19 de janeiro de 2012

FILIPA JALES - UMA DEUSA NOS CAMPOS

FILIPA JALES É HOJE UMA REFERÊNCIA DO RUGBY PORTUGUÊS, e um exemplo para todas as jovens que pretendem ter uma intervenção dentro e fora de campo, quebrando os tabus que, ainda, envolvem a participação do sexo fraco num desporto ainda hoje conectado com um certo marialvismo e de ambiente reservado a homens de barba rija...

A verdade é que esta imagem machista é cada vez mais posta em causa, quer pela assunção pública de homosexualismo por parte de grandes vedetas da modalidade, ou árbitros de renome mundial, mas sobretudo, pela crescente qualidade e número de equipas femininas e jogadores que, a par de óbvias capacidades atléticas, vem embelezando os campos de todo o mundo com o perfume da sua feminilidade.



Portugal não tem sido diferente, apenas um pouco mais lento na afirmação destes particulares, e Filipa Jales tem desempenhado papel de relevo na quebra daqueles tabus e preconceitos, desde que, depois de deixar de jogar, optou pela arbitragem como forma de ficar ligada à modalidade e ajudar ao seu crescimento.

Assim, desde que em 2008 Filipa começou a dirigir encontros dos escalões de formação, teve um percurso igual aos dos seus colegas masculinos, passando logo na época seguinte a dirigir jogos dos escalões de sub-16, sub-18 e seniores femininos, tendo como ponto alto dessa época desportiva a direção da final da Taça de Portugal do escalão de sub-16.

A sua entrada nos campeonatos nacionais de seniores aconteceu em 2010-11, com a responsabilidade de dirigir jogos da 2ª Divisão nacional de seniores masculinos, e da Taça Federação, mas desde 2009-10 que Filipa Jales tinha já conquistado as suas asas internacionais, com a sua participação no Mundial Universitário de 7's, e logo na época seguinte, com uma brilhante presença no Amsterdam 7's, de que aqui demos notícia detalhada, pela sua própria pena.

Hoje, o Mão de Mestre resolveu voltar ao convívio com a Filipa, e colocou-lhe algumas questões, para que você a fique a conhecer um pouco melhor.

A entrevista aqui está:

Em que momento decidiu ser árbitra?
No momento em que decidi parar de jogar, mas não me estava a ver de todo longe do rugby....Arrisquei sem qualquer compromisso e correu bem!

Como se sentiu antes e depois do primeiro jogo que apitou?
Antes do meu primeiro jogo estava cheia de dúvidas, nervos e ansiedade.
Para todos era apenas mais um jogo, para mim era uma prova de fogo....uma prova se seria ou não capaz de o fazer.
Mas ainda hoje, passados quatro anos desde esse dia, continuo a sentir-me sempre nervosa e ansiosa pelo início do jogo, sinto que este nervosismo me faz bem, me concentra.
Depois do primeiro jogo estava felicíssima, afinal tinha conseguido acabar o jogo, e tinham-me tirado 20 quilos de cima!

Quanto tempo levou para arbitrar jogos da Divisão de Honra/1ª Divisão?
Eu nunca arbitrei Divisão de Honra, mas fui por várias vezes Árbitro Auxiliar logo na minha primeira época, o que faz parte de um processo de aprendizagem dos árbitros novos, pois estamos a ver de perto os árbitros mais experientes.
Em relação à 1ª Divisão, na época passada não arbitrei campeonato nacional, mas sim Taça Federação entre equipas da 1ª Divisão.

Como são os treinos de arbitragem agora que é uma árbitra nacional?
Em termos de treino físico não mudou muito do tempo em que era jogadora.
Em termos técnicos, além de participar nas várias reuniões, estágios e sessões de formação promovidos pela FPR, existe sempre uma preocupação diferente na análise dos jogos visionados.
Eu gravo muitos jogos e depois tento analisá-los como árbitro e não como adepta de rugby.

Você se diverte enquanto apita?
Muito, eu gosto muito de arbitrar!
Há sempre bons e maus momentos, mas no geral divirto-me imenso!

Você já sofreu preconceito por ser uma mulher no Rugby?
Ao contrário do que estava à espera não sinto, de modo geral, qualquer tipo de preconceito por ser mulher, falemos nós de jogadores, treinadores ou dirigentes, mas como não consigo alterar alguns pensamentos presentes na sociedade, por vezes acontecem situações mais desagradáveis (mas que são tão raras que não vale a pena valorizar).

Projetos imediatos?
Gostava de chegar aos sevens femininos IRB, mas por agora estamos a elaborar planos com vista à minha participação no Europeu de Sevens Feminino (1ª Div ou Top 12) e voltar ao Mundial Universitário de Sevens.
Quem sabe, se tudo correr bem, possa aspirar a um lugar no Mundial Sevens em 2013.

Fotos: António Simões dos Santos
Com a colaboração de Karlla Davis

4 comentários:

Estevão disse...

Parabéns pela entrevista e ao percurso da Filipa. Sempre boas arbitragens, como foi no Domingo em Belas.

Karlla Davis disse...

Muito boa entrevista!! Parabéns árbitra!

De Sequeira disse...

Conheço a Filipa enquanto adepto, ainda ontem no estádio Universitário, adorei ver a postura e o profissionalismo com que encarou o jogo. Sou seguidor da Agronomia espero em breve vê-la de apito na mão. Força, penso que deves continuar a encarar os jogos sempre com o mesmo rigor e profissionalismo que tenho assistido até ao dia de hoje. 5 estrelas.

De Sequeira disse...

Mais um excelente trabalho ontem no estádio Universitário. Penso que deves continuar a encarar todos os jogos com a mesma seriedade e competência que tenho assistido. Espero em breve assistir a jogos em que a linha lateral seja ocupada por outros e ver-te de apito. 5estrelas