25 de junho de 2012

AS PROPOSTAS DA FEDERAÇÃO PARA O FUTURO DO RUGBY PORTUGUÊS

Com três semanas de atraso em relação à data em que deveria ter apresentado o calendário provisório para 2012-13, a Federação Portuguesa de Rugby atira para cima da mesa duas propostas de organização competitiva - absolutamente opostas - e dá alguns dias aos clubes para se prepararem para uma reunião marcada para a mesma hora em que Portuga e Espanha se defrontam nas meias finais do Europeu de Futebol.

Passando ao largo pela forma como estas propostas aparecem, com os clubes em fase de desmobilização estival, e com um calendário que apenas pode fazer sorrir, vamos diretos às duas propostas federativas.

Obviamente, quando se apresentam duas propostas completamente antagónicas, como é o caso, o seu mentor já escolheu qual quer ver implementada, e o facto de as lançar para uma discussão em cima do joelho - a Federação, com a sua pesada máquina intelectual, levou, além do prazo normal, mais 20 dias para completar a sua apresentação, mas exige que os clubes se preparem sobre o tema numa semana - apenas pretende lançar poeira para os olhos das pessoas, para que possa fazer o que já fez anteriormente - com os brilhantes resultados que se viram...

Mas andemos em frente para darmos uma olhadela naquelas duas propostas.

A primeira delas resume-se rapidamente - o ano de 2012-13 será um ano de transição, e para 2013-14 as três divisões nacionais são reduzidas a seis equipas cada uma.

As restantes equipas seriam incluídas numa 3ª divisão, de cariz regional.

Ainda segundo esta proposta, os três campeonatos terminariam em Janeiro.

A segunda proposta, em total oposição à primeira, propõe o alargamento imediato da Divisão de Honra para 12 equipas, não fazendo no entanto qualquer referência às restantes divisões.

Nesta proposta fala-se da criação de dois grupos, cada um de seis equipas, mas na verdade a proposta é simplesmente do alargamento, com um calendário condicionado, por forma a que as seis melhores não joguem entre si na época de trabalhos da seleção nacional para não prejudicar as equipas que mais jogadores fornecem para a equipa nacional.

Claramente que somos favoráveis a esta segunda proposta, mas com a introdução de uma ou outra correção, que a tornariam bem mais harmoniosa.

Vamos por partes - achamos perfeita a possibilidade de ter um calendário condicionado, por forma a que na época internacional as mais fortes apenas joguem com as mais fracas.

Este condicionalismo ajudará a evitar as vitórias por diferenciais muito alargados, se bem que isso seja uma normal ocorrência no rugby, servindo de exemplo os resultados dos jogos internacionais deste mês, ou os do Mundial de Juniores - e não existe nenhum movimento para reduzir este Mundial a menos equipas, ou terminar com  os jogos entre a Irlanda e a Nova Zelândia...

Mas, além disso, vai obrigar os clubes maiores a manterem uma segunda linha de jogadores que serão utilizados nesse período, permitindo o aparecimento de muitos jovens que tem o seu acesso tapado nos clubes, pela presença dos internacionais, e que raramente tem a possibilidade de jogar - é como se esses clubes tivessem duas equipas, uma para os jogos entre os grandes, e outra para os restantes jogos.

Sejamos portanto claros - apoiamos esta solução sem qualquer dúvida, enquanto achamos que a redução das três divisões vai ajudar a matar um rugby que por vezes parece que está moribundo 

Agora existem alguns aspetos na proposta federativa que gostaríamos de ver alterados.

O primeiro diz respeito a uma nota de rodapé constante da documentação distribuída pela FPR, que indica que os tais dois grupos da DH teriam sistemas de pontuação diferentes, o que não faz o mínimo sentido - afinal, no termo da prova, as 12 equipas terão jogado contra todas entre si, a duas voltas, não havendo portanto lugar para nenhuma invenção nas pontuações. - o fator corretivo é introduzido pelo calendário condicionado.

