25 de dezembro de 2014

O SISTEMA COMPETITIVO - CONTRIBUIÇÃO PARA MELHORAR 4

Hoje vamos dividir a nossa contribuição em duas partes, mas continuando a fornecer elementos que permitam avaliar e julgar aquilo que se tem feito ao rugby português nos últimos anos.

Vamos começar por pôr em dia o ranking dos clubes nacionais, que já apresentámos nos anos de 2011/12 e 2012/13, mas que por manifesta falta de tempo ainda não tínhamos feito em relação a 2013/14.

Acontece que o ranking de 2013/14 apresenta algumas variações significativas em relação aos dois anos anteriores, das quais a mais importante é a subida do CDUL ao seu primeiro lugar, destronando o Direito, vencedor das duas listas anteriores.


Note-se que o Universitário de Lisboa foi terceiro em 2011/12, subiu ao segundo lugar em 2012/13 e, finalmente, subiu ao primeiro lugar na época passada.

Lembre que o ranking é elaborado tendo como base o comportamento das equipas dos escalões senior, sub-senior, sub-18 e sub-16, considerando a sua participação no Campeonato Nacional e na Taça de Portugal, o que ajuda a compreender porque alguns clubes são consistentemente melhores do que outros.

Elaborámos uma tabela de classificação que pode não ser perfeita, mas tem a qualidade de ser a mesma nas três épocas que já foram classificadas, permitindo assim comparar o comportamento dos clubes através dos anos.

Aproveitámos para fazer algumas pequenas correcções nas tabelas anteriores - que não afectaram os resultados relativos - e hoje publicamos a tabela de pontos utilizada e as tabelas das três épocas já referidas.






O CRESCIMENTO DO NÚMERO DE EQUIPAS SENIORES
Com o ranking já actualizado vamos agora ver como tem evoluído o rugby português nos últimos 47 anos, em termos do número de equipas seniores em actividade.

Não basta mandar umas bocas, dizer que o rugby está a crescer, e depois isso não ter qualquer correspondência com a realidade.

De que vale ter 5, 10, 20 ou 30 mil miúdos a conhecerem o rugby nas escolas, investir continuamente e há pelo menos 39 anos nos escalões juvenis, se a esse investimento não corresponde um crescimento apreciável dos números do rugby senior?

Apenas a título de exemplo, é fácil notar que não houve crescimento do rugby senior quer no Algarve, quer na região Centro, quer no Porto.

No Algarve chegou a haver duas equipas - o Loulé e o Vilamoura XV - mas hoje estamos limitados a a uma, e na área de influência do Comité Regional do Centro, nos anos 80 havia cinco equipas - Académica, Lousã, CR Coimbra, Agrária e Moitense... - exactamente o mesmo número das que temos hoje, 30 anos depois, se considerarmos a troca do CR Coimbra pelo Rugby da Universidade de Aveiro, já que o Moitense foi substituído pelo RC Bairrada....

E no Porto? Qual foi o crescimento? Nenhum. Havia o CDUP e é o que há...

No Minho, pelo contrário, do CRAV que surgiu em 1981, o número de equipas seniores subiu muito, com o Famalicão, o Braga e o Guimarães.

Esta época houve um claro regresso no número de equipas em actividade aos anos 2009/10 e 2010/11.
O que aconteceu a cinco equipas que desapareceram do mapa? A quebra é superior a 10%.

Em 2013/14 havia seis equipas B's em actividade e outras seis no sub-escalão senior.
Esta época das seis equipas B's apenas restam três que se transferiram para a Div 3 (Segundona) com a criação de novos clubes para se abrigarem por forma a poderem continuar a competir - o CRAV B passou a Garranos, a Lousã B passou a Núcleo de Rugby da Lousã e o Técnico B passou  a Clube de Rugby do Técnico.

Évora B e Loulé B, simplesmente desaparecerem, o mesmo acontecendo com o Sporting B, depois de uma passagem de má memória pela escalão sub-senior.


A conclusão que se pode tirar disto tudo é que é fundamental fazer crescer o número de equipas em competição, sem o que a qualidade do nosso rugby não crescerá, mesmo com todo o investimento que se tem feito ao nível das selecções nacionais.

Quer isto dizer que é necessário deixar de trabalhar com as selecções para se trabalhar nas regiões, nos clubes? Não, o que se quer dizer é que tem que se trabalhar nas regiões, por forma a multiplicar o número de equipas e jogadores seniores, e isso não será conseguido se houver uma redução do número de equipas nas principais divisões nacionais - na Divisão de Honra e na 1ª Divisão.

Mas não se pode ficar por aí.

É necessário desenvolver um quadro competitivo adequado para o nível 3 e para o nível 4 - a Segundona e os Emergentes.

Amanhã voltaremos, com os números oficiais do nosso rugby desde 2005/06, para que você conheça melhor a nossa realidade.

19 comentários:

Anónimo disse...

Manel Cabral tu és mais velho que eu e não te lembras que no Algarve houve o Montenegro e o Portimonense em seniores e mais recentemente a equipa feminina do Vila Real de Santo Antonio. Fala ao Faustino que ele confirma o que agora comento. Bom ano de 2015 para ti.

Anónimo disse...

No Porto existe o Sport Club do Porto que por teimosia do seu director desportivo, sr Nuno Gramaxo apenas quer competir em Sevens limtando o crescimento nessa mesma cidade.

Alem disso nao podemos esquecer a falta de apoios que projectos como a Escola de Rugby do Porto/Associacao Prazer de Jogar tiveram quer pela cidade, quer mesmo pelo clube estabelecido da cidade que perdeu a chance de por os seus jovens sub 21 sem lugar na equipa principal ligados ao rugby ainda que noutro clube...

Ja nem falo do outro projecto do distrito do Porto, o Lousada que apesar de tudo teria muitas limitacoes para se impor ao nivel humano, ja que ao nivel de infrastruturas tinha acesso a um espaco invejavel.

Alias o distrito do Porto tem metropoles que tem quase tudo para terem equipas a surgir, numero de habitantes, infrastruturas desportivas capazes de serem adaptadas, comercio e industrias fortes passiveis de se tornarem sponsors, ou seja um verdadeiro desperdicio, cidades como Gaia, Matosinhos, Valongo, Vila do Conde/Povoa do Varzim, entre outras, tudo metropoles populacionais giagntescas quando comparadas com Arcos, Moita da Anadia, Lousa... E no entanto o Porto, que ate tem tanta gente na estrutura dirigente e tecnica da FPR continua deserto de rugby...

Se calhar nao interessa a um certo clube a concorrencia na busca de recursos de tipo financeiro e nao so....

Miguel de Castro

duarte disse...

Salvo erro, o Montenegro (em Faro) e o Portimonense só tiveram equipas federadas durante uma época. Não sei se nessa época o R. C. Loulé já existia, mas parece-me que não.

Se não me engano, o primeiro clube algarvio a filiar-se na FPR foi o Esperança de Lagos, mas filiou-se e não apresentou equipas.

Em Trás-os-Montes e Alto Douro, há muitos anos que a UTAD se inscrevia em séniores, o que esta época não aconteceu.

No Ribatejo com a inscrição, desde há uns anos, do Tomar, o número de equipas séniores passou de uma para duas.

duarte disse...

Os 12 concelhos onde já existiram equipas séniores masculinas federadas a participarem nos campeonatos nacionais e onde actualmente elas não existem:

Faro, Portimão, Alandroal (era o Juromenha, um clube muito especial), Campo Maior (mas era o pessoal de Elvas), Seixal, Barreiro (mas acho que o RVM vem na sequência dos clubes que existiram no Barreiro), Alcochete, Amadora, Oeiras, Marinha Grande, Viseu, Lousada e Viana do Castelo.

Falta algum?

Anónimo disse...

Uma correção a agrária nos anos 80 não tinha atividade federada.existia era o Tondela?..

Anónimo disse...

