2 de janeiro de 2014

O MUNDIAL 2015 DEVIA COMEÇAR COM UM JOGO MAIS INTERESSANTE *

* Paul Tait
A vitória da Argentina contra a França por 17-12 na abertura da Rugby World Cup 2007 em França foi o melhor que poderia ter acontecido, para início do torneio. 
Quando a programação foi feita os únicos participantes confirmados eram os oito países que se classificaram para os quartos de final na Austrália de 2003 (Austrália, Inglaterra, França, Irlanda, Nova Zelândia, Escócia, África do Sul e País de Gales).
A França constituiu um grupo com a Irlanda, Américas 1, Europa 3 e África 1. Isto significou que os organizadores tiveram a opção de abrir o Campeonato do Mundo com o França-Irlanda ou França-Argentina.


Das duas possibilidades, a melhor opção era claramente a Argentina.
O nome do torneio sugere que é do mundo, e assim seria complicado justificar ter um jogo entre a França e Irlanda para abrir o torneio, porque faltaria a validação geográfica que é necessária para dar uma impressão geral da universalidade da competição
A decisão também permitiu que o jogo França-Irlanda pudesse ser jogado duas semanas mais tarde, garantindo o seu interesse do ponto de vista de marketing.

O mundial de 2011 na Nova Zelândia não teve tanta sorte. 
Os All Blacks jogaram no grupo A junto com a França, Tonga, Américas 1 e Ásia 1. 
A opção de abrir o torneio contra os franceses deixou os organizadores sem um jogo de perfil económico elevado para os All Blacks jogarem na terceira semana do torneio.
A solução seria abrir contra Tonga ou um dos dois outros qualificados – Canadá e Japão. 

O Campeonato do Mundo de 2015 teve um sorteio muito grosseiro. 
Poderia ter sido pior se a Nova Zelândia ou a África do Sul tivessem tomado o lugar da Austrália. 
Os organizadores não elaboraram a agenda com o objetivo de começar o torneio com um jogo de abertura excepcional mas sim com um que a Inglaterra não pode perder. 
Em vez de escolherem o Inglaterra-Austrália ou País de Gales, escolheram Oceânia 1 (certamente Fiji). 
A decisão vai além da razão.

Mais crucial para interpretar esta decisão é aceitar que o Nova Zelândia-França naõ tenha sido a abertura do mundial de 2011. 
Em vez disso, os organizadores sempre escolheriam os All Blacks contra o terceiro lugar. 
Se os grupos tivessem sido mais favoráveis em termos de comercialização do torneio, o adversário poderia ter sido a Escócia ou a Itália.

A verdade é que Tonga nunca teria vencido o jogo, da mesma forma que Fiji não vai derrotar a Inglaterra em 2015. 
A sua escolha tem ramificações para o resto dos jogos do grupo. 
Os organizadores claramente querem que a equipa da casa vença o primeiro jogo. 
Isso significa que, depois de jogar contra o País de Gales e Austrália, o quarto jogo, contra o vencedor do Play-Off, será o mais acessível. 
Poderá ser contra a Rússia ou o Uruguai, e vai ser o único da Inglaterra fora de Londres.

Os organizadores deveriam ter dividido os jogos de forma diferente – abrindo contra a Austrália e enfrentando o País de Gales no quatro jogo. 
Dessa forma, a Rosa jogaria contra o Dragão fora de Twickenham. 

Em vez disso, todos os olhos estarão noutros jogos na primeira semana. 
Por exemplo França-Itália ou Argentina-Nova Zelândia. 
Mais um jogo interessante é Samoa-Américas 2 que certamente será mais competitivo do que a Inglaterra-Oceania 1.

Foto: www.theprisma.co.uk

8 comentários:

Anónimo disse...

Entao a inglaterra organizadora ia se sujeitar a jogar um jogo decisivo contra gales sem ser no seu estadio? isso nao fazia sentido nenhum. estando em casa tanto lhes faz contra quem joga o jogo de abertura, certamente que vai estar cheio

Miguel de Castro disse...

E ja a segunda vez que este comentarista, que nos jogos do ano ate me fez rir de tao ridiculos que eram, deixa Portugal de fora... Penso que a Russia tera ligeira vantagem sobre nos, mas ainda nao esta classificada...
E parece-me que os Teros, seja Portugal o apurado, ou seja a Russia, tem clara desvantagem sobre os europeus...

Paul Tait disse...

Prezado Anónimo,

Nenhum país pode organizar um mundial sem ter sua seleção jogar em sedes diferentes. O que está acontecendo está muito grave e mostra porque Cardiff terá tantos jogos no mundial. A Inglaterra não jogará fora de Twickenham antes do mundial e não organizou um partido fora deste 1998.

Inglaterra x País de Gales acontece, no minimo, uma vez por ano. Para ajudar o esporte crescer no norte do país é fundamental ter a selecção jogar lá.

Prezado Miguel,

Portugal está fora de top 3 no ENC assim é complicado avançar. Uruguai está definido já. Os Teros vão enfrentar os EUA em março com o vencedor classificando pelo mundial e o outro entrando repeschagem.

Atualmente Portugal está em quatro lugar com 7 pontos e Russia tem 14.

Claudio disse...

Caro Paul, não se pode discutir a realidade dos pontos tal como existem na altura. No entanto não me parece poder-se considerar Portugal de fora a meio caminho do torneio com só - estou serio quando escrevo "só" - 7 pontos de diferença com o terceiro do momento.
Cumprimentos.

Miguel de Castro disse...

Caro PaUL, estar a frente nao e estar apurado e nos seus textos, nao so neste, da a entender como dado consumado o apuramento de Russia no terceiro lugar. Ora os Russos de certeza que aspiram a melhor, e ao mesmo tempo para alem de nao estarem apurados ainda nao se viram livres de perder o actual lugar para Portugal.
Portanto, se quer ser credivel e respeitado pela comunidade rugbistica, deve comecar a fazer os seus textos pensando nas possibilidades e nao com certezas de apuramentos e outras...

Ah e ja agora, fazer uma lista dos elhores jogos e deixar de fora o terceiro Test Match dos Lions.... Gostos!!!

Paul Tait disse...

Claudio,

Gostei da sua opinião e concordo que Portugal tem chances. Na verdade Espanha tem também. Portugal tem que enfrentar Romenia e Portugal fora da casa. Russia, na outra mão, enfrentará Belgica e Espanha fora da casa.

Nada está definido mas, por enquanto, é vantagem para Russia.

Miguel,

Obrigado para seu feedback. Concordo com voce que Portugal tem a qualidade e capacidade de subir. Russia, na verdade, não jogou bem deste o mundial. Não estou sugerindo que a tabela já está definido.

Sobre o Top 10. O Lions venceram o terceiro jogo por 41-16. O primeiro tempo foi bem disputado mas o segundo não muito. Por isso que deixei fora. Havia jogos bem disputados em 2013 que não foram bons. Por exemplo Canadá x EUA e Austrália X Argentina. Em ambos casos o vencedor ganhou por poucos pontos mas a qualidade de rugby não foi alto.

EnGdoPau disse...

Percebo o sentido que é dado quando é dito que a Russia ou o Uruguai deverão ser as equipas a jogar no playoff. A probabilidade do momento é essa. Contudo, se Portugal jogar o ENC com o pack avançado "francês" mais o Samuel Marques a 9 e o Cabral a 10 (se recuperar da lesão a tempo)tem uma palavra a dizer no apuramento, assim como a Espanha. Aqui o problema é saber com que jogadores a Roménia e a Georgia vão jogar contra estes países, até porque a partir de determinada altura o apuramento estará garantido e não irão convocar, certamente, os titulares. O calendário da Rússia não é o mais favorável, porque terá de ir a Espanha com os franceses deles na convocatória e receber Portugal, quando me parece que somos mais fortes a jogar fora de casa. A Bélgica irá servir como joker. Acho que ainda nada estará decidido. Para mim o que é quase certo é que o Uruguai, quer jogue o playoff com a Rússia, Portugal ou mesmo a Espanha, a duas mãos, não terá grande hipótese de se qualificar.

Anónimo disse...

Cuidado com o Uruguai, não percebo a razão pela qual está a ser desconsiderado. Muita atenção! A Rússia já percebo porque efectivamente joga muito pouco!