28 de dezembro de 2014

O SISTEMA COMPETITIVO - CONTRIBUIÇÃO PARA MELHORAR 7

Hoje é o dia em que o CDUL disputa em Valladolid o título Ibérico, que, recorde-se, desde que voltou a ser disputado - por intervenção directa do Universitário de Lisboa, perante a inércia das Federações Ibéricas - foi conquistado pelo próprio CDUL em relação à época de 2011/12 (em jogo disputado em Valladolid em 6 de Janeiro de 2013) e pelo Direito em relação à época 2012/13 (em jogo disputado em Monsanto em 28 de Dezembro de 2013).

E nós aproveitamos este dia para fazermos a nossa sugestão em relação à forma como se devem disputar as principais competições nacionais, pois embora seja pública a nossa preferência pela manutenção do sistema de 10 + 10 equipas na Divisão de Honra e na 1ª Divisão, aceitamos também que as nossas melhores equipas queiram mais, estejam dispostas a maiores sacrifícios para jogarem a um nível superior, e não vemos nada contra esse desejo, desde que seja concretizado dentro do respeito de determinados princípios.


10 NA D.H. E OUTRAS 10 NA PRIMEIRONA
Mas vamos por partes.
Como sabem a nossa posição é que o sistema de 10 + 10 se deve manter, mas há alguns aspectos que devem ser alterados, não propriamente nas competições, mas sim nas obrigações a que as equipas nessas duas provas participantes devem respeitar.

Já falámos disso ontem, mas nunca é demais referir alguns dos aspectos fundamentais que devem tornar-se obrigações dos clubes.

Rapidamente e sem pretendermos ser exaustivos referimos alguns desses aspectos:

1- Apresentarem uma equipa B além da equipa principal;
2- Apresentarem equipas nos escalões sub-18 e sub-16 além de manterem escalões de formação (Sub-14 e por aí abaixo);
3- apresentarem plantéis com um número mínimo de 50 jogadores para a equipa principal e para os escalões de formação e 35 jogadores para os restantes;
4- Indicarem, por cada equipa em competição, um candidato a árbitro junto da FPR.

Outros poderão haver, estes são indicados apenas a título de exemplo.

Em resumo apenas considerando os aspectos referidos, cada clube que pretenda participar na Divisão de Honra deve apresentar duas equipas de seniores (uma principal com um plantel de 50 jogadores e uma B com um plantel de 35 jogadores), uma equipa de Sub-18 e outra de Sub-16 com plantéis mínimos de 35 jogadores, e escolas de formação com pelo menos 50 jogadores.

SUPER LIGA
Agora que já temos estabelecidos os mínimos para que os clubes possam reivindicar o direito a participarem da Divisão de Honra - as obrigações para a participação da 1ª Divisão devem apontar já para estas obrigações - podemos falar então daqueles clubes que acham que a Divisão de Honra é pouco e que estão interessados em ter mais competição.

Mas atenção, não vale a pena pensarem em voos mais altos se não forem capazes de cumprir aqueles mínimos!

Mas se forem capazes, e quiserem mais, porque hão-de ser proibidos de o fazer?

Nós achamos que não devem, nem podem ser impedidos de o fazer, e sugerimos mesmo que esses clubes se anunciem e se disponham a competir numa Super Liga que pode - e deve! - envolver as melhores equipas espanholas.

Mas para que isso aconteça, os clubes não podem abandonar a Divisão de Honra, antes sendo obrigatória a constituição de mais uma equipa, com plantel próprio para disputarem aquela Super Liga.

Ou seja: por exemplo o CDUL e o Direito - as melhores equipas nacionais que venceram todos os campeonatos desde 2008/09 - querem jogar a um nível superior?

Então primeiro têm que assegurar a presença de uma equipa na DH, outra na competição das equipas B's, equipas nos sub-18 e sub-16 e nos escalões de formação, e ainda indicarem quatro candidatos a árbitros por época.

