11 de julho de 2015

EXCLUÍDO DA CUP, A PORTUGAL RESTA TREINAR PARA A REPESCAGEM

Que para a selecção nacional de sevens o torneio de Exeter, terceira etapa do Grand Prix Series não tinha importância competitiva - Portugal não tinha realmente como ficar entre as duas primeiras na tabela final, nem corria o risco de ficar na última posição e ser despromovido - já se sabia, mas, depois de quase um mês de preparação, sem competições de XV, sem outras selecções ou compromissos, esperava-se ver uma equipa em fase final de preparação para a Repescagem Europeia para os Jogos Olímpicos, que se realiza no próximo final de semana, em Lisboa.


Mas infelizmente não conseguimos ver nada que nos indique que a nossa equipa nacional tem ambição ou qualidade para lutar por qualquer lugar de destaque nos sevens mundiais, seja no Campeonato da Europa, no acesso aos Jogos Olímpicos, ou no próximo Circuito Mundial onde ainda mantém uma posição como equipa residente.

Nada disso se viu neste sábado, continuando a ser um desgosto ver a nossa equipa ter um comportamento medíocre, sem capacidade individual ou colectiva, sem chama, sem coração.

E embora esta observação possa doer aos nossos jogadores - dos quais um me abordou particularmente numa rede social, após o torneio de Lyon, com palavras que demonstram a incapacidade de parte dos directamente envolvidos terem a modéstia de reconhecer  a fraca qualidade das suas exibições, e chegando mesmo a fazer pueris insinuações de ameaça do género "diga-me na cara. Isso sim é de homem" - a verdade é que não podemos deitar todas as culpas ao trabalho omisso da Federação desde Outubro de 2009 até hoje, na preparação de gerações que pudessem garantir a continuidade de uma posição invejável que os nossos sevens já conheceram no concerto da variante por esse mundo fora.

Essa culpa existe, e o Mão de Mestre tem sempre estado na primeira linha da denúncia do que não foi feito, mas também não podemos tapar com essa culpa, a culpa dos que falham os pontapés de recomeço, dos que falham as placagens, dos que fazem toques para diante ou faltas nos rucks, que dão pontapés para libertar o contra ataque do adversário, que não conquistam bolas nos alinhamentos, que perdem bola na saída de formações de nossa introdução, etc, etc, etc - e só estamos a falar de parte do que vimos acontecer hoje.

Essa culpa não desculpa que a equipa não apresente uma estratégia, que não saiba defender em conjunto, que não tenha desenvolvido uma só jogada colectiva de ataque, e que viva apenas de momentos - alguns brilhantes - de jogadores que tinham obrigação de conseguir, como equipa, fazer muito melhor.

Estamos a uma semana da Repescagem de Lisboa, há que dar oportunidade a novos jogadores, é certo, mas onde estão as dezenas de novos jogadores lançados nos últimos anos?
De 2011 para cá foram testados 44 novos jogadores, então tenho uma certa dificuldade em entender a dificuldade na formação da equipa - a menos que parte importante dessas experiências se fiquem a dever a compromissos extra-desportivos de quem manda no rugby nacional, o que me custa a acreditar.

Dos jogadores que chegaram à selecção em 2011, dum total de oito, apenas dois participaram este ano, dos seis que chegaram em 2012, dois ainda se mantém, em 2013 chegaram sete e ficaram quatro, e em 2014 chegaram 16 (!) e ficaram três.
Vamos ver dos sete que se iniciaram esta época, quantos voltarão a ser opção no futuro.

Dos 37 que se iniciaram antes desta época, e que não foram opção em 2014-2015 - por lesão, motivos profissionais, escolares, de saúde, por ausência ou simplesmente por opção técnica - destacam-se 11: Francisco Vieira de Almeida (24 participações em torneios), Luis Sousa (18), Miguel Lucas (17), Martim Bettencourt (12), Tomás Noronha (8), António Marques (7), Eduardo Salgado (7), Manuel Raposo (6), Bernardo Batista (5), Manuel Murteira (5) e Afonso Rodrigues (5).

Será que estes 11 jogadores foram devidamente acompanhados nos seus problemas ou dificuldades, nas suas opções? Ou foram simplesmente varridos para canto?

Além destes, outros 15, com um número de participações que varia entre quatro e apenas uma, não foram incluídos nas equipas deste ano, totalizando 26 em 37 - um desperdício difícil de compreender.

E de todos os 37, estiveram na nossa selecção nesta época Carl Murray (20 participações antes desta época mais 7 nesta época), João Lino (16+10), Nuno Sousa Guedes (15+11), Pedro Bettencourt (12+2), Vasco Fragoso Mendes (12+4), Bernardo Seara Cardoso (7+11), José Vareta (7+10), José Lima (4+4), Tomás Appleton (3+1), Miguel Macedo (2+1) e João Belo (1+7).
Ou seja, de todos os 37 apenas 11 participaram esta época, e destes apenas João Lino, Bernardo Seara Cardoso e João Belo estão em Exeter.

Suspeitamos que não existe nenhuma equipa no mundo que possa resistir a tanta variação, nem nenhuma outra selecção que trabalhe seriamente, que faça tanta experiência para tão poucos frutos.

Então, resta-nos aguardar o próximo final de semana na esperança que aí se consiga o almejado lugar na Final Olympic Qualification, para que se mantenha acesa por mais um ano, a chama da nossa esperança.

Entretanto fiquem com o quadro dos resultados de hoje e os primeiros jogos de amnhã.


1 comentário:

Antonio Freitas disse...

É gritante a falta de qualidade da equipa , não sabe defender e não sabe atacar e a somar não existe qualquer "chama " como diz o que revela distância entre a equipa e treinadores . A falta de estratégia é gritante como se garante que novos jogadores entrem e tenham sucesso ? muito difícil ! quando entram Diogo Mateus ,David ,Pedro Leal , Diogo Miranda somando a entrada quando estes se mostram disponíveis do Gonçalo Foro e Duarte Moreira , e depois entram o Pedro Ávila e José Lima somando outros pára-quedistas como o Joe Gardner e tudo para quê ?? os novos jogam minutos e são despachados em função da disponibilidade de outros , como é que se monta uma equipa com tanta mudança e alteração sem sentido . Não existe nenhuma segunda equipa como aqui já foi referenciado o que leva a estragar jovens que são usados e já têm o futuro condicionado , entram a perder .

O Tomas Morais e o Pedro Neto à muito que deixam muito a desejar , ter-se batido nestas teclas gastas foi um grande erro , treinam como faziam à 10 anos em nada evoluíram , os outros sim , depois de um ano mau ter-se mantido o Pedro Neto e juntar o Tomas Morais foi como juntar a fome com a vontade de comer .

Resta Lisboa que por si só trará motivação aos jogadores e poderemos juntar todos em volta de um objectivo que neste momento parece difícil mas muito acessível , ficar nos 3 primeiros e porque não ganhar - Num último folgo e na união entre jogadores certamente que vão dar a volta por cima -
FORÇA RAPAZES