É fácil e constitui prática generalizada desculpar as derrotas com a arbitragem ou com erros deste ou daquele jogador.
E se não for culpa daqueles, há sempre o treinador para ser responsabilizado pelo que se passou.
Pois bem, em Temuco, ontem ao fim da tarde, nada disso justifica a derrota da equipa portuguesa por 18-6, com 15-3 ao intervalo, e um certo sentimento de desilusão que ficou no ar - esperava-se mais, até porque pouco ou nada se sabia da oposição...
E essa foi a primeira causa do resultado - os Condores foram fortes de mais para os Lobitos, e ultrapassaram aquilo que deles se esperava!
Os chilenos foram mais fortes nas melées, no primeiro tempo, e graças a isso marcaram um ensaio que deixa marcas na equipa que recua metros e metros e nada pode fazer para o evitar...
Os chilenos foram mais fortes na defesa, em especial ao nível dos centros, com uma agressividade que marcou os nossos atacantes sempre que se depararam com aquela barreira...
Os chilenos foram mais fortes a atacar, semeando o pânico na nossa defesa, que
pareceu surpreendida com a velocidade do adversário...
Resta agora saber se o comportamento da nossa equipa nos desanimou, ou se eventualmente nos terá envergonhado.
Mas a verdade é que se houve uma certa desilusão - não há quem nestas coisas do rugby goste de perder... - em nenhum momento sentimos vergonha pelo que se estava a passar em campo, nem o comportamento da equipa nos desanimou...
Os Lobitos sofreram bastante na primeira parte - que até começou bem com um drop muito bem fabricado e executado! - mas souberam reagir no segundo tempo, equilibrando a partida, recuperando pontos nas melées, e tentando por todas as formas reverter o sentido do marcador.
Até ao último sopro do jogo!
Não vamos entrar na análise detalhada do que se passou em campo - isso é trabalho da equipa técnica que vai ter que corrigir o que esteve mal, e recuperar a moral, naturalmente abalada, dos Lobitos, para o encontro com a Namíbia.
Mas também não vamos deixar de dizer a impressão com que ficámos dos Lobitos.
A equipa pareceu-nos equilibrada, sabendo o que estava a fazer em campo - independentemente de algumas decisões menos certas na movimentação ofensiva - corajosa perante um adversário que se apresentou fisicamente muito bem, mas não conseguiu, em nenhuma ocasião, encontrar espaço e tempo para se movimentar...
A verdade é que a este nível os espaços parecem desaparecer, e o tempo parece fugir, pelo que se exige a realização de um conjunto de encontros exigentes de preparação, que, infelizmente, a nossa seleção não teve.
Reparem, a título de exemplo, que o Uruguai jogou antes da prova, com uma seleção uruguaia de seniores, com os Sub-21 da UR de Buenos Aires, e com a Argentina Sub-20, o Chile defrontou os Sub-23 de San Juan, a equipa de desenvolvimento de Mendoza, e a seleção Sub-20 da Argentina, e a Itália participou no 6 nações sub-20 defrontando a França, a Escócia, a Irlanda, o Pais de Gales e a Inglaterra...
Ou seja, as equipas quando se preparam para um Mundial, como este de Temuco, defrontam equipas mais fortes e mais competitivas, para elevar todos os seus próprios índices...
A equipa portuguesa fez uma boa preparação, mas para poder competir a este nível tem que ter horas de jogo com equipas que lhe criem problemas semelhantes àqueles com que se irão defrontar, dos quais se destaca a velocidade de execução, a redução dos espaços de utilização da bola, e a falta de tempo para tomar decisões...
E foi precisamente nestes quesitos que os portugueses falharam...
De tudo o que se disse, de tudo o que se viu em campo, fica a ideia de que no sábado tudo vai correr melhor, com o aprendizado que a equipa teve, e com as correcções que os técnicos irão certamente introduzir na actuação dos Lobitos.
E nós cá estaremos, para cantar a Portuguesa com eles!
Veja os resultados do primeiro dia da prova e os jogos dos dias seguintes: