13 de junho de 2015

NO DESEMPATE COM A LITUÂNIA, PORTUGAL CONSEGUE DISPUTAR CUP

Apurada para disputar os quartos de final da Cup, nos factores de desempate - diferencial de pontos marcados/sofridos - por estar empatada com a Lituânia no final da fase de grupos do Lyon Sevens, a selecção portuguesa não surpreendeu e teve mais um dia medíocre, como já nos vem habituando há muito.

Temos apontado ao longo dos últimos anos a constante vulgaridade da equipa, que se tem apresentado sem espírito, sem vontade, sem classe para justificar as ambições de que se diz merecedora.


Mas a verdade é que - com desilusão e mágoa - já não há mais nada para dizer - a nossa selecção nacional de sevens é uma equipa vulgar, perdeu o estatuto de grande equipa, arrasta-se pelos campos, dá uma imagem pobre que afinal, é o reflexo do próprio rugby português.

Assistiu-se nos últimos cinco anos à destruição de uma equipa, com o argumento que a prioridade era a selecção de XV, os Lobos - com os brilhantes resultados que todos conhecemos - e desprezando todo o historial da selecção de 7's, os Linces, com algumas patéticas decisões e com o total abandono dos sevens nacionais.

Ainda não batemos no fundo, mas não podemos continuar a apreciar a nossa equipa como se ela ainda fosse uma das melhores do mundo - não é, nem sequer da Europa.
É apenas uma equipa mediana, que de vez em quando faz uns bons resultados, mas que não tem estrutura, plantel, consistência, nem nível, para se poder considerar uma equipa acima da média.

Assim, os resultados de hoje, e os que a equipa nos foi oferecendo durante todo o ano, até são bons, pois como equipa mediana que é, não merece integrar o conjunto das equipas residentes do Circuito Mundial, e tem que pensar em lutar para manter a permanência no Grand Prix Series, e não ser rebaixada para a Divisão A.

Pensar mais alto do que isto é desajustado à realidade, mesmo que amanhã a nossa equipa nos faça uma surpresa e nos ofereça uma recordação do Santo António e e consiga manter viva a esperança de uma boa classificação final na competição, ao cabo das suas três etapas.

Mas para isso seria preciso ganhar à França no nosso primeiro jogo de amanhã, e esta equipa não tem categoria para isso - embora possa acontecer um milagre.
Mas que, a acontecer, será exactamente isso - um milagre...

Obrigado Amado da Silva, pelo excelente trabalho de destruição levado a cabo!

Fique com o quadro dos resultados, sabendo que o jogo com a França terá lugar às 9 h de Lisboa.

(Os jogos da Bowl ainda não se encontram confirmados no site da Europe Rugby, embora sejam já 20, 45 h de Lisboa)

12 comentários:

Claudio disse...

Caro Manuel,

Acredito que no XV as coisa sejam mais complicadas e que ter uma equipa de XV no alto nível suponha diversos fatores positivos - e não apenas bons jogadores - dos quais uma boa organização por parte das autoridades federativas.

No 7, pelo contrário, as coisas me parecem muito mais básicas. Posso estar enganado mas, ter uma equipa eficiente de seven's parece-me apenas uma questão de jogadores, de individualidades.

Pois, acompanho o que a França fez estes últimos anos e vejo que com meios bem superiores aos de Portugal apenas deu resultados médiocros... Afinal bastou acrescentar dois ou três jogadores de alto nível ao grupo e a equipa subiu uns graus.

Vejam também a Inglaterra, mudou os jogadores para o GPS e... Desapareceu.

Por isso continue naquela ideia que o que falta a Portugal é mais uns jogadores. Dois potentes como o Carl Murray e dois rápidos como o Duarte Moreira. As baixas de estes dois - e a baixa de nível consecutiva imediata - mostram que o banco conta imenso e que tem que ser de igual qualidade.

Se houve erros ou insuficiências por parte das autoridades então para min apenas se encontram na escolha de alguns dos jogadores que não têm suficiente nível,para estarem no grupo... Mas se não há outros, também não se pode inventar !

Abraço !

NB : por ser apenas uma questão de jogadores amanhã contra a França tudo pode ainda acontecer.

Manuel Cabral disse...

É exactamente essa a questão, Cláudio: jogadores!

E é exactamente aí que as autoridades nada fizeram, não promoveram o jogo, não o levaram à popularidade, antes o deixaram abandonado, para que se desenvolvesse sozinho.

Não se criaram competições, não se criaram condições para o aparecimento de novos núcleos, novos clubes, ou seja, mais jogadores.
Centralizou-se tudo no Centro de Alto Rendimento do Jamor, que serve para o desenvolvimento de um pequeno número de eleitos, que, quando por motivo de lesão, de estudo, de trabalho ou de família, não podem dar o seu contributo, não têm quem os substitua.
Porque são apenas meia dúzia de estudantes, de doutores ou engenheiros, que - com toda a justificação - colocam o rugby como segunda, terceira prioridade.
Então, temos poucos jogadores, e desses poucos muito poucos estão em condições de dar tudo pelo rugby.

Só existe uma alternativa válida para isto: a existência de uma base de recrutamento muito alargada, para que surja um maior número de alternativas em termos de jogadores, que possam alternar a sua participação na selecção nacional, "cobrindo" uns as faltas dos outros...

Repara o que acontece quando falta um Pedro Leal, um Carl Murray ou um Duarte Moreira.
Sem qualquer demérito para os jogadores que foram chamados a substituí-los, eles não estão ainda preparados para a participação em competições deste nível.

Ainda ontem conversei com um dos mais promissores jovens jogadores que passou pela nossa equipa de sevens.
Este ano ele não apareceu a contribuir para a equipa, e foi bem claro quando me disse que "Este ano tive que me comprometer com os estudos. Tenho muitas saudades e gostava de voltar mas não tenho mesmo conseguido. Preciso de acabar o curso."

Portanto o problema está precisamente aí: uma pequena base de recrutamento que não resolve os problemas da falta de jogadores...
E era aí que as autoridades deveriam ter trabalhado ao longo destes anos.

Claudio disse...

Bom dia !

É claro que jogar com estudantes ou trabalhadores não ajuda e precebo sem dificuldades que os interessados fassem desses compromissos a prioridade, se eu pessoalmente tive que parar com o rugby - a um nível bem inferior - foi precisamente por "causa" dos estudos e admiro sinceramente os que conseguem seguir as duas vias, as duas vidas.

O meu comentário era apenas para emitir a opinião que no 7 isso me parece menos problemático e que o amadorismo tem mais o seu lugar que no XV. O exemplo da França parece-me demonstrar que o profissionalismo não resolve tudo ou então professionalismo com jogadores a actuar no Top14 e que depois vêm reforçar o 7.

Vai acontecer algo de bom d aqui por uma hora. Portugal vai meter o contador a zero a França vai para o quinto lugar !

Manuel Cabral disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Manuel Cabral disse...

Cláudio, esse é o desejo de todos nós, e que pode muito bem acontecer!

Mas deixa-me acrescentar que tens toda a razão, e essa é mesmo a base do meu raciocínio:
...a opinião que no 7 isso me parece menos problemático e que o amadorismo tem mais o seu lugar que no XV

Obviamente que apostar no rugby profissional em Portugal é um erro.
Por isso é necessário ter uma larga base de recrutamento, ter diversos jogadores para cada posição, que não sendo os melhores do mundo individualmente, possam ser uma das melhores equipas do mundo.
Uma base de jogadores que permita substituições sem afectar o nível médio da equipa.
Um base que permita a um jogador dedicar-se aos estudos e ao rugby, ao trabalho e ao rugby, sabendo que nas suas faltas outro estará em condições de tomar o seu lugar.

Um sistema em que se mantenham pelo menos duas selecções nacionais em actividade, em que se mantenham selecções regionais em actividade, que permitam a cada candidato ao topo, subir a ladeira...

Duarte disse...

Sevens: França 40 - 7 Portugal.

Por favor, não digam que a culpa é de se "ter apostado nos XV"... Digam tudo, menos isso. A aposta da FPR para esta época foram os sevens...

Manuel Cabral disse...

Duarte, tens razão - a culpa é de quem pensa que se resolve o problema do rugby - neste caso dos sevens - numas semanas em que se diz que a prioridade são os sevens...

O que se fez pelos desenvolvimento dos sevens nos últimos cinco anos?
Que competições nacionais se criaram, fomentaram ou ajudaram a crescer?

Em que novas áreas do país se joga sevens? Quantos novos jogadores de sevens existem em Portugal e o que as autoridades fizeram para que surjam novos clube e jogadores?

A resposta é muito simples: NADA

E é neste vazio de cinco anos que reside o problema.
A questão dos XV é periférica, pois na minha opinião não há necessidade de tirar qualquer importância aos XV - apenas existe a absoluta necessidade de criar espaços para os sevens. Não vejo isso como uma concorrência, vejo apenas que as autoridades não são apenas autoridades do XV. Têm por obrigação apoiar, desenvolver, dinamizar TODAS as outras variantes de rugby. Entre as quais, obviamente, os Sevens. Até porque é aquela variante que deu melhores provas de possibilidade de sucesso em Portugal - entre todas as variantes, incluindo o XV.

O Mosa disse...

temos que começar pelos miudos.mas nao começar logo a coloca-los nas seleçoes.DAR ESSE TRABALHO AOS CLUBES.neste fim de semana O BELENENSES foi com 2 equipas de sub 16 e 1 sub 18 aos sevens de Madrid e contra as melhores equipas espanholas inclusive os dois campeoes de cada escalao GANHOU AMBAS AS FINAIS.Temos excelentes miudos a jogar nas varias equipas nacionais.SR. PRESIDENTE DE MAIS CONDIÇOES AOS CLUBES E NAO APENAS AS SELEÇOES QUE NOS TRABALHAMOS OS MIUDOS E O FUTURO SERA MELHOR.
Um grande abraço para ti Manel e mais uma vez parabens pelo excelente trabalho de informaçao-
Antonio Henrique Tavares

Antonio Freitas disse...

O que é absolutamente claro é a profunda incompetência dos treinadores , aliás a somar aos do XV . Falar que isto é um trabalho de semanas e que estes jogadores são estudantes e nada mais , é evitar a realidade . Este ano começou com estágios na praia com os resultados nos dois primeiros torneios em Setembro desastrosos , com um número alargado de jogadores nunca visto em exclusivo para os sevens, libertação dos jogadores dos clubes e dizer que receber mais de 1000 euros num país como o nosso é ser amador . O que dizer levar para um torneio desta importância 3 jogadores que não treinaram e sem experiência de sevens , onde estão os das fotos de inicio do ano , desapareceram ?
Já é mais do que sabido que o Tomas Morais nada traz e que julga que é o dinheiro e com gritos de bora lá pátria resolve a questão temos à vista o resultado , todos progrediram e nós regredimos .

O problema não tem cinco anos , ele começou depois de 2007 com a ideia genial do DTN Tomas Morais dos pagamentos e dos centros ditos de alto rendimento , é bom ler a crónica do Miguel Portela no P3 que diz claramente o resultado - um fracasso total . Hoje ao contrário do que diz existem mais jogadores , os números estão aí , mas são piores .

Tem razão no desenvolvimento , pois por aqui vemos um Rico Rocha a tentar vender as suas bugigangas à malta e a cobrar o gasóleo . As associações regionais são uma vergonha e nada fazem , a não ser aparecer em convívios organizados pelos clubes locais .

É claro que este modelo de centralização falhou , a selecção de xv está no 30º lugar ou perto , nos sevens é o que se tem visto , e futuro não é risonho , a fuga para frente assim tem levado este triste desenlace , e dizer que o Cabé tem responsabilidades, tem por ter dado a sua assinatura a um modelo de desenvolvimento que tinha já provado o seu fracasso em 2011 e deu continuidade com a manutenção do seu mentor até ao momento , Tomas Morais.

Agora como se diz por aqui , o último que feche a porta .

a disse...

