17 de maio de 2015

ÁGUIAS AO ALTO DOMINAM EM LONDRES E FIJI VENCE CIRCUITO

Os Estados Unidos vencem o Londres Sevens batendo na final a Austrália por 22-45 e mostram que a sua evolução não é só velocidade, embora seja claro que esta faz parte das suas prioridades, num jogo onde os espaços existem, há apenas que saber - e poder! - explorá-los.

Os americanos disputaram uma final do Circuito Mundial pela segunda vez na história (perderam na Austrália em 2009-10 frente a Samoa), e hoje venceram sem qualquer margem de dúvida trazendo uma lufada de ar fresco ao Circuito, mostrando claramente que é uma equipa com quem tem que se contar desde já - não é preciso aguardar pelo futuro!


Apurando-se para as meias finais da Cup, ao bater a África do Sul por 19-7, as Fiji garantiram a vitória no Circuito Mundial em 2014-2015, naquela que foi a sua segunda vitória na prova, ultrapassando Samoa e África do Sul que contam com uma vitória cada uma no saldo geral, embora seja a Nova Zelândia que concentre o maior número de vitórias, 12 no total.

As Fiji não foram no entanto capazes de fazer a dobradinha e perderam nas meias finais com a Austrália por uns pesados 7-33 e muita indisciplina, disputando o terceiro lugar com a Inglaterra, batida por impensáveis - mas inteiramente merecidos - 43-12 pelos Estados Unidos.

QUARTOS DE FINAL DE LUXO
Os quartos de final capricharam no acasalamento das equipas, e proporcionaram dois jogos de grande categoria quando colocaram frente a frente o primeiro do ranking contra o segundo (Fiji-África do Sul) e o terceiro contra o quarto (Nova Zelândia-Inglaterra).

E se o jogo entre os primeiros foi o momento da coroação das Fiji como vencedores do Circuito Mundial 2014-2015, a verdade é que os melhores momentos de rugby ficaram por conta da Inglaterra no jogo entre terceiro e quarto.

Quanto aos Estados Unidos, venceram o Canadá não apenas graças à velocidade de alguns dos seus jogadores, mas porque revelaram uma evolução muito grande durante toda a época, consubstanciada pela presença em seis Cups, sendo que das três vezes em que participaram na Bowl venceram duas...

Finalmente a Austrália derrotou a Escócia, conquistando o direito de discutir as meias finais com as Fiji, ficando para ingleses e americanos a decisão quanto ao outro finalista.

ESTADOS UNIDOS BRILHAM
Poucos acreditariam que os Estados Unidos conseguissem vencer os ingleses nas meias finais, mas quem viu o jogo nem sequer estranha o volume do resultado, que constitui uma das maiores derrotas da Inglaterra na época (12-43), e com certeza a maior contra uma equipa fora do grupo das consideradas melhores... até agora...
Os americanos conservaram a sexta posição do ranking que já detinham e foram de entre todas os participantes do Circuito quem mais progrediu, depois de terem sido 11º em 2011/12 e 2012/13, e 13º em 2013/14, e são favoritos para a qualificação olímpica que se vai disputar o mesmo apuramento já nos dias 13 e 14 de Junho em Cary, na Carolina do Norte.

Enquanto isso a Austrália aproveitou com mérito o clima de festa em que as Fiji viveram após a vitória que lhes deu a conquista do título no Circuito e venceram por 33-7 e a sua presença na final re-editou a final do Plate de Hong Kong, em que venceram os americanos por 21-17.
Apesar da derrota frente os E.U.A. por 22-45 consolidou a sua quinta posição, mas vai ter que disputar o apuramento olímpico na Oceania, que vai ter lugar em Novembro em Auckland, tendo como sua principal adversária nesse qualificativo a equipa de Samoa.

Ben Ryan deve ter puxado as orelhas dos seus jogadores após a derrota nas meias finais frente à Austrália, e as Fiji reagiram e derrotaram a Inglaterra na luta pelo terceiro lugar por 26-12.
Foi um jogo entre duas equipas que já tinham conseguido os seus objectivos - o apuramento olímpico (ambas) e a vitória no Circuito - e que por isso mesmo não despertou maiores emoções.

FINAL DO SHIELD, DA BOWL E DO PLATE
O Japão despede-se com uma boa vitória sobre a França por 21-19, e é natural que regresse ao grupo das equipas residentes no futuro próximo.
Resta-lhe agora tentar o apuramento para os Jogos Olímpicos pela Ásia, o que tem muitas possibilidades de vir a acontecer, com o torneio qualificativo a ter lugar no mês de Novembro em Hong Kong.

O Quénia não esteve muito bem este ano, talvez na ressaca dos acontecimentos que atravessaram a equipa nos dois últimos anos, quando esteve sob o comando de Mike Friday e Paul Treu, mas parece agora estar a recuperar a sua competência, e a vitória sobre a Argentina na final da Bowl por 26-12, pode muito bem ser um recomeço.
Recorde-se que o Quénia terminou o Circuito em 2012-2013 na quinta posição e no ano seguinte fechou a época no sétimo lugar.

A Nova Zelândia, eliminada da Cup pela Inglaterra, venceu o Plate derrotando a África do Sul por 26-14 mas isso não foi suficiente para ultrapassar os blitzbockes no ranking geral, ficando-se assim pela terceira posição.