Depois, terão que negociar com os espanhóis a realização da tal Super Liga, encontrarem os meios financeiros para a realização da prova e reunirem um plantel próprio para essa competição - e quando se diz um plantel próprio queremos dizer que esses jogadores não deverão disputar a DH, ou, pelo menos a sua maior parte não deve.

Os pormenores duma organização deste género devem ser analisados cuidadosamente e nós não queremos entrar nisso. Apenas deixamos a nossa sugestão.

Claro que existem outras possibilidades, como por exemplo que haja mais equipas portuguesas interessadas em participar e com capacidade para o fazer.

Então talvez seja possível organizar esta Super Liga só com equipas portuguesas, mas não se esqueçam que os princípios se mantém - três equipas seniores (Super Liga, DH e B's) além de tudo o resto em igualdade com as outras participantes na DH.

E pronto, depois de ter chamado a vossa atenção para uma série de situações, de vos ter mostrado números que por vezes passam despercebidos e de ter feito uma série de sugestões, vamos ficar a aguardar o que nos reserva a FPR em termos de alterações ao Regulamento Geral de Competições, que, infelizmente, só depende da vontade da própria Federação.


13 comentários:

duarte disse...

"1- Apresentarem uma equipa B além da equipa principal;
2- Apresentarem equipas nos escalões sub-18 e sub-16 além de manterem escalões de formação (Sub-14 e por aí abaixo);
3- apresentarem plantéis com um número mínimo de 50 jogadores para a equipa principal e para os escalões de formação e 35 jogadores para os restantes;
4- Indicarem, por cada equipa em competição, um candidato a árbitro junto da FPR."

Para a DH, concordo com o que propõe nos pontos 1 e 4.

No ponto 2, concordo com a obrigação dos clubes apresentarem equipas de sub16 e sub18, mas tenho dúvidas quanto aos escalões ainda mais jovens. Estes dependem das associações regionais e poderá haver problemas formais de difícil resolução.

Caso esses problemas não existam, concordo com a obrigação dos clubes apresentarem equipa de sub14. Daí para baixo, não acho que tenha que ser obrigatório

Seria interessante um estudo que mostrasse a percentagem de sub8, sub10 e sub12 que chegam a séniores (10% dos sub8? 15 a 20% dos sub10 e sub12?) E se fosse possível (não é), saber quantos dos que chegam a séniores, chegam, não porque queiram continuar, mas sim porque são obrigados a continuar para poderem entrar na Universidade com médias mais baixas do que o comum dos mortais (refiro-me a essa vergonha do nosso râguebi - Esola de "Valores" - que é o Estatuto da Alta Competição)

Com o ponto 3 não concordo, porque o acho demasiado exigente. Exige um mínimo de 85 jogadores séniores! Acho mais razoáel 35 para a equipa principal e algo como 32, quer para a equipa B, quer para os sub16 e sub18.

duarte disse...

calculo que para a tal Super Liga os clubes teriam que ter mais 40 ou 50 jogadores, ou seja, ou um total de 125 a 135 séniores, ou nada feito.

Esta proposta parece feita de propósito para ser inviável...

Anónimo disse...

Recordam-se aquando do período a seguir ao 25 de Abril houve aquela maluqueira de acabar com a selecção senior. Foi o período em que mais clubes pequenos apareçeram e alguns deles ainda hoje existem.
Por isso, aceitando algumas sugestões do MdM, acredito que depois de tantas e tantas experiências, just sœ lá vai se recomeçarmos tudo de novo. Para isso há que começar por baixo e uma delas é pensar-se mais em dinamizar a segundona do que se pensar em grande, quando KO fundo, somos mesmo muito pequenos. Só que isso leva meia dúzia de anos e a obrigatoriedade dos "chulos" da federação deixarem de se passear pelo mundo e a darem pelas "aldeias" de Portugal. Onde ainda por cima nem bons hotéis há.

Anónimo disse...

Caro MdM

A proposta que apresenta é, na minha opinião, pouco exequível atendendo á realidade portuguesa, mais coisa menos coisa é tão irrealista como o actual modelo defendido pela FPR.