Nada melhor do que se fundamentarem as opiniões para nelas se poderem rever a base das mesmas. Trata-se de um trabalho importante embora com pesos especificos subjetivos que podem desvirtuar os resultados. No entanto, independentemente do método escolhido, com um criterio pessoal sempres discutivel, se tal é aceitavel o mesmo não direi em relação a algumas consideraçoes que podem no seu entender justificar o suposto atraso do rugby nacional. Pode -se discutir se o modelo competitivo é ou não o mais adequado, o que não é correto é partir de premissas incorretas particularmente no que diz respeito à evolução quantitativa dos Clubes e dos jogadores, em Portugal. É uma informação publica que todos podemos conhecer e é facil verificar que tem havido nos ultimos anos um aumento sustentado do numero de Clubes e de jogadores na FPR. É indesmentivel.Tal como o numero de competiçoes, nos diferenres escaloes é, hoje sem duvidas muito maior. A qualidade das equipas é quecse deve questionar. Não me parce correto tambem passar a ideia de que a unica preocupação são as Seleções. Há de fato uma diferenca enorme entre a qualidade do jogo das Seleçoes e dos Clubes.Porquê ? Essa é uma questão que deve ser analisada com ponderação. Parece-me, no entanto infiscutivel que o rugby nacional tem que ter nas Seleçoes nacionais o seu grande motor, não apenas pela credibilidade dos seua resultados mas muito especialmente pelas verbas que consegue angariar e sem as quais o rugby nacional não sobreviveria.
Achava interessante que o MdM se propusesse fazer um estudo semelhante ao que agora prepara, com as Seleçoes europeias e veria que teria uma boa surpresa. Portugal é o País que se segue aos das Seis Naçoes e à Georgia. Á frente de Russos, Romenos e todos os restantes.
Pode concluir-se, por isso que o problema é a forma como se trabalha nos Clubes ? Seria muito redutor. No entanto sabemos que há Clubes ditos de topo que não reunem condiçoes estruturais e infraestruturais minimamente adequadas, é uma evidência. Se a esse fator limitante se adicionar o amadorismo de alguns dirigentes e sobretudo a fraca qualidade de grande parte dos treinadores, talvez aí se encontrem as razoes para a qualidade do jogo que hoje as equipas dos Clubes apresentam. Claro que com exceções e essas surgem nos Clubes onde há Dirigentes e ou Presidentes carismáticos, como é o caso do CDUL, do Direito, do Técnico ou do Cascais, na Divião de Honra ou da Lousã, Caldas ou Moita na Primeira Divisão.
A melhoria do rugby passará fatalmente por melhores dirigentes, melhores árbitros que agora com o novo Conselho de Arbitragem irá melhorar muito, e com melhores treinadores que não podem ser propriedade da FPR. Saiam e mostre o seu valors Clube.
Boas Festas

Anónimo disse...

Na Regiao centro ainda há:
Leiria
Naval (Figueira da Foz)
Ensiguarda
Tondela
Viseu

Manuel Cabral disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Manuel Cabral disse...

Anónimo das 23:23
Todos os números apresentados constam de relatórios da FPR. Basta consultar as classificacões homologadas.

Quanto à questão das selecões, obviamente elas não são o objecto destes artigos, pelo que qualquer referência a elas é completamente deslocada.
Aqui fala-se do rugby nacional e dos clubes.

Anónimo disse...

No concelho de Elvas existiu a Associação Académica de Santa Luzia, que andou vários anos na 2ª Divisão. Outro clube que teve excelentes equipas de juvenis e juniores nos anos 80 e 90 foi o Rugby Clube de Elvas.

Outra equipa, nos tempos em que se jogava rugby de 9 foi o Clube elvense de Natação.

Em seniores, os jogadores transferiram-se depois para o Sporting Clube Campomaiorense, tendo a equipa permanecido algumas épocas na principal divisão (a 1ª Divisão nessa época).

A nível nacional, é verdade que no Algarve existiu o Montenegro em na zona centro recordo um clube que era o Vieira de Leiria, tal como em Lisboa existiram os Aranhas e Económicas.

Enfim, outros tempos...

duarte disse...

