17 de março de 2013

6 NAÇÕES TERMINA COM SURPRESA *

Sábado foi um dia repleto de rugby e emoção.
O 6 Nações chegou ao fim e o País de Gales arrancou o troféu das mãos da Inglaterra, e em estilo!

Mas o dia não ficou por aqui, antes a Itália já tinha subjugado a Irlanda e mostra-se (muito) confortável em Roma onde conseguiu duas vitórias.
No jogo final a França não consegui escapar à prestigiada colher de pau e, com alguma surpresa, terminou o torneio no final da tabela em igualdade pontual com a Irlanda, mas com pior registo na diferença de pontos marcados/sofridos.

ITÁLIA 22-15 IRLANDA

O Olímpico em Roma é a fortaleza dos italianos e se a Irlanda estava em apuros devido ao elevado número de lesões, a indisciplina e a incapacidade de "jogar com a cabeça" quando o jogo apertou, custou a vitória.
Lo Cícero e O'Driscoll cumpriram o último jogo pelas suas seleções, mas enquanto o primeiro saiu ovacionado, o irlandês passou 10 minutos no sin-bin e teve dificuldades em lidar com a dupla de centros italiana.
Orquera e Garcia marcaram três penalidades entres si contra apenas duas de Paddy Jackson na primeira parte, que ficou marcada pelo já referido amarelo de O'Driscoll e pelas lesões na equipa irlandesa, 9-6.
Inspirados por Parisse e Zanni os italianos mostravam mais vontade com o fervoroso sangue latino sempre na cara dos irlandeses que não lidaram bem com os remendos devido às lesões.
Na segunda parte os italianos chegariam ao ensaio pelo ponta Venditti a furar por entre um mar de camisolas verdes que o TMO confirmou.
Paddy Jackson conseguia, através de penalidades, manter os irlandeses na corrida e um amarelo visto por Parisse permitiu que o abertura colocasse seis pontos no marcador durante os 10 minutos de descanso do gladiador, 16-15 aos 64'.
O regresso ao jogo do excelente Nro 8, mais 74.000 espetadores, ressuscitou os seus companheiros e os irlandeses não gostaram do ambiente onde se encontravam, a perder por um ponto e o autêntico inferno tomou as suas vítimas, primeiro o 2a linha Don Ryan e depois o formação Connor Murray garantiram 10 minutos no descanso e Orquera confirmou a vitória italiana. Final 22-15.
Os italianos festejaram como se tivessem ganho o Grand Slam e a Irlanda esperava que os litros de "Guiness" consumidos no seu feriado nacional (17 de Março, St Patrick's day) não fossem amargos caso a França esmagasse a Escócia.


PAIS DE GALES 30-3 INGLATERRA
O pior sítio para defender um Grand Slam neste momento seria o Millenium em Cardiff e assim se provou, para desespero da Inglaterra.
Os galeses entraram para o tudo-por-tudo quando precisavam de vencer por sete, enquanto os ingleses pareceram entrar mais confiantes que o jogo se desenrolaria para o seu lado.
O maior desejo dos galeses, a que um domínio na formação ordenada também ajudou, viria a proporcionar o ascendente aos da casa.
A Inglaterra reclama que algumas decisões da arbitragem prejudicaram as ambições da equipa, mas uma visão imparcial parece confirmar que algumas decisões podiam ter pendido para qualquer lado (o que quase me levou a ser expulso do meu próprio clube!), especialmente a nível da formação ordenada onde Cole passou um mau bocado contra Jenkins e colapsou várias melées.
A primeira parte define-se com algum domínio territorial dos ingleses mas incapazes de usar as suas armas (Tuilagi trapalhão e incapaz de quebrar a linha), com os galeses mais espertos a usarem o que lhes era dado pelo adversário e a castigar as faltas de Cole na formação, 9-3 ao intervalo.
Aos 51 minutos Halfpenny colocava pela primeira vez os galeses no topo das 6 Nações com uma penalidade 12-3 e os ingleses entraram em modo pânico!
Uma bola perdida pelos ingleses no seu meio campo foi rapidamente transformada em cinco pontos pelos galeses, Tipuric (MOM - Homem do Jogo) e Phillips encontraram o ponta Cuthbert que com espaço não teve dificuldade em colocar a bola no ensaio.
Nem 10 minutos depois o flanker Tipuric sai disparado ainda da sua metade do campo e já bem dentro de território inglês vê Cuthbert no seu ombro, Cuthbert contrariou bem uma suave tentativa de placagem de Mike Brown e a Inglaterra estava agora em sérias dificuldades, 30-3 com 15 minutos para jogar.
O inspirador Robshaw foi um poço de força mas incapaz de ser secundado pelos restantes ingleses.
O resultado não se alterava mais e os galeses festejaram uma vitória que desejaram mais.
A Inglaterra não encontrou solução para as adversidades que enfrentaram e as substituições não trouxeram impacto ao jogo.
A tática inglesa de jogar com dois recetores no três de trás não funcionou, e o galês Halfpenny deu uma lição, mais uma vez, de posicionamento tático e segurança defensiva que lhe garante a camisola 15 dos Lions.