Nós estamos a falar de Rugby um desporto muito pouco praticado em Portugal (apenas o 15º) e está a querer que todas as equipas tenham cerca de 80 jogadores? num desporto amador? O que o senhor pede nem o Futebol se atreve a pedir. Então acha que terras pequenas como Montemor, Arcos de Valdevez ou Lousã, alguma vez terão 80 jogadores a jogar? uma coisa é tê-los inscritos e outra é tê-los a jogar. Vamos ser realistas se nem a FPF exige aos clubes de Futebol que tenham duas equipes seniores, porquê no rugby? e porque é que se o clube quiser jogar uma liga europeia tem que ter uma terceira equipa? então mas os clubes de futebol (quer se goste ou não são expoentes máximos de excelência desportiva a nível mundial) não jogam ligas europeias? e os jogadores não são os mesmos?

Sejamos sensatos se numa época em que a província despovoa, em que até os clubes das grandes cidades sentem na pele os Erasmus e a emigração dos jovens, não se pode exigir tanto.
Se queremos que o rugby na província se desenvolva, então sejamos sensatos, exiga-se formação mas não se exiga duas equipas séniores. Como é que o MdM quer que equipas como as duas Moitas apresentem com duas equipas se, sobretudo no caso da Bairrada, estamos a falar duma aldeia? está o senhor a dizer que ela não deverá ter o direito de estar na Primeira só porque a terra é pequena?

continua....


Gaspacho Y Migas

Manuel Cabral disse...

Creio que o mais importante não é se são 75/80/85 jogadores. O que interessa mais é definir os princípios.
Apenas por curiosidade, recebi hoje mesmo uma informação que na Lousã, entre Núcleo e Rugby Club, estão inscritos 82 jogadores seniores...
Mas repito, o mais importante é definir os princípios. Depois, se são 70/80/85 é uma questão diferente - eventualmente até se pode estabelecer uma escala progressiva...

Anónimo disse...

O MdM tem razão em muitos pontos. Relativamente às escolas estou totalmente de acordo. É uma forma de "obrigar" os clubes, mesmo recebendo tão pouco apoio da Federação fomentar a modalidade. Quanto aos jogadores seniores inscritos não concordo minimamente. Se um clube desejar contratar 23 profissionais, nada o deve impedir de participar na DH. Problema da Direcção e do Patrocinador que deve ser maluquinho de todo. Quem nos dera que aparecessem 10 "maluqinhos de todo" que patrocinassem os 10 clubes da DH e aí teríamos um campeonato com projeção nacional e fomentador da chamada de novos atletas para o rugby. Todos os jovens desejam pertencer às elites desportivas.

Anónimo disse...

Caro MdM não publicou a continuação da minha opinião. Se foi devido a critérios editoriais, as minhas desculpas pela insistência mas tenho medo que tenha sido por este se ter "perdido".


...continuação...



Não sei se as divisões devem ser de 10 + 10 ou de 8 + 8 mas sei que numa época em que muitos clubes vivem com dificuldades, os custos da competição não devem ser desprezados. O problema em Portugal é também este, toda a gente fala que o nível competitivo está a baixar, que as equipas são fracas mas depois ninguém quer pagar entradas e sem dinheiro não se faz a festa. É preciso dinheiro, é preciso os clubes perceberem que quase tão importante como a formação para a evolução, é preciso criar condições para os atletas e para isso é preciso dinheiro pelo que departamentos de marketing são muito importantes e quantos clubes trabalham esta área de forma séria?.
Fala-se muito no desenvolvimento dos modelos competitivos no rugby mas falam deles de uma forma em que as soluções apresentadas são coxas, porque lhes falta sempre a vertente financeira e o rugby só pode evoluir na medida em que esta vertente o deixe. O rugby neste momento não precisa de grandes mudanças desportivas, o que precisa é de dinheiro, porque só ele possibilita outros voos.
Concordo em absoluto com o MdM no que diz respeito á análise e fiscalização dos orçamentos das equipes. Vou até mais longe dizendo que é obrigação da FPR, em vez de competir com os clubes pelo patrocinio, ter um departamento profissional que procure a divulgação e angariação de patrocínios junto das empresas (já imaginaram o que era o alivio para os clubes se todas inscrições fossem gratuitas e as despesas de deslocação pagas?!)

