29 de fevereiro de 2016

LUSO DESCENDENTES FORA DA SELECÇÃO NACIONAL JOGAM EM FRANÇA *

* Manuel Lopes
Um fim de semana marcado pela triste derrota de Portugal na Alemanha, que fica claramente associada à estranha ausência dos portugueses de França na equipa.

É por aí que vou começar, a propósito da entrevista dada pelo presidente da Federação Portuguesa de Rugby ao jornal Público, na semana passada, pois fiquei completamente surpreendido com certas afirmações.

Segundo o presidente os luso-descendentes manifestaram não estar disponíveis para fazer parte da selecção nacional, no Europeu das Nações.

No entanto posso afirmar sem sombra de dúvida que jogadores como o Aurélien Beco, o Anthony Alves, o Tony Martins, o Cyrille-Andreu, o Thibault de Freitas ou o Christian Spachuck não foram contactados pela FPR, e que alguns deles esperaram intensamente esse contacto e convocação.

Outros houve que foram contactados e se mostraram indisponíveis, e se as entidades federativas me contactarem eu explicarei as suas razões.

Apenas para que conste, os pilares Cedate Gomes Sá do Racing foi titular na Top-14 este ano em quatro vezes e reserva utilizado em cinco, o Anthony Alves foi titular em sete jogos pelo Aurillac da ProD2 e foi reserva utilizado em 11 vezes, o Christian Spachuck do Bourgoin também da ProD2 foi titular em sete jogos e reserva utilizado em seis, e o Francisco Fernandes do Béziers (ProD2) entrou de início em nove jogos e foi reserva utilizado em cinco.
Além do talonador Mike Tadjer Barbosa do Agen, que foi titular na Top-14 em 11 vezes e reserva utilizado em três. 

Depois desta introdução, vamos então ao rugby dos portugueses em França.

Top 14
Pau 3-15 Bordeaux
No Pau, Samuel Marques saltou do banco aos 49 minutos fez uma boa entrada tanto que foi gratificado com uma estrela no Midol! O jovem Geofray Moise não foi convocado.

Clermont 44-16 Oyonnax
Julien Bardy não foi convocado.

Agen 31-27 Là Rochelle
Mais um grande jogo do Mike Tadjer, gratificado com uma estrela no Midol! E dizer que foi convocado para o Portugal-Geórgia sem ter alinhado como titular... Enfim...

Racing 9-13 Castres
No Racing o jovem Gomes Sá não foi convocado.

ProD2
Bayonne 16-15 Colomiers
O capitão Aurélien Beco fez mais uma vez um jogo enorme! Duas estrelas no Midol...

Béziers 25-26 Biarritz
No Béziers Chico Fernandes entrou aos 60 minutos e no BO Jean Sousa está lesionado.

Mont de Marsan 26-15 Bourgoin
No CSBJ Spachuk entrou aos 40 minutos e Fábio da Silva entrou aos 56 minutos

Perpignan 40-14 Carcassonne
No Carca José Lima foi titular.

Lyon 38-3 Aurillac
No Aurillac, Anthony Alves foi titular.

Narbonne 26-24 Montauban
No Narbonne o capitão David Penalva continua lesionado.

FÉDÉRAL 1
Poule 1
Lavaur 43-7 Anglet
No Lavaur, Thibault de Freitas entrou aos 56 minutos.

Poule 2
Rouen 21-20 Limoges
No Limoges Jo Leite foi titular.

Poule 3
Oloron 38-10 Mauléon
No Oloron, Charly-Morais foi titular.

Rodez 19-16 Castanet
No Rodez, Alex Barros não jogou, lesionado.

Poule 4
Aubenas 21-17 Bourg en Bresse
No jogo grande da poule 4 o Aubenas voltou a vencer o grande favorito à ProD2. Ainda só sofreram duas derrotas e foram as duas contra o Aubenas. O Cyrille-Andreu esteve em grande, foi o autor do primeiro ensaio da sua equipa e um dos melhores em campo.

Romans 36-5 Grasse
No Romans, Tony Martins entrou aos 58 minutos. Está quase certa a ida do Tony na próxima época para a ProD2. Tem os contactos muito avançados.

Mâcon 32-29 Strasbourg
No Mâcon, Lionel Campergue foi titular e um dos melhores em campo.


8 comentários:

Claudio disse...

Eu li com atenção a tal entrevista.

Parece evidente que o actual projeto de "quem manda" mete a prioridade na estabilidade de um grupo, que supõe a disponibilidade dos jogadores e que, portanto, afasta de facto os profissionais que, qual seja a sua motivação ou patriotismo, dificilmente podem garantir essa disponibilidade.