O segundo aspeto tem a ver com o súbito alargamento de oito para doze equipas, que pode ter efeitos perversos e inviabilizar um sistema que até pode funcionar, preferindo um sistema de alargamento que evolua gradualmente de 8 (DH) + 8 (1ª Divisão) para 10 + 10 numa primeira fase de dois anos, depois para 10 + 12, para, ao entrar no quinto ano, então chegarmos aos 12 + 12.

Quanto à 2ª Divisão, gostaríamos de ver a fase regional reduzida a dois grupo (Norte + Centro e Lisboa + Sul) com uma fase final nacional, e apoiamos a criação de campeonatos exclusivamente regionais, a que podem chamar de 3ª Divisão, ou simplesmente campeonatos regionais, sem qualquer fase nacional.

Finalmente, a FPR propõe também a revisão do sistema de pontos bónus, impedindo a acumulação de dois pontos na mesma jornada (o que acontece atualmente se a equipa que perder marque quatro ou mais ensaios e perca por sete ou menos pontos de diferença), e apenas atribuindo o ponto ofensivo se a equipa que marcar quatro ou mais ensaios, tenha marcado pelo menos mais três ensaios que o adversário.

Vamos então aguardar o Portugal-Espanha do Europeu 2012, para saber o que decide a FPR - porque mesmo tomada, a decisão só vai ser divulgada após a reunião de quarta feira.

Foto: António Simões dos Santos

12 comentários:

José Silva disse...

Qualquer das propostas pareçe trazer mudanças radicais, embora a primeira seja muito má porque reduz as divisões e acaba em janeiro! A segunda acho que deveria ter uma fase de transição. Mas será que a DH tem capacidade para mais 4 equipas de repente? O Cascais e crav estão bem acima dos outros e o técnico parece moribundo. E a 1ª passaria a ter mais 4 equipas da 2ª ou também aumenta para 12 recebendo os 8 primeiros da 2ª?? É quase que dizer que 4 clubes da 1ª sobem e outros 4 descem a 2ª

Anónimo disse...

Até agora parece que há apenas propostas e o presidente já garantiu que nada fará contra a mairia dos clubes. Há aspectos desportivos e financeiros que têm que ser tidos em consideração. O assunto é antigo e não será agora que os clubes vão saber o que pretendem. Sabem muito bem. Acho que se deve manter o campeonato como está mas acho bem que se dispute todo seguido por forma a permitir uma preparação adequada da Seleção nacional. É um ano decisivo para o apuramento do mundial. Temos todos que perceber a situação e esperar que a fpr encontre uma competição interessante para alem da Taça de Portugal e dos sevens. Vamos aguardar

Anónimo disse...

"Finalmente, a FPR propõe também a revisão do sistema de pontos bónus, impedindo a acumulação de dois pontos na mesma jornada (o que acontece atualmente se a equipa que perder marque quatro ou mais ensaios e perca por sete ou menos pontos de diferença), e apenas atribuindo o ponto ofensivo se a equipa que marcar quatro ou mais ensaios, tenha marcado pelo menos mais três ensaios que o adversário."

Posso estar a ler mal e ser muito burro. mas a situação B não impede por completo a situação A ? ou seja, se só pudermos ter um ponto bónus ofensivo quando temos mais do que 3 ensaios que a outra equipa como é possível acumular dois pontos bónus na mesma jornada ?

E qual é a relevância de evitar a acumulação de dois pontos bónus ? houve alguma situação complicada que surgiu devido a isto nestes anos ?

Parece-me propostas só para encher papel

Anónimo disse...

Acabar em Janeiro e organizar um circuito de sevens como deve logo depois das fases de exames em março/abril parece-me bem, assim a malta tem tempo de descanso entre as modalidades e depois ainda faz beach.

Anónimo disse...

