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31 de março de 2014

A ADMINISTRAÇÃO TEM QUE RESPEITAR O ESPÍRITO DO JOGO

O rugby é uma modalidade desportiva muito especial, e quem a pratica percebe que assim é no momento que abre o Livro de Leis e lê, logo nas primeiras páginas, que ela deve ser praticada de acordo com a letra e segundo o Espírito das Leis do Jogo.

Ao princípio, o novato pode achar estranho, pode não compreender o que aquilo quer dizer, mas aos poucos vai entendendo que, entre outros valores, no rugby se dá especial importância à camaradagem e à lealdade, entre companheiros de equipa ou entre adversários.

O exemplo é outro dos pilares em que assenta o Espírito do Jogo, e é deles que hoje vamos falar, abordando uma questão que tem estado na ordem do dia - os regulamentos e a gestão da modalidade.

27 de fevereiro de 2014

A DISCIPLINA NO RUGBY, A LETRA E O ESPÍRITO DAS LEIS DO JOGO *

* Pedro Sousa Ribeiro
Um dos valores fundamentais do Rugby é o respeito
Respeito por todos os intervenientes, companheiros de equipa, adversários, árbitros, dirigentes e adeptos.

Daí que a Disciplina deva sempre ser mantida sob pena de se infringir um dos valores fundamentais. 
Para se obter sucesso no campo, as equipas deverão manter uma disciplina completa. 
Sem essa caraterística as equipas nunca obterão resultados de elevado significado.

9 de janeiro de 2013

O RUGBY QUE NÓS QUEREMOS

O rugby encontra-se ainda numa encruzilhada de contornos difíceis de definir, desde que o estatuto amador da modalidade se viu alterado com a introdução do profissionalismo, e com a convivência entre os dois códigos no mesmo tapete verde.

Até essa altura, jogar rugby, fazer parte da família dos amantes da modalidade, era quase uma religião, em que os principais mandamentos falavam de fair play, consideração, amizade e respeito.

Com a chegada do profissionalismo assumido temos visto que esse famoso espírito do rugby, a satisfação pelas terceiras partes, o respeito pelos adversários e pelos árbitros, tem sofrido profundas alterações, e jogar deixou de ser o mais importante, que agora passou a ser, em muitos casos, a vitória a qualquer custo.

E mesmo em países onde o rugby continua a estar num ghetto, onde os recursos financeiros não passam de alfinetes quando comparado com o que se passa nas grandes potências - hoje na Nova Zelândia, um jogador contratado pela Federação do país para se dedicar em exclusivo aos sevens, começa com um vencimento equivalente a cerca de 45 mil euros/ano, e prevê-se que esse valor duplique nos próximos tempos - e no esforço para não perder o comboio dentro de campo, perde-se o sentido daquilo que efetivamente nos move.

Somos e queremos continuar diferentes, queremos jogar e desfrutar da companhia dos amigos e beber umas cervejas no terceiro tempo, mas será isso compatível com a ambição de vencer semana a semana, mesmo que para isso seja necessário quebrar alguns dos tabús do fair play e do desportivismo...
Ou haverá ainda a possibilidade de encontrarmos um ponto de equilíbrio entre os dois códigos numa mesma modalidade?

Temos acompanhado com crescente preocupação os comentários que nos chegam sobre as arbitragens, os insultos aos árbitros, aos adversários, a todos e a mais algum, e achamos que é altura de começar a pôr um sério travão nestas questões, se não queremos correr o risco de nos tornarmos uma modalidade vencedora, praticada por um bando de mercenários sem respeito nem consideração por nada que não seja o dinheiro, e com uma assistência de vândalos e bandidos que tantas vezes, todos nós, criticámos ao assistir a jogos de futebol aqui ou ali.

Chegou a altura de dizermos claramente o que queremos do rugby, e o Mão de Mestre levanta hoje esta questão despoletada por uma comunicação de Paulo Laginha, presidente do Rugby Clube de Loulé, que deveria servir de exemplo e fonte de ponderação e comprometimento.

E o que Laginha diz, tem sido visto um pouco por todo o lado - no Universitário de Lisboa, no Sérgio Conceição, na Tapada, em Monsanto, em Évora, em Montemor, na Lousã ou no Estádio Nacional, apenas citando alguns daqueles onde eu próprio fui testemunha de comportamentos absolutamente condenáveis.

A palavra a Paulo Laginha, que gentilmente autorizou a sua reprodução nas nossas páginas.

Se há memória das que guardo do Algarve Sevens, em boa hora organizado no passado mês de Julho pela FPR no Estádio Algarve que, ainda hoje, me provoca algum pesar quando a evoco é a da monumental assobiadela que o público dedicou ao atleta espanhol que, na final contra a equipa portuguesa, se preparava para tentar a conversão do pontapé de transformação que poderia determinar o empate no marcador. É certo que, naquele momento, estava em risco a vitória da equipa das quinas e, também é verdade que a vitória sobre o vizinho é sempre a mais apetecível. Contudo, continuo a considerar que aquele não foi um bom momento de rugby, uma vez que o comportamento coletivo que aqui me refiro não faz jus aqueles que entendo constituírem os princípios da modalidade que pratiquei. 
Os fins não podem justificar os meios porque no rugby não se deve procurar vencer a qualquer custo.