FRANÇA 23-16 ESCÓCIA
A França termina em casa uma desastrosa campanha do 6 Nações em que foi vítima da sua falta de imaginação e super-dependência da sua velha guarda.
Este jogo não foi exceção e registado foram apenas duas penalidades de Laidlaw na primeira parte quando os franceses atacaram com mais insistência a linha de ensaio escocesa, 0-6.
A pressão dos franceses viria finalmente a quebrar a muralha da Escócia, quando o jogo já estava empatado a 9, Fofana escapou a Hogg e só foi parar debaixo dos postes para finalmente por no marcador a supremacia francesa.
Exaustos os escoceses não resistiram a uma bola rápida que Medard colocou na área de validação, a jogar cara a cara os escoceses contrariam bem o adversário e já tinha parado Bastareud e Clerc antes, mas quando a bola correu pelos 3/4 faltou pulmão.
A segunda parte fica também marcada pela lesão no ombro de Michalak, consequência da fisicalidade do encontro.
A Escócia viria a encontrar a área de ensaio já para o fim do jogo, quando as equipas se encontraram em gestão de esforços.
O defesa Hogg encontrou espaço na defesa francesa e o holandês voador Tim Visser ensaiava facilmente.
A vitória francesa não disfarça o desastre que foi o torneio para a equipa, são agora os orgulhosos portadores da distinta da colher de pau herdada precisamente da Escócia, que teve um torneio tranquilo e que chegou a estar na contenda para a vitória final.

(Note-se que a atribuição da colher de pau varia entre a França e as Ilhas Britânicas.
Em França ela apenas é atribuída à equipa que perde todos os jogos realizados, enquanto para os britânicos basta ficar na última posição da tabela) 


Tabela:

6 Nações Sub-20

A Inglaterra fez melhor que os seus séniores e foi ao País de Gales roubar o Grand Slam dos galeses e venceu por 15-28.
A vitória coroa os jovens ingleses como vencedores do torneio.
Em Itália registou-se um empate a 25 frente a irlandeses e os jovens gladiadores não conseguiram evitar a colher de pau.
Ainda falta jogar este Domingo o França - Escócia que não vai alterar em nada as posições extremas da tabela.


6 Nações Feminino

As Irlandesas que já garantiram a vitória no torneio só jogam este Domingo em Milão onde deverão garantir o Grand Slam.
A França jogou na 6a feira e destruiu a Escócia por 76-0, as escocesas não saíram do fundo da tabela contando só com derrotas.
Galesas e inglesas encontram-se este domingo na luta pelo terceiro lugar quando têm 2 vitórias e 2 derrotas.

* Texto: Ricardo Mouro

Quadro: http://itsrugby.co.uk/

4 comentários:

Anónimo disse...

surpresa so para quem nao viu os jogos.
A inglaterra foi totalmente subjugada em todos os aspectos do jogo.
A Italia quando tiver 3/4's a altura da avançada que tem será temivel

Anónimo disse...

Surpresa foi para qum não viu!

O título do post parece enganador, face ao domínio e total controlo por parte de Gales, perante uma Inglaterra que não teve soluções para contrariar a maré vermelha que repetidamente lhe aparecia pela frente.

de respto, parabéns pelo detalhe e boa informação do post!

Anónimo disse...

Fabuloso jogo o Gales-Inglaterra!

Jonas Stilwell disse...

ainda estou aziado com esta derrota de Inglaterra, como é possivel... foi um excelente jogo de rugby, tal como muitos jogos neste 6 Nações!

abraços