22 de março de 2015

CARRACHO FOI CARRASCO… E O BELÉM ESTÁ NO PLAY-OFF *

* António Henriques
Quatro resultados desnivelados e sem grande história para contar e uma partida com emoção a rodos, plena de reviravoltas, peripécias e para mais decidida já para lá dos 80 minutos de jogo marcaram a 20.ª e derradeira jornada da DH que definiu o escalonamento final das equipas e também os dois jogos do play-off, a disputar a 11 de Abril (podiam fazer o favor de os agendar para horas diferentes à la Seis Nações, permitindo a quem quiser, ou tiver esse dever, de assistir a ambos?): Técnico-Belenenses e Cascai-Agronomia.

CDUL e Direito acedem diretamente às meias-finais e aguardam os respetivos parceiros, enquanto CDUP (7.º), Académica (8.º), CRAV (9.º) e RC Montemor (10.º e que desce de divisão) concluíram a época, no que à DH diz respeito.

CASCAIS 3-47* CDUL (0-7)
Na Guia, um Cascais sem cinco avançados presentes na seleção nacional em Sochi e com a cabeça já nos jogos a eliminar, foi presa fácil de um CDUL também fragilizado face à ausência dos seus inúmeros internacionais (mas no caso do vasto plantel à disposição de Damien Steele não se nota tanto…).
Com 12-3 ao intervalo, os universitários acentuaram no 2.º tempo a sua manifesta superioridade, concluindo a função com sete ensaios e bis para Tiago Girão e Veltioven Tavares.

RC MONTEMOR 24-62* DIREITO (4-10)
A despedida dos alentejanos nesta sua estadia de duas épocas na DH – e que fez certamente crescer e evoluir jogadores, responsáveis e o próprio clube, preparando-os para um regresso mais ou menos próximo… – foi apadrinhada pelos vice-campeões nacionais, que respeitando o adversário como é imperativo no râguebi, entraram a acelerar e nunca mais levantaram o pé.
Duas mãos cheia de ensaios, com bis de Luís Portela e João Silva, assinalaram o adeus do RC Montemor e também o fim dos jogos fáceis para os advogados.
A partir de agora é sempre a doer…

CRAV 7-61* TÉCNICO (1-9)
Os engenheiros podem não estar num dos seus picos de forma à entrada para o decisivo período da época, mas nesta viagem ao Minho não se notou nada.
Já o trio neozelandês mostrou “encontrar-se muito bem, obrigado” e fez cinco dos nove ensaios da equipa das Olaias. 
Bisaram André Aquino, Jonathan Kawau e Sam Henwood, que subiu para 14 os ensaios que já apontou na prova, recuperando a liderança dos marcadores.
Menção ainda para João Dias, que aproveitou a ausência de Duarte Marques em Sochi para testar a sua pontaria aos postes… e só falhou uma das nove conversões que tentou.

AGRONOMIA *40-3 ACADÉMICA (6-0)
O escriba bem tentou, mas mais uma vez a colaboração, em tempo oportuno, por parte da gente da
Foto: Filipe Monte
Tapada continua com deficiências. 
Ou seja, sabemos que os agrónomos venceram e por quantos. 
Qual o resultado ao intervalo? Jogaram bem? Marcaram quantos ensaios? E quem os marcou? Houve destaques especiais? Regressaram alguns dos indisponíveis? Alguém se aleijou?
Mistééééério……..

CDUP *21-26 BELENENSES (2-2)
Jogo emotivo, renhido e discutido até ao fim (ou mesmo para lá dele…), aquele que se assistiu no relvado da pista Gémeos Castro em Guimarães, e que permitiu aos azuis segurarem o vital 6.º lugar com que iniciaram a partida.
O CDUP começou melhor e com três pontapés de Gonçalo Marques chegou com facilidade aos 9-0. Com o intervalo a aproximar-se, a equipa do Restelo sentiu o perigo do dilatar da vantagem adversária, estendeu o seu jogo e Manuel Costa tiraria partido de duas faltas portuenses para estabelecer os 9-6 que se registavam no descanso.
O CDUP voltou a reentrar melhor e aos 53’ um muito decidido Afonso Rodrigues furou pela defesa contrária e só parou na área de ensaio para o seu 7.º na prova (16-6). 
Mas mais uma vez este Belenenses só parece reagir quando se vê encostado às cordas e de novo a equipa do Restelo tomou conta da partida, empurrando o adversário para o seu meio-campo. 
Numa bela e rápida sequência à mão (não se importariam de a repetir mais vezes? Olhem que resulta…) o centro Vasco Poppe reduzia para 16-13, naquele que foi o 8.º ensaio do melhor marcador azul da DH.
Depois e com precisão de metrónomo, Manuel Costa (autor de 16 pontos, ele que é o 2.º melhor marcador da prova) acertaria mais duas penalidades, virando o resultado para 19-16 favorável aos visitantes.
Mas o drama ainda estava longe de terminar. 
Com o ponteiro do relógio a aproximar-se do fim do encontro, o CDUP voltou a carregar e conseguiria, em cima dos 80’, o ensaio que dava nova cambalhota (21-19). 
Contudo, quem pensava que o triunfo portuense estava garantido, enganou-se. 
Os azuis voltaram a encadear uma sequência de passes à mão e quando a oval chegou (por engano?) ao talonador José Carracho, este foi tomado pelo espírito de Ma’a Nonu, embalou toda aquela massa, foi a direito ultrapassando tudo o que lhe ia aparecendo pela frente… e só parou com o ensaio feito e o bilhete de acesso ao play-off no bolso. 
Lembram-se de um filme cujo título era “Herói acidental”? Houve ontem remake em Guimarães…



3 comentários:

Curioso disse...

Gostava de colocar uma dúvida, para que alguém melhor informado me possa esclarecer. Segui o CDUP - Belenenses em directo e fiquei com uma dúvida quanto ao fim do jogo, mercê de problemas de internet. Curiosamente, a gravação do jogo foi retirada, mas o resumo vem no P3.

http://p3.publico.pt/raguebi/nacional/16148/resumos-da-20-jornada-cdup-belenenses

A minha dúvida é: Se o CDUP marca um ensaio no minuto 80:00+00:35 e o converte aos 80:00+01:45, como é que o Beleém marca um ensaio quase 4 minutos depois? Mudou alguma regra quanto à duração de um jogo?

Martim Bettencourt disse...

Simples. O tempo que aparece na gravação do jogo não é o tempo que o árbitro tem. Não contabiliza as paragens que o árbitro faz e não para, daí os minutos "extra".

Martim B.

Manuel Cabral disse...

Complementando o que disse o Martim, o jogo não acaba quando se esgota o tempo de jogo... Só acaba quando a bola fica morta depois do tempo de jogo se esgotar...