A questão, que me parece pertinente, é que o jogo de Rugby de 7 hoje praticado nada tem a ver com o jogo de Rugby de 7 praticado há 15 ou 10 anos atrás. Hoje é um desporto diferente e está cada vez mais distante do rugby de XV. Para mim o rugby de 7 de hoje tem muito pouco de rugby. É um desporto para super atletas que correm com a bola. Muitos que atuam em algumas das seleções emergentes e que estão a apresentar bons resultados são limitados tecnicamente, tacticamente mais ainda e possuem pouca visão do jogo em si. Mas são um potento fisicamente. Portugal tem que pensar se pretende ir por esse caminho, pois se pretende ter bons resultados nos sevens hoje precisa, acima de tudo, de super atletas que deverão ter em primeiro lugar um condicionamento físico de topo. O rugby de XV também exige tal mas outros atributos continuam a ser fundamentais na versão rainha do Rugby. Mas o ponto primeiro que nunca deverá ser esquecido é que o rugby em Portugal só irá evoluir com um campeonato local forte, onde os melhores possam experimentar campeonatos mais competitivos e possas dar o seu contributo à seleção. Quanto aos portugueses que jogam em França (filhos de emigrantes) deverão se sentir acarinhados e como parte do grupo, não como mercadoria para tapar buracos pontuais.

Claudio disse...

Caros amigos,

Provavelmente o rugby em Portugal tem coisas a melhorar. Vocês que estão ai é que sabem.

No entanto os JO são apenas de 4 em 4 anos e estes são os primeiros com rugby de 7 e têm lugar num país lusófono.

Por isso, acho que, na espera de melhorar o que pode ser melhorado em Portugal, temos que tentar tudo como possível para sair de Lisboa com uma chance ainda de aceder aos JO.

Par isso, acho que seria um “crime” fazer da etapa de Exeter uma simples etapa. Não pode ser nada menos que a – última – oportunidade de tentar o que nunca foi tentado.

Não há que ter nenhuma vergonha a mudar tudo no último momento. A França paga uma dezena de jogadores há dois ou três anos atrás entre 4000 e 7000 euros por mês e não teve vergonha de ir buscar três jogadores do Top 14 no último momento para garantir o apuramento para o JO… Resultado, a França está nos JO.

Não sei o que tentar mas temos que ter imaginação. Temos um mês para ir buscar 3 ou 4 jogadores que não estão neste grupo e que são capazes de fazer a diferença. Jogadores et de Portugal, lusodescendentes, não sei, mais temos que copiar os franceses e tentar em Exeter em vista de Lisboa.

De novo pergunto, o que é feito daquelo jovem Miguel Lucas ? Pedro Bettencourt, não vale a pena tentar novamente ? E sem duvida um grande atleta. Hugo Valente ? Definitivamente não ? E os lusodescendentes ? Mesmo que seja para “tapar burracos”. Adrian Timoteo, é impressionante não é ? Não dava jeito ? Wifried Rodrigues do Massy, não daria jeito ?

Espero sinceramente que se tente tudo quanto possível… Depois apenas teremos os “olhos para chorar” como se diz por aqui.

Armenio disse...

Considero que as experiências internacionais são de extrema importância em várias vertentes, sobretudo no desenvolvimento técnico dos atletas colocando-lhes novas situações com as quais não contactam nas provas internas. Para os treinadores e para as Federações são ainda importantes indicadores.
O torneio de Sevens de Madrid não me parece o melhor exemplo, dado que, a sua organização está aparentemente vocacionada para o escalão sénior com a possibilidade de inscrição de 24 equipas no mesmo, contra 12 em cada um dos escalões Sub 16 e Sub 18. Também não creio que o nível técnico esteja à altura das nossas 3-4 primeiras equipas da série principal, dado que, no escalão de Sub 16 nenhuma das participantes fazia parte das 6 primeiras classificadas do campeonato nacional espanhol, tal como no escalão Sub 18. Experiências internacionais “sim”, mas com objetivos que devem ir para além da conquista de taças. Estou convicto que o Sul de França, a Catalunha ou o País Basco (estas duas últimas regiões pela sua proximidade à primeira) proporcionam experiências mais enriquecedoras.
Sugiro para consulta os seguintes links:
http://www.ferugby.es/comp_nacional.php?nombre_categoria=Campeonato%20Espa%F1a%20Sub%2016&titulo=calendario
http://www.ferugby.es/comp_nacional.php?nombre_categoria=Torneo%20Nacional%20SUB%2018&titulo=calendario
Por fim, defendo uma maior proximidade dos responsáveis técnicos federativos aos clubes, marcando presença em treinos e sobretudo em jogos ao longo de toda a época e não apenas nas vésperas dos estágios das seleções. Não tenho qualquer dúvida de que, pelos mais variados motivos alguns talentos permanecem incógnitos.