Uma curiosidade o CDUL hoje perdeu com uma equipa que tinha como nome que aparecia na televisão, o nome do seu patrocionador. Tenho a certeza que o VRAC ganhou bom dinheiro pelo naming, o que lhe permite ter uma boa equipe

Em Portugal isto já se tentou mas caiu o "Carmo e a Trindade" mais criticas violentas e obstáculos, inclusive da FPR mas este é o caminho. Em Portugal muitos clubes acham que isto desvirtua o clube e a sua história. Vejam bem a distancia a que estamos, a nível da mentalidade, dos campeonatos mais competitivos e de que queremos copiar os modelos.

Uma outra particularidade existem inclusive clubes em Portugal que entendem que é uma honra para o patrocinador juntar o nome ao do clube, tipo "eu faço o favor de ter o teu nome na minha camisola" e exigem tanto ou de uma forma tão arrogante que o patrocinador prefere ficar de fora. Já repararam que Benfica, Sporting e Belenenses não têm patrocinadores? porque será?

O Rugby em Portugal é o que é, não nos devemos envergonhar, até porque é amador mas também não convém importar modelos de países cuja realidade nada tem que ver com a portuguesa.


Gaspacho y Migas

Duarte disse...

Quando respondi sobre os pontos propostos para a DH, ainda não tinha lido a parte do artigo sobre uma Super Liga, a terceira equipa que disputaria essa Liga, etc.

Depois de se ler essa parte, percebe-se que o artigo não é indicado para servir de base a uma discussão séria.

Manuel Cabral disse...

Gaspacho e Migas
Não recebi a continuação que refere.

Manuel Cabral disse...

Duarte,
Não entendo este teu último comentário.
São fases distintas de evolução - primeiro arrumar a casa, depois aqueles que não ficam satisfeitos com aquilo que têm em casa, organizado pela FPR e que deve servir o conjunto de todas as equipas, porque não podem dar mais um passo em frente???
A verdade é que para competir, por exemplo numa Challenge Cup, as equipas têm obrigatoriamente que ter uma solidez que não pode ser aquela que apresentam hoje...
E como eu digo no texto, embora devam ter um plantel próprio para esse nível, não significa que não pode haver uma certa mobilidade entre plantéis...

Anónimo disse...

Os números exigidos no ponto 3 parecem-me exagerados. Na actual divisão se honra não nenhum clube com 85 jogadores inscritos, entre seniores e sub23. O que mais se aproxima é o Cascais, com 83, logo seguido do Direito com 82. O CDUL tem 77, seguido do Belenenses, com 70. Agronomia e CDUP têm ambas 62 inscritos, enquanto Académica se fica pelos 51. No último grupo, em termos de quantidade, temos CRAV com 40 e, algo surpreendentemente, Técnico com apenas 34, tantos quantos o Montemor.

Anónimo disse...

Um CDUL de trazer por casa.

Para consumo interno o CDUL que vimos em Valladolid chega e sobra, o que só por si atesta o nível em que se encontra o rugby nacional.

De registar que nunca se tinham vistos tantos e tantos erros básicos, o que não costuma acontecer.

Demasiada pressão, medo de errar? Enfim, todas as equipas têm os seus dias maus. Parece ter faltado por ali alguma preparação psicológica para o jogo e resistência mental. Até nos jogadores mais experientes e influentes se notou isso.

E que dizer dos "Queijos"? Uma equipa nova, renovada, a fazer muita mossa nos avançados e a jogar certinho cá atrás, explorando os erros cdulistas. O jeito que dão jogadores estrangeiros...

Anónimo disse...

O Técnico têm 59 no CR Técnico + 34 no AEIS Técnico = 93 atletas

o CRAV tem 40 no CRAV + 26 no CR Garranos = 66 atletas