13 de abril de 2015

TÉCNICO E AGRONOMIA SEGUEM PARA AS ‘MEIAS’... OU TALVEZ NÃO *

* António Henriques
Depois dos triunfos de sábado, Técnico e Agronomia continuam com olhos postos numa presença na final da DH que irão – em princípio, ambos... – discutir no próximo sábado em meias-finais nas quais atuam como visitantes e logo em casa de dois adversários de peso e grandes favoritos à presença na final, respetivamente, Direito e CDUL.

Enquanto na Guia Agronomia suou a bom suar para levar de vencida um sensacional Cascais que, contudo, mostrou inexperiência e falta de calo para este tipo de jogos decisivos, já nas Olaias os engenheiros bateram sem problemas um Belenenses demasiado débil, confuso e sem plano de jogo.
Quer-se dizer, lá bater bateram, mas será que conta?

É que um árbitro desconhecedor dos regulamentos – em menos de 10 minutos estabeleceu um novo recorde mundial ao excluir por amarelo 4 jogadores da casa e deixou o jogo continuar quando as regras mandam terminar a partida quando um quinze fica com menos de 12… – e cujo descontrolo final o levou a perder-se e a perder igualmente a mão sobre jogo e atletas, pode ainda alterar uma decisão (o delegado ao jogo azul fez protesto do jogo no respetivo boletim, onde o árbitro registou igualmente o seu erro, estando o clube do Restelo agora a ponderar dar seguimento ao protesto junto da federação), que no relvado e em termos exclusivamente desportivos, foi clara como água: o Técnico foi muito - mas ponham muito nisso! - superior.


CASCAIS 13-19 AGRONOMIA (1-1) 

Na Guia, o jogo começou em bom ritmo, com especial culpa dos visitantes que entraram a todo o gás e ao minuto e meio já venciam por 3-0 num bom ’drop’ de Jack Harris concluindo período de intenso domínio. 
Mas apesar do sinal-mais dos agrónomos, depressa as equipas se cansaram e o jogo entrou num faz-que-anda-mas-não-anda indigno de um jogo de play-off.
Só ao quarto de hora o Cascais sacudiria a pressão e através de Rodrigo Ribeiro empatava numa penalidade (3-3). 
Com pontapés falhados de um lado e de outro, as equipas iam-se equivalendo, e até nos acertos, pois Harris e Ribeiro trocariam penalidades, para 6-6 ao intervalo, que foi atingido com a equipa da Linha a jogar com dois homens a mais, por amarelos a Bernardo Campelo e José d’Alte. 
No início do 2.º tempo, o quinze da casa não conseguiu tirar partido dessa importante vantagem numérica – a equipa funcionava bem na avançada, mas as linhas atrasadas, mal comandadas por Miguel Lucas (será mesmo médio de abertura a sua melhor posição?), não andavam para a frente e os pontas, esquecidos pelos companheiros, poderiam ter aproveitado para ir às compras num sábado à tarde que não se tinha dado pela sua falta.
Do lado de Agronomia, o seu velho banco mostrou que tinha fundos importantes que poderiam ser capitalizados (Francisco Mira, Marthinus Hoffman, Manuel Murteira & Companhia, viv’o luxo!) e quando João Moura foi lá buscar reforços, a equipa ganhou asas, peso, experiência, claro ascendente… e adquiriu a passagem às meias-finais.
À volta do excelente Hoffman o pack começou a superiorizar-se, a fechar ali o jogo e o resultado não tardou a ver-se. 
Aos 60' Pedro Herédia fazia o primeiro ensaio da tarde e 10’ depois a avançada agrónoma arrancou uma falta num maul que permitiu a Jack Harris distanciar o resultado para 16-6.
Mas logo no pontapé de recomeço (mal captado pelos visitantes) a equipa da casa reagiria e conseguiria o seu único ensaio iniciado numa bela arrancada do capitão Francisco Sousa e concluído por José Conde, que reduzia para 16-13 aos 73'.
Com o Cascais a crescer, o final da partida seria emocionante, pois apesar do pontapé de ressalto de Jack Harris (o seu segundo no jogo), que selaria os finais 19-13, a equipa da casa terminaria o encontro em cima do área de ensaio adversária tentando o ensaio salvador que lhe daria a reviravolta no placard.
Mas aí, e para lá da pouca clarividência dos homens de João Bettencourt, foi a vez de vir ao de cima a grande solidez defensiva agrónoma que garantiu um triunfo sofrido, mas merecido, de uma equipa mais adulta e experiente, em especial nos difíceis derradeiros minutos de jogo.
E face ao seu desastrado início de temporada, quem acreditaria que Agronomia estaria agora a tão-só 80 minutos de atingir a final do campeonato?