Serve esta introdução para me conduzir ao assunto que aqui me traz – O comportamento dos adeptos. Do bom ao menos bom. 

Todos nós estamos conscientes da importância dos adeptos na vida dos clubes, designadamente dos clubes de rugby. 
Também todos sabemos que, para além do apoio que votam à sua equipa quando está em campo, ainda suportam grande parte das atividades dos clubes que, segundo penso, não serão, na maioria dos casos, muito diferentes do nosso, vivendo essencialmente do voluntariado dos seus apoiantes, enquanto colaboradores, pais e mesmo técnicos ou atletas.
Esse é um aspeto muito meritório da participação dos adeptos, atendendo à sua enorme relevância na vida dos clubes e que, pelo menos no caso particular do Rugby Clube de Loulé, nunca será demais reconhecer.

Porém, o comportamento dos adeptos durante o desenrolar dos encontros da sua equipa de eleição com as equipas adversárias, nem sempre se revela o mais adequado. 
A utilização de palavrões é recorrente, a par dos insultos aos atletas da equipa adversária e, principalmente, aos árbitros. 
Carapuço que, em minha opinião, também a nós, Rugby Clube de Loulé, deverá servir.

Ora este tipo de comportamento, para além de ter efeitos contraproducentes, é, em si mesmo, potencialmente perigoso porque o efeito de contágio ao grupo é indutor de atitudes mais exacerbadas do que aquelas que os participantes isoladamente adotam. 

Se, por um lado, o potencial de agressividade nestes grupos espontâneos é menor do que nas claques organizadas, por outro, a ausência de liderança pode conduzir a resultados igualmente graves, independentemente de existir confrontação física ou não.

Felizmente que, na grande maioria dos casos, esta não chega a despontar, porque as situações inversas resultam, quase sempre, em pesadas sanções para os clubes visitados, não só em termos pecuniários, mas também fruto da interdição do respetivo campo de jogos.

Ainda que não exista confrontação física, os efeitos negativos não deixarão de se revelar, desde logo porque o uso excessivo de palavrões, para além de não ser agradável de escutar, tende a fazer recuar alguns pais de potenciais atletas na sua opção pela modalidade. 
Os insultos aos atletas adversários também não têm cabimento no espírito da modalidade, uma vez que, como todos sabem, no final de cada partida de rugby, felicita-se a equipa vencedora e agradece-se o desempenho da equipa derrotada. 
É disso que trata a cerimónia do corredor. 

Por outro lado, os insultos e a pressão sobre o árbitro podem gerar a animosidade deste para com a equipa apoiada e, em situações de dúvida, a decidir favoravelmente à equipa mais exposta. 
Igualmente negativa é a desinquietação que é transmitida para dentro do campo, quebrando a concentração dos próprios atletas da equipa que se pretende apoiar, com claras consequências em termos do seu desempenho disciplinar e mesmo físico.

Por tudo isto, não me parecem subsistir dúvidas de que são os clubes os únicos e grandes prejudicados pelo mau comportamento dos seus adeptos, contudo, sem que tenham meios ao seu alcance para os controlar diretamente.

E, porque o Rugby Clube de Loulé não é imune a estes problemas, aproveito para aqui lançar o repto aos nossos estimados adeptos para que, no apoio às nossas equipas, sejam comedidos a extravasar as suas opiniões e não tomem atitudes que possam prejudicar o nosso clube.

Não estou a pedir que sejam menos bairristas do que o são. 
Bairrismo é, quanto a mim, a defesa dos nossos usos e valores, das nossas tradições e cultura, e não o apego insensato a comportamentos que impedem a evolução social dos indivíduos. 

Perante um qualquer encontro de uma das nossas equipas, é imperioso assumir que todos os intervenientes estão em campo para executar da melhor forma que possam, as tarefas que lhes são incumbidas, de boa-fé e com espírito de lealdade. 

Obviamente que não sou ingénuo ao ponto de acreditar que as coisas se desenrolam sempre desta forma. 
Também já vivi casos em que o RCL foi deliberadamente prejudicado. 
Mas os outros clubes certamente também terão histórias destas para contar.

Dir-me-ão que noutros sítios o ambiente é pior e o nível de proteção da integridade física dos intervenientes é menor. 
Até é possível que sim, mas para o caso não é relevante, porque, se pretendemos evoluir, não nos podemos nivelar por baixo, pelos piores exemplos. 
Temos, isso sim, que almejar a réplica das boas referências.

Para que tal aconteça temos que ter a coragem de “dar um passo em frente”, não ficando à espera que outros o deem por nós.

E nada me faz crer que não o daremos, porque o Rugby Clube de Loulé é a nossa casa que todos pretendemos valorizar.