O primeiro torneio de Sevens foi realizado em Portugal em 1972 organizado pelo Técnico.
Em 1973 iniciou-se, numa organização da Académica de Coimbra dinamizada por Antonio Cabral Fernandes, uma série de torneios anuais de sevens que continuaram até meados dos anos oitenta.
Mas foi em 1987, com o arranque do Lisboa Sevens, da responsabilidade de quatro entusiastas, que a modalidade de rugby reduzido iniciou a sua grande divulgação.
O Lisboa Sevens rapidamente conquistou um lugar de destaque entre os torneios de Sevens realizados na Europa.
Grande equipas vieram a Lisboa, citando só algumas, Scottish Borders, Cambridge University, Warblers, Samurais, Thistles, Irish Wolfounds, Barbarian FC que integraram grandes nomes do rugby mundial como Gavin Hastings, Greg Osborne, Chris Sheasby, Andy Harriman, Eric Rush, entre outros, e ainda Rory Underwood convidado pelos Barbarians Portugueses.
A essas equipas sempre se opuseram as melhores portuguesas com destaque para o Cascais que, comandado por Nuno Durão, em vários anos atingiu posições de destaque.
O Cascais venceu mesmo o Lisboa Sevens em 1997.
A nível internacional Portugal teve a sua primeira participação no torneio de qualificação, para o mundial de 1993, em Catânia na Sicília durante o ano de 1992, mas infelizmente não se alcançou a desejada qualificação.
O prestigio e a qualidade da organização do Lisboa Sevens levou a IRB ( na época ainda com a sigla IRFB ) a atribuir a Portugal um dos torneios de qualificação para o 2º mundial a disputar em Hong Kong em 1997.
Esse torneio, realizado no EUL em 1996, contou com a presença da Nova
Zelândia, a primeira e única vez que os All Blacks, já dirigidos por Gordon Tietjens, jogaram em Portugal.
Com a obtenção do 5º lugar, Portugal alcançou a desejada qualificação iniciando uma presença continua nos mundiais de Sevens que se regista até à atualidade, com a participação no 6º mundial a realizar dentro de cerca de um mês em Moscovo.
A IRB, ciente do potencial que os Sevens poderiam ter na expansão mundial do
Rugby,e pela notável visão do seu então Chairman Vernon Pugh, lançou em 1999/2000 as IRB Sevens Series. Portugal foi convidado a participar na 2ª edição graças ao já referido prestigio que o Lisboa Sevens tinha alcançado e ao bem sucedido lóbi realizado.
Os convites, para um maior ou menor número de torneios, continuaram nos anos seguintes, fruto das boas prestações conseguidas
O crescimento dos Sevens levou a FIRA-AER a iniciar a organização do Campeonato da Europa de Sevens em 2002, que Portugal venceu por oito vezes em 11 edições.
Até 2010 o campeonato tinha dois ou três torneios classificativos e um torneio final.
Nos diversos torneios classificativos participavam equipas com muito diferentes índices competitivos o que os tornavam muito desinteressantes e constituíam um verdadeiro desperdício de recursos.
Portugal organizou em 2003, no Estádio Nacional, um desses torneio classificativos.
Pelo contrário, as finais tinham bom nível competitivo tendo em 2004 e 2008 servido como torneios classificativos para os mundiais de 2005 e 2009.
As vitórias de Portugal nesses campeonatos da Europa, fruto das sementes lançadas com o Lisboa Sevens, têm que ser postos na perspectiva da época, onde as grandes potências europeias não demonstravam interesse especial pela variante de Sevens. De referir no entanto que no campeonato da europa de 2008 Portugal bateu na final o País de Gales que, alguns meses depois, em 2009 no Dubai, se haveria de sagrar campeão mundial.
Em 2011 a FIRA reorganizou o Campeonato da Europa dividindo os países em
três divisões consoante a sua capacidade competitiva.
Portugal, que participa no designado Grand Prix constituído por três ou quatro etapas e que engloba já as potências europeias, venceu a edição de 2011 e classificou-se em 2º lugar na edição de 2012.
A morte do Lisboa Sevens, por falta de apoio dos patrocinadores e de empenho da Federação, representou para Portugal o fechar de uma porta na organização de grandes torneios internacionais, cujas repercussões se manifestam até à atualidade.
Se uma jornada das IRB Sevens Series não originaria grandes encargos financeiros, pois a IRB e seus patrocinadores asseguram a totalidade dos seus custos, já a FIRA-AER exige ao país organizador de uma jornada do Grand Prix, que cubra as despesas de deslocação e estadia das 12 equipa participantes.
No 1º caso, com duas jornada apenas na Europa, sendo a de Londres imutável, resta a possibilidade de substituir Glasgow o que se nos afigura extraordinariamente difícil.
No 2º caso a actual situação financeira do país constitui um forte entrave, a não ser que uma Junta de Turismo, do Algarve por exemplo, entenda o potencial que poderá extrair dessa realização.
Desde a época passada, a IRB alterou o sistema de convites para a participação nas IRB Sevens Series para um sistema de mérito.
Portugal alcançou no torneio de qualificação de 2012 de Hong Kong o direito, por mérito próprio, a ser equipa residente ( “Core Team”) nas séries de 2012-2013.
Facto de enorme relevância, nem sempre compreendido, e que levou Portugal a competir em nove torneios, com as melhores equipas mundiais.
Algumas boas prestações, alternadas com outras menos boas, obrigaram Portugal a voltar a disputar o torneio de qualificação, realizado no passado fim de semana em Londres, para obter de novo o estatuto de Core Team em 2013-2014.
E obteve com todo o merecimento essa qualificação.
Mais um feito significativo do rugby português.
A decisão tomada pelo Comité Olímpico Internacional ( COI ), em Outubro de
2009, de incluir o Rugby sevens no programa para os jogos Olímpicos do Rio 2016, veio aumentar em forma de progressão geométrica o interesse mundial.
Não tenho duvidas que o torneio olímpico de 2016 será um grande sucesso e só foi pena que a miopia desportiva dos membros do COI não tenha aprovado, na primeira votação realizada em 2005, a sua inclusão nos Jogos de Londres 2012.
Aí seria certamente uma entrada espetacular no programa olímpico.
A partir daqui grandes potências desportivas como China, EUA e Rússia que disputam entre si a hegemonia no medalheiro dos Jogos, passaram também a dedicar forte atenção aos Sevens.
Os EUA e a Rússia estabeleceram equipas 100 % profissionais, a China apostando na vertente feminina e muitos outros países profissionalizando as suas equipas.
Até a Holanda, pais sem grandes tradições no rugby, formou um conjunto feminino que se dedica exclusivamente aos sevens com o objetivo de alcançar uma qualificação para os Jogos.
Portugal tem alcançado resultados notáveis nos últimos anos e conseguirá, com a sua base limitada de recrutamento, com os limitados recursos financeiros existentes, continuar a competir ao nível a que o tem feito e a alcançar resultados similares?
Esta uma grande questão que o rugby português tem urgentemente que equacionar.
Não me furto a escrever o meu ponto de vista.
No plano interno, onde apenas Coimbra e Arcos de Valdevez organizaram torneios nos anos 90 demonstrando algum interesse pelos sevens, há que melhor estruturar o circuito de sevens e motivar todos os clubes para a importância da sua participação sensibilizando jogadores técnicos e dirigentes para a importância que têm a nível mundial.
É ainda uma boa oportunidade para que clubes com menos aspirações competitivas em XV ou com número de jogadores mais limitado, se possam afirmar nos sevens.
E é ainda muito importante motivar também, desde cedo, os mais jovens para esta variante de rugby através dos torneios de Sevens para Sub-16 e Sub-18
No plano internacional e no futuro imediato, Campeonato do Mundo e FIRA Grand Prix Series de 2013, claro que há que manter o sistema atual tendo como objetivo obter um bom posicionamento no primeiro e uma classificação até ao 3º lugar no segundo.
Um conjunto de jovens, este ano lançados na competição internacional, e outros que despontam, indicam que Portugal dispõe do material humano que lhe possibilite continuar a manter e mesmo melhorar o anterior índice competitivo.
Para a época 2013-2014 e seguintes, se quisermos ter uma maior competitividade urge definir um grupo de cerca de 15 jogadores que se dedicariam exclusivamente aos Sevens estando sempre disponíveis quando a equipa técnica assim o entendesse.
Os clubes terão que abdicar da sua utilização em jogos de XV excepto em casos em que a equipa técnica explicitamente o autorize.
O mesmo princípio se aplicaria à seleção nacional de XV.
A esses jogadores seria proporcionada um apoio técnico eficaz com treinadores, preparador físico, psicólogo, apoio médico e escolar, se fosse caso disso.
Para que isso seja possível, urge encontrar meios que possam financiar essa opção e sensibilizar os jogadores e os clubes para ela.
Só assim, no meu entender, poderemos aspirar a ter comportamento que nos situe nos 10 primeiros do ranking mundial e a lutar por uma qualificação para os Jogos Olímpicos de 2016.
Continuando com o sistema actual, e face a concorrência cada vez mais e melhor preparada, apenas poderemos exigir aos nossos jogadores que continuem a representar Portugal com a dignidade com que o tem feito.
E seguramente, voltaremos a disputar o torneio de qualificação para a época 2014/2015.
* Texto: Pedro Sousa Ribeiro