 2007, quando perderam frente à Inglaterra, precisamente nos quartos de final. Faziam parte dessa equipa, Ashley-Cooper, Drew Mitchell, Giteau e Stephen Moore.

Mas vamos ao jogo e que jogão, mais um, deste grande mundial!

A Austrália começou melhor e conseguiu ficar praticamente os 10 minutos iniciais, no meio campo escocês e dentro dos 22 metros. 
Não foi com surpresa que marcou o seu primeiro ensaio, logo aos 8 minutos. Estava tudo à espera que embalassem, com a facilidade que a Nova Zelândia tinha “atropelado” a França ontem. 

Mas as surpresas e as diferenças, estavam nas reacções que a equipa escocesa ia demonstrando, desde logo na pressão, obrigando a inúmeros erros de handling e de tomada de decisão, nas formações ordenadas, área que a Austrália tinha dominado até então e depois, no jogo do chão e na conquista de vários turn-overs

Muito bem comandados pelo capitão, formação e chutador exímio - Laidlaw - que foi mantendo o jogo longe da sua área e com os seus pontapés aos postes, a castigarem as faltas australianas, foi-se mantendo sempre dentro do resultado. 
O primeiro ensaio da Escócia, obtido inteligentemente pelo centro P. Horne, surgiu num erro básico da defesa (sem “poste” num ruck a 5 metros da linha de ensaio). 
Foley parecia um “walking dead”, a fazer avants e a falhar pontapés, Genia estava lento e previsível e Hooper desesperava por Pocock e Folau, afastados deste jogo devido a lesão. 

Apesar destes pequenos grandes contras, a Austrália, manteve alguma compostura e paciência e conseguiu marcar um ensaio muito bem construído e finalizado por Drew Mitchell na ponta. 
A Escócia aumentava o resultado para 16-10, uma vez mais por Laidlaw e uma vez mais, por uma falta na formação ordenada, onde S. Sio estava em claras dificuldades e se calhar, a pensar já na formação ordenada argentina. 

Ainda antes de acabar a primeira parte, uma decisão interessante do capitão australiano, Moore, ao jogar uma penalidade chutável (?), para o alinhamento – maul – Hooper…, ensaio! 

Ao intervalo a Escócia ainda vencia por 16-15. Adivinhava-se uma segunda parte emotiva, mas ao mesmo tempo, pensava-se, até quando resistiria o fighting spirit dos Bravehearts escoceses. 60’, 70’, 78’…? 
Ainda por cima, logo no primeiro minuto, numa decisão um pouco “puxada”, o Sr. Joubert, com a ajuda do TMO, mandou para o sin-bin, o ponta Maitland, por alegado avant propositado. 
 que é facto é que dessa penalidade e consequente alinhamento, os australianos, depois do habitual maul dinâmico formado, jogaram para o lado fechado e marcaram por Drew Mitchell, precisamente onde faltava um jogador. 

Mais uma falta de Siu na primeira linha e mais 3 pontos para Laidlaw e depois, ainda com um jogador a mais, a Austrália viu um ensaio (bem) anulado, pois Genia fez um pequeno avant a tirar a bola de um ruck, apenas visível aos “olhos” do TMO. 

A partir daí, Foley começa a aquecer o pé, consegue o seu primeiro pontapé depois de ter falhado 3, mas logo a seguir, “gela-lhe” rápida e novamente o pé, ao demorar muito tempo a chutar, sofreu um “contra” e depois de um excelente offload de Russell, Seymour marca e passa o resultado para 24-25. 
Game on, mas a Austrália volta a marcar um ensaio por Kuridrani e com a conversão de Foley, levava o resultado para uns “confortáveis” 8 pontos de diferença e com “apenas” 15 minutos para jogar. 

De novo a Escócia a pressionar e tem uma penalidade fácil, que decide chutar aos postes e diminuir a diferença para 5 pontos. E a 5’ do final, já com a chuva a invadir Twickenham, o pilar australiano Slipper, teve uma “paragem cerebral” e em vez de perfurar, hesita e faz um passe directamente para as mãos do segundo centro escocês, Bennett, que marca entre os postes, ficando o resultado, depois da fácil conversão de Laidlaw, em 34-32 para a Escócia, com cerca de 7 minutos para jogar até ao final, que acabou em controvérsia, pois o Sr. Joubert, considerou um offside intencional a um jogador escocês, que podia ter evitado jogar a bola, que tinha eventualmente vindo para frente de um ressalto de um colega seu. O Sr. Joubert foi peremptório e usou a sua autoridade legítima, não consultado o TMO, para uma decisão que se sabia polémica, a 2 minutos do fim do jogo, que dava o passaporte para as meias finais. 

Foley passou então de “vilão” a herói e fez jus à sua alcunha de Iceman e converteu a penalidade que fixava o jogo em 35-34 para a Austrália.

Muitos créditos para esta Escócia, excelentemente bem preparada pela equipa técnica liderada por Vern Cotter. 
Quanto aos Australianos, continuam a sofrer e ganhar e tiveram muita sorte hoje, mas para a semana, vão ter que melhorar muito contra os motivadíssimos guerreiros argentinos, ou teremos outra grande surpresa neste mundial.

2 comentários:

Luis Canongia Costa disse...

Um escândalo a decisão final do Joubert. A bola vem do Phipps não do Strauss. Como ele vê o que não aconteceu. Inaceitável a este nível. A Escócia foi verdadeiramente espoliada da final. Um dia negro para o rugby (para a World Rugby), que tanto apregoa a defesa da verdade desportiva.

luis disse...

Concordo com a opinião anteriormente expressa pelo Luís Canongia, acrescentando, ainda, que o esbulho começou com a forçadíssima suspensão de Maitland que, pelas imagens, queria claramente interceptar e apoderar-se da oval.
Craig Joubert deve ser excluído deste Mundial e a World Rugby deverá rever bem o seu painel de árbitros.