TÉCNICO 32-12 BELENENSES (4-2)

Ao contrário do suado triunfo de Agronomia nas Olaias e num jogo que durou incríveis 99 minutos (48’+51’) – isto no relvado, já que irá durar mais uns quantos dias na secretaria… – e teve um final digno de uma partida da 2.ª divisão do Djibuti, o Técnico venceu sem problemas uma equipa azul mal arrumada, com jogadores fora de forma e muito abaixo do que seria exigível a um candidato presente nesta fase de play-offs.
O Técnico entrou a dominar o jogo montando fase sobre fase perante um adversário encolhido. 
Mas aos 7' e na primeira vez que os azuis tiveram posse de bola, um inteligente pontapé raso de Jorge Vareta para as costas da defesa da casa, permitiu ao centro Duarte Moreira, num belo sprint, fazer o ensaio inaugural para os visitantes (5-0).
Mas o quinze da casa, a favor do vento, não acusou o inesperado murro e impulsionado pelas exibições de Kane Hancy (atuou como formação onde mexe todos os cordelinhos do jogo) e Sam Henwood (incansável a perfurar a linha defensiva contrária), voltou a tomar conta da partida, jogando predominantemente no meio-campo adversário perante uma equipa sem modelo de jogo que se visse, e reduziria para 5-3 por intermédio de Duarte Marques (17’). 
E, para mais, com o chutador azul Manuel Costa com evidentes problemas físicos que o impediram de terminar a partida, deveras desinspirado, pois desperdiçou 11 pontos só no 1.º tempo (três penalidades e uma conversão).
Mas tanto domínio caseiro não resultava em toques de meta – em dia não para os pontapeadores, Duarte Marques falharia duas das três penalidades que teve na 1.ª parte – até que em cima do intervalo os engenheiros conseguiriam por fim materializar tanto domínio quando uma mêlée a 5 metros seria concluída em força pelo asa Sam Henwood (10-5). 
E ainda antes do apito do árbitro Kane Hancy conseguiria ainda um inesperado e bem arrancado ‘drop’, alargando para 13-5 favoráveis ao Técnico no descanso.
Mesmo jogando contra o vento, o 2.º tempo foi quase por inteiro controlado pelo quinze da casa, que a partir do domínio exercido nas mêlées, jogava a seu bel-prazer frente a um quinze onde alguns jogadores-chave mostravam evidentes problemas físicos. 
E com ensaios de Sam Henwood - o melhor marcador do campeonato chegou sábado aos 16 -, Gonçalo Faustino (ambos na sequência de formações espontâneas onde os engenheiros mandavam) e André Aquino (este concluindo em estilo TGV colado à lateral o mais belo lance do encontro iniciado numa fabulosa cavalgada do defesa António Marques), atingiria desnivelados 32-5 aos 72'.
Só aí os engenheiros levantaram o pé e permitiram que os azuis subissem finalmente no terreno, desperdiçando de forma perfeitamente inconcebível três ocasiões em que o mais difícil era mesmo não marcar ensaio. 
Até que ao minuto 85 e perante um adversário já reduzido a 13 jogadores, Diogo Miranda conseguiu fazer o segundo do Belém.
Os minutos finais da partida seriam demasiado estranhos e até de difícil enunciação. Enquanto o árbitro Carlos Miraldo se esquecia de consultar o relógio - alargou inexplicavelmente por mais 11 minutos, até aos 91'! - e os jogadores das duas equipas caíam como tordos lesionados e exaustos no chão (deve-se ter igualado a marca europeia de cãibras por minuto de jogo!), suceder-se-ia uma anormal sucessão de amarelos mostrados a jogadores do Técnico: 4 no total (a, deixem ver se não nos escapa nenhum, Manuel Ferreira, Tomás Brandão, Luís Bento e Luís Castro – este um pouco para o alaranjado…), que fizeram com que os engenheiros terminassem a partida só com 11 jogadores no relvado e ainda menos um que, lesionado, era atendido junto aos seus postes e já não se levantou até ao apito final.
Mas nem assim os azuis aproveitaram toda esta benesse para marcar mais um ensaio que lhes permitisse reduzir o pesado desaire. 
E para quem se exibe da forma como o Belenenses o fez nas Olaias, não deve ser uma decisão de secretaria a resolver os evidentes problemas do emblema da Cruz de Cristo.


12 comentários:

Fox Developer disse...

Caro António,
A regra dos 12 jogadores não se aplica, na minha opinião, quando se trata de cartões amarelos. O melhor exemplo é um Itália-Fiji de 2013 em que em 8 minutos (entre os 20 e os 28) quatro jogadores das Fiji receberam cartões amarelos e o jogo não acabou.
Mas para além deste aspeto o que releva é o triste espetáculo das Olaias. Duas equipas muito desgastadas, a enorme superioridade de uma sobre a outra (com a melée do Belém a recuar, por vezes, mais de 20 metros) e um árbitro, mal auxiliado também pelo fiscal de linha espanhol, a andar completamente aos papéis, a estragar um jogo que foi disputado com uma razoável correção. E o que estaríamos agora a dizer se, a jogar contra 10, o Belenenses tivesse dado a volta ao jogo? Não há melhor para um jogo destes? Pobre rugby português!

