18 de novembro de 2015

CUMPRIR ESTATUTOS E REGULAMENTOS NÃO É UMA OPÇÃO

As eleições para os Orgãos Sociais da Federação já acabaram, com a retirada do recurso que a Lista A tinha apresentado para decidir sobre a rejeição da reclamação que a mesma Lista tinha apresentado sobre as alterações efectuadas na Lista C, e que foram objecto de comentário nestas páginas,

No entanto ficámos surpreendidos com outra coisa, mas deve ser apenas efeito do nosso desconhecimento dos processos que envolvem o funcionamento das assembleias.

De qualquer forma fica registado que estranhamos que seja marcada para dia 19 (quinta-feira) a tomada de posse dos delegados que participaram na eleição do dia 10 de Novembro...

Sempre pensámos que esses delegados já tivessem tomado posse, porque sempre pensámos que quem não toma posse, ainda não é delegado, portanto não pode exercer um direito de voto que pertence aos delegados...
Ou seja, para qualquer pessoa normal as eleições nunca aconteceram!

Aliás, e já que estamos a falar de coisas estranhas, não podemos deixar de notar que tudo começou mal com a Assembleia Geral Eleitoral, com a sua marcação para depois da data limite prevista nos Estatutos, depois com o seu adiamento por uma semana, e, finalmente, pelo facto dos votos registados na urna eleitoral terem ultrapassado o número de delegados presentes...

Como compreender que existam votos fantasma e que tudo fique por isso mesmo, sem qualquer consequência? Não há quem, com vergonha na cara, exija o esclarecimento da situação? Independentemente das consequências que esse esclarecimento traga consigo?

Enfim, anomalias a mais para um acto que deveria ter-se revestido da maior seriedade, já que as eleições não são uma brincadeira, nem um convívio entre amigos.

Infelizmente criou-se o hábito do deixar andar no rugby português - na doce ilusão de que não é nada comigo, ou não tem importância - e é pena, pois perdeu-se uma excelente oportunidade de dar uma lição, e mostrar claramente que só há uma maneira de estar à frente de uma modalidade que se diz diferente das outras: cumprindo sem qualquer tolerância, sem jeitinhos nem favores, os  Estatutos e Regulamentos.

O que está em jogo é a imagem do rugby português, e na verdade, o nosso jogo ficou muito mal na imagem, e nada indica que o estado das coisas vá ser alterado...

4 comentários:

Duarte disse...

Quanto à tomada de posse de delegados que já votaram antes de terem sido empossados, pensava que era eu que não estava a perceber qualquer coisa. Afinal, é mesmo isso que vai acontecer amanhã?

Bom, será mais um atropelo aos regulamentos, como já tinha sido a marcação da data das eleições e a aceitação de uma lista que não respeitava o regulamento eleitoral. A bandalheira do costume.

Mas ter havido mais votos do que eleitores é uma situação diferente, é o atingir de um novo patamar. É claro que isto seria quase impensável em qulquer outro desporto. E, se acontecesse, haveria um inquérito que terminaria apontando para a anulação das eleições.

Infelizmente, o râguebi português rege-se por valores muito próprios, e até mesmo esta aldrabice (que até pode não ter sido feita por gente afecta à lista vencedora, não sabemos) é encarada com a maior naturalidade.

Ninguém duvida que os valores do râguebi português são gritantemente diferentes dos dos outros desportos. O problema é que são diferentes para pior. Para muito pior.

Duarte disse...

Já agora, tinha piada se amanhã um dos delegados que votou antes de tomar posse faltasse à tomada de posse.

jorge rasteiro disse...

Ao existir mais votos em urna do que votantes o único caminho é a anulação das eleições!

Duarte disse...

Isso era se o râguebi português não fosse uma escola de valores. Como é, os trapaceiros estão à vontade e os outros não se importam de passar por trapaceiros.

Na impoluta escola de valores, vale tudo.