Certamente a ideia que com uma tal estabilidade e as rotinas que ela permite se compensa a diferença de nível com equipas mais profissionais, faz sentido. Claro que jogadores habituados a jogar juntos podem complicar o trabalho de adversários mais fortes individualmente.

Uma tal estratégia não espanta num pais onde há poucos movimentos de jogadores entre clubes e onde as "rivalidades" históricas entre esses mesmos clubes são ainda importantes.

Apenas é difícil de aceitar uma tal opção para quem vive em França onde os jogadores passam de um clube parar o outro, onde os XV do top14, dentro de uma mesma equipa, podem mudar de tudo para tudo de uma semana para a outra (vejam por exemplo o Clermont) e onde o que conta são os resultados imediatos e não estratégias a 3, 5 ou 10 anos.

Quem vive em França pode pensar, ao contrário da estratégia atual tal que aparece nessa entrevista, que o que é suscetível de desenvolver rapidamente o Rugby num pais "emergente" de Rugby como é Portugal são vitórias da seleção, seguidas de outras vitórias, com urgência, sejam elas a obra de jogadores pouco disponíveis ou até mesmo de "mercenários" se tal existirem. O peso das imagens na sociedade do século 21, o poder da imprensa e a mentalidade do "imediato" parece necessitar relutados imediatos para sobreviver... Mas posso estar enganado.

Afinal é apenas uma divergência de estratégia. Resultados já VS paciência. O futuro dirá qual das duas estratégias era a melhor....

MT disse...

Na minha opiniao a estrategia e errada, a seleccao nao e sitio para desenvolvimento, para isso estao ca os clubes. a selecao e uma equipa onde sao selecionados os melhores jogadores portugueses, estejam eles na africa do sul ou na nova zelandia. temos de deixar de pensar que o Rugby e um desporto de amigos e comecar a ser um pouco mais profissional.

Antonio Esteves disse...

Se esta estratégia do orgulhosamente sós contra quem faz a vida profissional do rugby é um verdadeiro absurdo , vai tornar o nosso rugby mais pequeno do que ele é e levar ao fundo um trabalho que outros fizeram no passado para colocar a nossa seleção em destaque.

Todas as seleções que defrontamos têm estes problemas e conseguem gerir , nós com esta prepotência de quem entra d novo (direção e idade ) que acha que sabe tudo e mais que toda a gente levará a cometer muitos e muitos erros no futuro .

Chegará o dia que nada haverá para comentar por aqui , nem bem nem mal , o rugby em Portugal caminha a passos largos para social e para os amigos , só assim se percebe algumas convocatórias e escolhas de treinadores .

Duarte disse...

Caro Cláudio,

Acho que se está a referir a uma entrevista mais antiga e não à que o presidente da FPR deu na véspera do jogo contra a Alemanha.

Claudio disse...

Caro Duarte,
Estou mesmo a referir a entrevista da véspera onde se diz que a disponibilidade é a condição para estar na equipa o que de facto afasta os profissionais ou pelos menos maior parte deles.

Francisco Fragateiro disse...

Caros,

"Representar a Selecção Nacional" - pensemos no significado desta expressão. Cantar "A Portuguesa" na face do desafio - pesemos este momento também. Sempre que tive o previlegio de ser escolhido para envergar a camisola com as cores Nacionais, senti-me maior do que o Mundo, mas pequeno na minha humildade perante tal responsabilidade. A de carregar o legado, não só do Rugby Português, mas da Nação. Sentir no arrepio que sobe pela espinha, os antepassados que também o sentiram nos campos de batalha que forjaram Portugal! Enfim... esses não estavam preocupados se os que os ladeavam eram os melhores ou os mais condecorados. Eles sabiam que os que lá estavam, a seu lado, o faziam pela mesmíssima razão. Estavam lá porque acreditavam em algo, algo que era maior e mais importante do que eles e a sua própria vida. Maior do que qualquer adversário, pois era a sua vontade.

Mas também percebo que nem todos partilhem desta visão e que o imediato seja mais imñortante do que tudo o que mos trouxe até edte momento.

Claudio disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Leo Leo disse...

Não compreendo que com todos jogadores de qualidade (J.Bardy, C.Spachuk, M.Tadjer, A.Beco, J.Sousa, Gomes Sá, etc...) que Portugal conta, a FPR não aproveita esses talentos para aumentar a nível do XV.
Os jovens do pais, que são bons mas ainda muitos inexperientes, tem preciso de aprender juntos desses talentos.

O único jogo a não perder... perdemos.
Agora, não dependemos só de nos mas da Alemanha... que tristeza !

Qual a opinião da FPR ?
Presidente, responsável técnico, etc... estamos a vossa escuta. Nós, portugueses e adeptos do raguebi e dos Lobos.