Unknown disse...

Vamos lá ver se não temos mais um episódio como o da Taça de Portugal do ano passado em que o técnico num jogo claro e limpo venceu também este Belém.
Pode ser que desta haja mais fair-play e principalmente cultura desportiva aceitando a óbvia derrota em campo.

AR

FCFerreira disse...

A regra existe, está em vigor e é clara: Artigo 36.º do Regulamento Geral de Competições
(Jogos Não Iniciados ou Terminados Antes do Tempo)
1. No caso de uma equipa ficar reduzida a menos de 12 jogadores o
árbitro deverá dar o jogo por terminado. No caso do Sevens o árbitro deverá dar o jogo por terminado quando uma equipa ficar reduzida a menos de 5 jogadores. Em ambos os casos será considerada Falta de Comparência da equipa com número insuficiente de jogadores.
É verdade que o Técnico desportivamente foi muito superior ao Belenenses (durante toda a época, aliás), mas isso não é suficiente para que se ignorem os regulamentos. Esta regra existe não só para evitar que uma partida fique "injogável" ou injustamente desequilibrada, mas também para sancionar excesso de indisciplina e de comportamento antidesportivo. Faltavam 2 minutos para terminar o jogo quando o Técnico ficou reduzido a 11 jogadores. O Técnico sabia (ou deveria saber, porque a regra está, há anos, no regulamento da competição que disputa) que se tivesse mais um jogador excluído temporária ou definitivamente o jogo terminaria por "falta de comparência". O Técnico só se pode queixar de si próprio. Todos os amarelos foram mais do que justos, com excepção do último (que lhes impõe a derrota), que deveria ter sido vermelho, sem qualquer margem de dúvida - agressão grosseira a pontapé "nas barbas" do fiscal de linha. É lamentável que o Técnico não possa disputar a meia final (que merece, pelo que fez durante toda a época) pura e simplesmente por questões de indisciplina... Mas regras são regras e, se não se cumprirem, a competição e o jogo deixam de ter sentido.

JEC disse...

Inteiramente de acordo com o comentário anterior. Os regulamentos fizeram-se para serem cumpridos e não me parece que possam haver argumentos. Independentemente de qualquer reclamação a Federação deve agir de acordo com o espírito de quem legislou, que privilegiou a disciplina em prejuízo do resultado, seja qual for. É uma situação que não deve depender da vontade dos clubes intervenientes mas apenas da Federação, em cumprimentos dos regulamentos.

António Santos Marques disse...

Caro MCFerreira
Contrariamente ao que refere e segundo o qu pude apurar junto de fontes muito credíveis a "regra" é muito anterior à introdução dos cartões amarelos e teve como objectivo exclusivo a defesa da integridade fisíca dos jogadores e não o sancionamento de questões disciplinares.
Por outro lado é meu entendimento que os cartões amarelos não podem ser considerados na contabilização do número mínimo de jogadoes que uma equipe tem de apresentar no decorrer de um jogo conforme é definido no RGC, já que os jogadores continuam efectivamente em jogo e dentro do respectivo recinto mas apenas suspensos temporáriamente.
No que respeita à justeza dos cartões amarelos que a que faz referência tenho alguma dificuldade em perceber como está tão certo disso quando certamente 99 % das pessoas que assistiram ao jogo tão pouco se aperceberam dos mesmos já que o árbitro nem o capitão o Técnico chamou para o efeito como é mormal nestas situações.
Pelo que sei 3 dos cartões amarelos foram completamemte injustificadas para além de terem sido exibidos muitos minutos após o que deveria ter sido a hora de termo do jogo, que como é público durou cerca de mais 15 minutos do que o rempo regulamentar,
A bem do rugby e do espiríto do jogo espero sinceramente que a Direção da FPR não tenha o mesmo seu entendimento sobre esta questão já que nesse caso estará a pôr em causa não só a verdade e a ética desportiva como a continuidade na modalidade de muitos jogadores que nunca irão compreender uma decisão nesse sentido.
Fico na expectativa de que o bom senso possa prevalecer na resolução desta questão.
Saudações rugbisticas.
António Santos Marques

FCFerreira disse...

