5 de junho de 2015

DEPOIS DO QUÉNIA, PORTUGAL DERRAPA ATÉ AO 28º LUGAR DO RANKING

Depois da pesada derrota sofrida em Nairobi por 41-15 frente ao Quénia, a equipa de Portugal desceu ao 28º lugar no ranking da World Rugby, ficando numa posição que indica que não será fácil manter a permanência na Divisão 1A do Europeu das Nações, no segundo ano do biénio que se completa em 2016.

Na verdade Portugal é agora - em termos de ranking da WR - a sexta classificada entre as equipas que disputam o Europeu das Nações, já que foi ultrapassada pela Bélgica, que lidera a Divisão 1B, embora ainda se mantenha na frente da Alemanha, que terminou o ano de 2015 na última posição da Divisão 1A.


A Geórgia é a equipa europeia da Divisão 1A com a melhor classificação no ranking (14ª), seguida do trio Roménia (18ª), Rússia (19ª) e Espanha (20ª), e antes de Portugal (28ª) encontramos agora a Bélgica (26ª).

A Alemanha é 30ª classificada, mas todos nos lembramos da dificuldade com que Portugal venceu a última partida frente aos germânicos, a 28 de Fevereiro, por 11-3.

Basta pensarmos um pouco no que se tem passado nos últimos anos, e em especial nos últimos 30 jogos - desde Fevereiro de 2012 - em que vencemos oito, empatámos um e perdemos 21, para não ficarmos admirados com a situação actual.

E dessas nove não derrotas, vencemos quatro vezes e empatámos uma no Europeu das Nações, e vencemos uma equipa africana (Namíbia) e três equipas sul-americanas (Brasil, Chile e Uruguai).

Ou seja, o que espanta não é a 28ª posição de Portugal no ranking mundial, que mais degrau, menos degrau, parece corresponder ao valor real do nosso rugby.
O que espanta é a ilusão em que vivemos, convencidos que somos melhores do que realmente somos, e a manutenção da política federativa que nos está a conduzir cada vez mais para o segundo escalão do rugby europeu.

Na verdade é esta política - ou falta dela - que pode ser apontada como responsável da situação, já que não tem oferecido soluções de médio ou longo prazo, agarrada a uma frenética busca de resultados imediatos, conquistados por um pequeno lote de jogadores que não representam de forma nenhuma o valor do rugby nacional.

Não está em causa o valor dos jogadores que integram aquele pequeno lote, mas sim que esse pequeno lote mereça o forte investimento que está sendo feito nele, e que impede a canalização de verbas para as verdadeiras fontes de desenvolvimento sustentado do nosso rugby.

Quer isto dizer que na nossa opinião se deve deixar de criar condições para que os melhores sejam sempre e ainda melhores?
Não, nada disso.
O que se quer dizer é que apostar em exclusivo no topo da pirâmide, sem criar condições para a expansão do jogo pelo país, sem o apoio aos pequenos clubes, sem cuidar da coisa interna, só pode dar este tipo de resultado - de tempos a tempos conseguem-se resultados inesperados, vitórias sobre equipas reconhecidamente melhores (embora nesses momentos a prosápia nacional levante logo a bandeira do somos os melhores), mas não existe uma melhoria global e um crescimento sensível do rugby nacional.

Estas são questões de ordem geral que apenas pretendem colocar o assunto na devida perspectiva.

Mas aquilo que aconteceu no Quénia não foi apenas fruto daquela política (ou falta dela, repito) mas também de uma sucessão de decisões erradas, que tiveram o seu início na aceitação da realização de um jogo fora de horas, numa região do globo marcada pela violência e os actos terroristas, e que levaram a uma convocatória digna de um jogo sem responsabilidades, com a reunião de um grupo de elementos de valor individual, mas que não constituíram uma equipa.

Sabendo nós que mesmo em condições ideais de treino e preparação a nossa posição relativa no ranking da World Rugby deverá andar entre o 20º e o 24º degrau, então como podemos ficar surpreendidos com o que se passou no jogo de sábado, e nas suas consequências?


1 comentário:

Antonio Freitas disse...

A politica federativa a que se refere começou logo após o mundial de 2007 , uma pseudo profissionalização , achando que o dinheiro fazia tudo , e uma continua busca de resultados a curto prazo como diz sem qualquer direcção conduzida pelo Tomas Morais . Resultado foi clubes e FPR falidos financeiramente e sem recursos humanos(jogadores) em consequência de uma política frenética de resultados a todo custo . Acumulou-se tudo no EN em academias cujos resultados è o que se vê , a selecção nacional afunda-se , esquendo-se que o sucesso da selecção em 2007 foram os clubes e campeonato forte . Esta política desfasada da realidade , num país com poucos recursos financeiros e humanos é irrealista e condenou a um atraso que temo que seja difícil recuperar .

Nota do jogo . muita incompetência da equipa técnica que o demonstrou toda a época ,na preparação , na escolha , na utilização dos jogadores , e quem faz safaris no dia antes do jogo , é quem foi para lá passear e arrisca-se a perder.