24 de julho de 2015

O QUE VALEM AS PROMESSAS ELEITORAIS DE AMADO DA SILVA

Amado da Silva foi eleito para a Presidência da FPR depois de um processo eleitoral em que fez muitas promessas, garantiu aos clubes, em especial aos pequenos, que iria dar andamento aos seus desejos e ambições, e tendo que recorrer a uma segunda volta onde capitalizou o desagrado de um delegado votante na lista de Dídio de Aguiar, que permitiu mudar um empate numa vitória pela diferença de dois votos.

Recorde-se que a eleição de 2010 aconteceu a meio da época desportiva, a meio da disputa dos jogos de apuramento para o Mundial de 2011, e numa altura em que tudo indicava que Portugal iria conseguir a sua segunda qualificação seguida, sem que houvesse nenhuma disposição que obrigasse à realização de eleições naquela altura, e sendo mesmo aconselhável que elas se viessem a realizar apenas depois de concluídos os jogos do apuramento para o Mundial.

Mas Amado da Silva queria capitalizar as honras do sucesso na qualificação e conseguiu mobilizar os desconfortos que existiam contra a forma desligada da realidade com que a equipa de Aguiar geria os destinos do nosso rugby, e as eleições realizaram-se mesmo em Janeiro de 2010, na véspera da campanha internacional da nossa selecção desse ano.

Os resultados são conhecidos, Portugal não conseguiu a qualificação, mas claro que Amado da Silva nunca assumiu aquelas derrotas como sendo suas, mas sim como se elas fossem resultado da herança recebida da direcção anterior.

Seja como for Amado da Silva conseguiu neutralizar as, pequenas, oposições que se levantavam e concorreu às eleições de 2011 a solo, sem oposição.

Nessa altura, já sem heranças que servissem de desculpa à sua intervenção, Amado da Silva fez - no campo desportivo - algumas promessas, chegando mesmo a dizer que se não conseguisse o apuramento para o Mundial de 2015, se demitiria.

Hoje, olhando para a relação entre o prometido e o conseguido, é com um sorriso nos lábios que nos questionamos porque Amado da Silva ainda não se demitiu, e porque continua a agir como se fosse o dono da Federação, mesmo a escassos dois meses da realização de eleições que - esperamos! - acabará com o seu consulado.

PROMETIDO / CONSEGUIDO, NA ÁREA DESPORTIVA UM SALDO MISERÁVEL



1. "As equipas técnicas das Selecções Nacionais estão escolhidas e, em princípio, permanecerão até ao fim de 2015, embora, obviamente, essa decisão caiba à futura Direcção."
Foi esta a declaração de Amado da Silva quando apresentou a sua candidatura, e dado que foi ele próprio que venceu a eleição, não se esperava que a equipa técnica comandada por Errol Brain fosse desfeita logo em Março de 2013, com o despedimento via comunicação social do treinador neozelandês, substituído pelo seu adjunto Frederico de Sousa, que também não ocupou o lugar por muito tempo.

 2. "Em termos de rugby de quinze, e dos seniores, a meta situa-se na classificação entre os três primeiros no Torneio Europeu das Nações, na manutenção entre os vinte primeiros no ranking mundial e na presença na IRB Nations Cup ou competição similar. O apuramento para o Mundial de Inglaterra é o maior objectivo. Não poderemos voltar a falhar."
Seria uma doce ilusão, ou simplesmente uma demonstração de demagogia eleitoral? A verdade é que Portugal apenas participou da Nations Cup em 2012, sendo depois liminarmente afastado.
O melhor que se conseguiu em termos de ranking mundial foi a 22ª posição em 2013, e neste momento (23 de Julho de 2015) ocupamos um inédito 29º lugar, a pior classificação de sempre de Portugal, desde que a World Rugby (antes IRB) organiza o ranking mundial.
E em termos de Torneio Europeu das Nações (Campeonato da Europa, nunca conseguimos ficar entre os três primeiros, e com a excepção de 2013, em que conseguimos um 4º lugar, não conseguimos passar da 5ª posição.
Recorde-se que Amado da Silva herdou uma selecção nacional que estava em 3º lugar no Europeu das Nações e mantinha intacta a possibilidade de um segundo apuramento para o Mundial de Rugby, e que ocupava a 21ª posição do ranking mundial (31/Dez/2009).
Ah, é verdade, o treinador da equipa nessa altura era o Professor Tomaz Morais...
Finalmente, como corolário das suas promessas Amado da Silva definiu claramente o objectivo da qualificação para o Mundial 2015, e como todos sabemos, Amado da Silva comandava a FPR quando perdemos a qualificação de 2011, e repetiu o falhanço para 2015.
Mas, claro, a culpa foi dos outros...