Caro António Santos Marques,
Creio que está a ver mal a questão - no que a este assunto diz respeito, não há, sequer, necessidade de discutir credibilidade de fontes. A fonte é uma e só uma: Regulamento Geral de Competições. Ora, o Regulamento Geral de Competições, quando conjugado com os factos (Técnico ficou reduzido a menos de 12 jogadores), impõe a derrota ao Técnico por falta de comparência. É tão simples quanto isto. O que podemos discutir é se a regra é justa ou injusta, se se impõe ou não proceder a uma revisão da regra no sentido de adaptá-la e aperfeiçoá-la a certos casos em que a sanção nos possa ser demasiado pesada (pessoalmente, acho um exagero impedir-se o Técnico de competir na Divisão de Honra na próxima época, cfr. artigo 42.º, n.ºs 2 e 3 do RGC).
Discutir mais do que isto, é inventar. A regra está lá. O Técnico ficou com 11 jogadores em campo (não interessa se foi por lesão, por amarelo, por expulsão, porque tiveram de ir à casa de banho, ou porque o primo fazia anos). A consequência é clara e obrigatória: falta de comparência.
Decidir-se de modo diferente é fazer-se malabarismo. Opinião pessoal n.º 1: a Direcção da FPR vai fazer malabarismo. Opinião pessoal n.º 2: A regra é injusta no caso de exclusões temporárias (sobretudo por impedir o clube de disputar a Divisão de Honra na época seguinte).
Nota final n.º 1: Não sou sócio ou apoiante nem do Técnico, nem do Belenenses, pelo que a análise que faço é imune a qualquer parcialidade que me pudesse, ainda que inconscientemente, influenciar a opinião.
Nota final n.º 2: Não creio que "99% das pessoas que assistiram ao jogo" estivessem distraídas a ponto de não se aperceberem dos amarelos. Acredito ainda menos que a equipa do Técnico não tenha reparado que ia perdendo, aos poucos, um jogador (até porque ele saía do campo e o árbitro mostra o cartão amarelo à vista de todos) por faltas sucessivas junto à sua linha de meta.
Aguardemos a decisão da FPR.

Duarte disse...

Esta regra existe "desde sempre", muitíssimo antes de haver amarelos. Não pode ter nada a haver com sancionar a indisciplina porque se aplica também antes do jogo começar. Uma equipa apresenta-se só com 11 jogadores e não há jogo (oficial).

Estou convencido que o espírito da regra não tem nada a haver com amarelos. Devem-se ter esquecido de mudar a letra da regra quando os amarelos foram introduzidos.

Não estou ligado a nenhum dos clubes. Posso estar engando, mas é assim que eu estou a ver as coisas.

Manuel Cabral disse...

ESCLARECIMENTO
Apenas para que a discussão se baseie em factos reais, convém esclarecer que, se este preceito existe no RGC há muitos anos - já existia em 2005 - apenas nas alterações verificadas antes da época 2012-2013 foi acrescentado ao mesmo a expressão ou no decorrer do mesmo se verifique essa situação., ficando com a seguinte redacção:

Não apresente no início do jogo o número mínimo regulamentar de jogadores (12 para o jogo de XV e 5 para sevens) ou no decorrer do mesmo se verifique essa situação.

João Miguel Ejarque disse...

Desculpem, é impressao minha ou no final com o Tecnico com 11 ou 12 jogadores em campo, o Belem nao conseguiu marcar?
E estamos aqui a discutir exactamente o quê?
Está tudo louco?
Joao Ejarque

S disse...

Tanto se apregoa o cavalheirismo e o respeito que impera no Rugby e onde está ele agora? O Belem perdeu, o Tecnico ganhou, tudo dentro de campo, ponto paragráfo.

Independentemente de terem razão na secretaria ou no regulamento, deviam é ter vergonha de terem perdido enquanto tinham + 4 jogadores em campo e não terem conseguido sequer encurtar o marcador.

Tivessem humildade e não se serviam de outras manobras para quererem estar onde não tiveram mérito em campo.

De qq forma, tb é bem feito para o técnico pois deviam estar a par de todas as regras existentes.

Unknown disse...

Que os jogadores desconheçam algumas regras, ainda é percetível, mas o arbitro deveria, se as conhece, ter actuado em conformidade e acabado o jogo nos regulamentares 80min de jogo.

Quantas expulsões/exclusões estavam em curso nessa altura?

Deixem o rugby espectáculo desenvolver-se e o Técnico principalmente no último ensaio deu um ar da sua graça.

AR

nuno_cardoso disse...

Boa tarde!

Caríssimos julgo que o que está em causa não é quem merecia ou não estar nas meias finais... Muito mais que isso é o precedente que vai ser aberto caso a FPR não atue de acordo com o regulamento em vigor!
Independentemente de o Belenenses reclamar ou não a FPR tem de atuar de acordo com regulamentos se assim se justificar.
Não estamos, ou pelo menos eu não quero estar, no pais das bananas em que as regras são aplicadas mediante dão jeito a certas e determinadas pessoas!

Aguardamos desenvolvimentos da FPR...

N. Cardoso