A CANETA NA MEIA DE COLLINS INJERA
Collins Injera é um dos mais conhecidos jogadores de sevens do Mundo, e marcou hoje o seu 200º ensaio no Circuito Mundial, com a camisola do Quénia.
E, para festejar o feito, Injera sacou de uma caneta que tinha guardada na meia, assinou a bola com que marcou o ensaio e dirigiu-se à câmara de televisão que estava perto de si e assinou a lente da mesma!
Isto sim, é deixar a sua marca, ao vivo e a cores!
Um momento de descontracção que também faz parte do espectáculo, proporcionado por um dos maiores jogadores de sevens do mundo.

PORTUGAL ESTEVE MAL, MAS JÁ ESTAMOS HABITUADOS
Frente a Samoa Portugal deu uma vez mais uma imagem de imaturidade e mesmo de desinteresse, que não é compatível com a presença em torneios desta natureza, e acabou por sair derrotado por 14-33, com 7-19 ao intervalo.
Uma defesa cheia de buracos, erros individuais infantis, impotência na utilização da bola.
Safou-se a exibição de Nuno Sousa Guedes que esteve bem no ataque individual - brilhante mesmo em alguns momentos - e ficou na retina a imagem de uma placagem salvadora de ensaio que fez no segundo tempo.
Faltou claramente à equipa "a alma de que se falou e se pediu" mas que não apareceu no relvado de Twickenham...
Quanto ao jogo da meia final do Shield, contra o Japão, e que começou da melhor maneira com um ensaio de Adérito Esteves, fica difícil de comentar, tantos foram os erros, tantos os buracos na defesa...
Apenas diremos por agora - deixando para outra ocasião uma apreciação mais detalhada do que se passou durante toda a época - que este foi o pior conjunto de resultados de todos os torneios disputados em 2014-2015, sendo mesmo o único em que Portugal registou derrotas em todos os jogos disputados.

Veja o quadro completo dos resultados de Londres e o ranking final da competição, e saiba que Portugal vai agora disputar as três etapas do Grand Prix da Europa - que dá acesso, ao vencedor, aos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro - que se realizam em Moscovo (6 de Junho), Lyon (13 de Junho) e Exeter (11 de Julho).



Fotos: World Rugby/Martin Seras Lima e Luis Seara Cardoso

NOMEADOS CANDIDATOS AO TÍTULO DE MELHOR JOGADOR DO ANO
A World Rugby nomeou os três candidatos a Melhor jogador do Ano, sendo o vencedor anunciado no próximo dia 1 de Novembro, em Londres, após a final do Campeonato do Mundo de XV.

São eles:

Werner Kok (África do Sul) – Kok fez a sua estreia no ano passado em Londres e foi uma peça fundamental na equipa sul-africana, em todos os torneios desta época, em particular na vitória na Cup em Port Elizabeth, e na qualificação dos Blitzboks para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Werner Kok terminou a época como o líder de placagens, entre todos os jogadores do Circuito.

Semi Kunatani (Fiji)
– Kunatani foi impressionante tanto no ataque como na defesa em todos as vitórias na Cup conseguidas pela equipa nesta época, e foi um dos melhores placadores e um dos melhores marcadores de ensaios (40).
Semi Kunatani estreou-se na equipa no Dubai em 2013 e conseguiu um contrato com o Toulouse para a época 2015-2016, mas sob condição de ficar à disposição de Ben Ryan em quatro etapas do Circuito Mundial e para os Jogos Olímpicos, caso venha a ser um dos escolhidos por Ryan.

Seabelo Senatla (África do Sul) – Sendo o mais novo dos três nomeados, Senatla terminou a época como líder dos marcadores de ensaios, com 47, e viu dois deles serem escolhidos como favoritos pelos adeptos, tendo ainda marcado nas vitórias da África do Sul no Dubai e Port Elizabeth.
O seu ritmo alucinante foi um dos grandes motivos de conversa desta época, com poucos jogadores a conseguirem acompanhá-lo quando dispara a todo o gás.

Recordem os vencedores das épocas passadas:
2014 - Samisoni Viriviri, Fiji
2013 - Tim Mikkelson, Nova Zelândia
2012 - Tomasi Cama, 
Nova Zelândia
2011 - Cecil Afrika, África do Sul
2010 - Mikaele Pesamino, Samoa
2009 - Ollie Phillips, Inglaterra
2008 - DJ Forbes, 
Nova Zelândia
2007 - Afeleke Pelenise, 
Nova Zelândia
2006 - Uale Mai, Samoa
2005 - Orene Ai'i, 
Nova Zelândia
2004 - Simon Amor, Inglaterra

1 comentário:

Antonio Freitas disse...

Nem em Lisboa nem em Londres , depois de se ver a miséria em ambos os lados , só à a dizer que triste e desolador cenário . Olhando para a classificação dos sevens é um cenário desolador , a batalho dos últimos , não houve chama , qualidade colectiva ,mas em especial categoria - diria Jorge Jesus .
Em 3 anos temos vindo regredir , quando com a experiência acumulada e com o forte investimento deste ano havia condições para muito mais , resultado pior . Levamos a perguntar ,e agora ?Tomas Morais , depois de promessas de feitos para este ano , , o que dizer agora , a culpa é de todos menos minha certamente - como diria Lopetego -obrigado a todos ajudaram os EUA mas nós jogámos muito , mas muito , só vocês é que não percebem , só eu é que sei .