3. "Relativamente aos sevens ... Portugal só pode ter como objectivo a qualificação para o Campeonato do Mundo, situar-se até ao 12º lugar do ranking mundial e participar nas Olimpíadas do Rio de Janeiro."
Com a honrosa excepção da qualificação para o mundial de sevens de Moscovo em 2013, nenhum dos outros objectivos foi alcançado, não tendo conseguido melhor que a 14ª posição em 2013 e 2014, para voltar ao 15º posto que ocupara em 2012, no corrente ano.
Note-se que Portugal se qualificara anteriormente para o Mundial de sevens em 1997, 2001, 2005 e 2009.
E quanto ao argumento que Amado da Silva costuma utilizar, que nunca antes dele Portugal fora equipa residente do Circuito Mundial, convém esclarecer que o Circuito Mundial, com equipas residentes, apenas foi introduzido em 2011...

4. Quanto ao rugby feminino "é possível a qualificação para os Jogos Olímpicos, tendo ainda como objectivo alcançar o 4º lugar no ranking da FIRA/AER (hoje World Rugby).
Graças a um extraordinário comportamento no torneio europeu de repescagem que se realizou no Jamor no passado fim de semana, a nossa selecção nacional de sevens feminina mantém em aberto a possibilidade de apuramento para os Jogos Olímpicos, mas no que diz respeito ao seu posicionamento no ranking europeu, nunca foi possível melhor que a 6ª posição no ano passado, a 8ª nos dois anos anteriores, e a 10ª posição no Grand Prix deste ano.

Assim, das 11 promessas eleitorais, uma ainda pode acontecer (apuramento Olímpico da selecção feminina), outra aconteceu mesmo (apuramento para o mundial de sevens de 2013), mas as restantes nove não passaram de meras demonstrações de completa irresponsabilidade, de um indivíduo que ou não sabe nem mede as coisas que diz, ou então não é sério e utiliza aquelas afirmações para enganar os que acreditam que na presidência da FPR está com certeza um Homem que fala verdade.

O que já sabemos que não é verdade e sabemos também que as suas promessas eleitorais valem... nada!

1 comentário:

Antonio Freitas disse...

Concordo e só peca por não dizer mais .
Mas falando de Amado da Silva e das propostas irrealistas que foram feitas e deixar de fora o timoneiro da desgraças fica mal - o professor Tomaz Morais. Como se diz na gíria todos os elementos estavam conjugados num só e com estes dois ao comando só podia dar nisto - oportunismo puro e duro de ambas as partes - juntaram à esquina ,não para tocar a concertina mas para fazer um plano irrealista sem dar condições a nenhum dos treinadores para o fazerem (da lista de nomes pode acrescentar muitos mais de trás - Daniel Hourcade , Joaquim Ferreira , Ricardo Sequeira , Luís Claro , Murray H, Errol Brain , Frederico Sousa ) - todos eles não prestaram para os serviços da Seleção Nacional

Estamos a rever mais do mesmo um atribuir de culpas mútuo sem se responsabilizarem mutuamente pelo desastre , pela instabilidade provocada ao longo dos anos que a juntar a uma realidade virtual do rugby nacional assente que o dinheiro paga tudo levou ao que levou , Bruno Nifo na entrevista aqui dada expressa isso mesmo . Aliás quem começou a marcar uma política de desvio de jogadores de clubes a troco de dinheiro foi o professor Tomas nas suas equipas de Direito com os outros a irem a reboque - acabou o amor ao clube .

O pós 2007 foi aproveitado por muitos em proveito próprio os quais deixaram uma marca que será difícil de apagar nos próximos anos , com uma política desastrosa que ao contrário do que se diz conduzi-nos ao fracasso , mais ao menos à Socrates , gastar , comprar fora , tudo assente em dinheiro que dificilmente se poderia manter e divida acumulada , agora como o pais estamos em austeridade de jogadores , de clubes , de competitividade nacional , de valores e sobretudo em resultados .