É o reflexo de uma Federação Portuguesa de Rugby caduca, que não trabalha em favor da expansão e desenvolvimento da modalidade, mas sim dos interesses dos clubes de Lisboa, fazendo do rugby nacional um desporto de fim-de-semana lisboeta.
Numa altura em que as dificuldades financeiras atingem todos os clubes, e em que, por essa mesma razão, as diferenças qualitativas dos clubes seriam sem dúvida atenuadas, nomeadamente com a certa exclusão da maioria dos jogadores estrangeiros contratados, a FPR resolve andar para trás e dotar o rugby lisboeta de condições desigualmente superiores às do resto do território nacional.
É o desporto amador (porque dirigido por amadores) a fazer reflexo da política amadora que se faz neste país.
O resultado está à vista na sociedade portuguesa, infelizmente estará também à vista no rugby nacional.

Tenham vergonha, meus senhores!

Anónimo disse...

O que é proposto qt aos pontos bónus não é o que vigora no Top14 francês?

Anónimo disse...

Questão relevante e que demonstra como a FPR só pensa verdadeiramente no imediato é que o modelo defendido pretende que o campeonato acabe para 4 clubes em Dezembro (os que não se qualificarem para as meias finais), e na 2 semana de janeiro para os outros. Por este modelo, tirando os 20 ou 30 jogadores que talvez andem pelos treinos das selecções, o resto dos jogadores do país terá 8 meses de férias até a próxima época. Algo que deve estimular e atrair imenso os jogadores (só na divisão de honra estamos a falar de 240 dos melhores jogadores do país que ficarão a olhar rugby pela televisão). Uma perpectiva de evolução muito interessante. E o que dizer dos sub 21, porque devem terminar o campeonato em Janeiro também? E dos sub 18, sub 16 que nem merecem aparecer nas propostas de calendário da próxima época.
Por ultimo a cereja no topo, é a data prevista para o início do campeonato, 15 de Setembro, quando o rugby em Portugal é amador (salvo algumas raras excepções) e praticamente todas as pessoas aproveitam o mês de Agosto para as suas férias. Pretende portanto a FPR que o campeonato comece com as equipas fora de forma, salvo algumas excepções. Por ultimo, o que dizer do timing do anuncio, no fim de Junho, anunciam algumas propostas, e para quando o modelo definitivo? em Agosto, em Setembro? É que deveria existir seriedade, pois existem pessoas que se preocupam com o rugby nacional, e que nos clubes tem que pensar as épocas com um mínimo de antecedencia. Vergonhoso

Anónimo disse...

Devia estar calado quem fez este ultimo comentário já que foi ele que aprovou o que se passou este ano e por isso teve de fazer a vergonhosa fase final que fez.

Anónimo disse...

é espantoso que o Cabé, após o fiasco que foi o CN 2010/2011 tenha vindo reconhecer que tinha sido uma asneira tal decisão e que não se repetiria e passados 8 meses volte a querer fazer o mesmo disparate. De repente também aparece um comentário a dizer que agora que os clubes de Lisboa pasam a ter menos Estrangeiros estão tramados mas se não me engano os clubes com mais Estrangeiros são Académica e Lousã e claor o Benfica de resto têm um ou dois e alguns nenhum (peço desculpa o CDUL também tinha 5 ou 6)quanto à questão do ponto bónus não tenho grandes dúvidas que tal se tenha ficado a dever ao pedido de algum clube amigo não percebo com que fundamento mas enfim, mais parece vontade de fingir que trabalharam.

João Quintela disse...

Onde se pode ver esse documento?

Anónimo disse...

Mas porque continua esta conversa de favoritismos aos clubes de Lisboa? A realidade é que os melhores clubes são de Lisboa e tem sido nos últimos 5/10 anos. "a FPR resolve andar para trás e dotar o rugby lisboeta de condições desigualmente superiores às do resto do território nacional.".... o que é que isto quer dizer, meu caro?

Anónimo disse...

Cabé? O director técnico nacional nao é o Tomaz Morais? Quais sao as responsabilidades dele?