Sim, durante uma época o Tondela participou com uma equipa de séniores masculinos num campeonato nacional.

E em Beja também houve uma equipa federada de séniores durante uma época a participar num campeonato nacionalde XV.

Na listagem, é claro que também falta Vila Real (UTAD).

E falta Loures (Sacavenense), não sei se apenas durante uma época.

Assim, o número de concelhos onde já houve râguebi federado nesse escalão masculino na variante de XV e actualmente não existe será então de 16.

No entanto, em muitos desses concelhos só houve equipa nessas condições durante uma época (Faro, Portimão, Beja, Seixal, Alcochete, Tondela, Viseu e Viana do Castelo).

Mas em Campo Maior e no Barreiro houve "deslocalizações" (com ou sem interregnos) e não o findar das equipas em actividade, e Juromenha (concelho do Alandroal) teve uma equipa nessas condições por razões muitíssimo especiais.

Se excluirmos esses 3 casos, vemos que apenas 3 ou 4 concelhos, onde hoje não há equipas de séniores masculinos, XV, a participar nos campeonatos nacionais tiveram equipas nessas condições por mais do que uma época (Amadora, Oeiras, Marinha Grande e, talvez, Loures).

Espera-se o regresso do Oeiras e os do Marinhense hão-de voltar, sediados na Marinha Grande (a aventura do râguebi na Marinha Grande cpmeçou muito antes dos Javalis) ou num concelho vizinho.

É pena que há muitos anos não haja râguebi sénior na Marinha Grande e em Loures.

duarte disse...

Em Lisboa chegaram a coexistir pelo menos 10 equipas.

Além das 6 "tradicionais" e do reaparecido S. Miguel, havia ainda Aranhas, Cangurus e Económicas.

Durante poucos ambos, Medecina de Lisboa também teve uma (boa) equipa federada pelo que talvez tenham chegado a coexistir 11 equipas só no concelho de Lisboa.

Ia somar o CNOCA, mas esta equipa jogava - e distribuia pancada ;) - no Alfeite, concelho de Almada.

duarte disse...

* É pena que não haja há muitos anos râguebi sénior na AMADORA e em Loures.

Nota: Vieira de Leiria fica no concelho da Marinha Grande.

Anónimo disse...

Faltou referir, em Lisboa, os Cangurus e o Estrela da Amadora.

Anónimo disse...

Alguem me pode esclarecer se a SCRUM (Rugby da Universidade do Minho) competiu oficialmente em competicoes da FPR no final dos anos 90 inicio dos anos 2000... E em que cidade estava sediado Braga ou Guimnaraes... Sei que varios dos jogadores ligados a este clube jogaram depois no CRAV, GRUFC e Braga Rugby.

MC

Anónimo disse...

Como se caham o clube onde o Joao Correia comecou a jogar e os manos Mateus?

duarte disse...

João Correia - Pescadores da Costa da Caparica.

Irmãos Mateus - TLP.

duarte disse...

"Alguem me pode esclarecer se a SCRUM (Rugby da Universidade do Minho) competiu oficialmente em competicoes da FPR no final dos anos 90 inicio dos anos 2000"

Pelo menios em séniores masculinos, variante de XV, não.

duarte disse...

Alguns clubes ainda não mencionados que tiveram equipas a competir nos campeonatos nacionais de XV, séniores masculinos:

Reg. Ag. Évora, CDUE, Lusitano (ou era o Juventude?), todos em Évora;

Scalipus e C. Rugby do Sado, os dois em Setúbal;

Monte da Caparica e U.R. Almada, os dois em Almada;

Amora, no concelho do Seixal;

Cuf/Quimigal/Fabril e C.R. Barreiro, no Barreiro;

Samouquense, no concelho e Alcochete;

Reg. Ag. Santarém;

U. Lusófona de Lisboa;

Carcavelos e Rugby da Linha, no concelho de Cascais;

Académica da Amadora;

Kellerman/Ubuntu, no concho de Sintra;

União de Coimbra;

F. C. Porto, Medicina do Porto, ISEP/REI, U. Lusófona (?) do Porto.