22 de agosto de 2013

(M)ALTA DE LISBOA É LIÇÃO DE VOLUNTARIADO

Na Alta de Lisboa, um grupo de voluntários abraça um projecto de rugby, onde o mais importante é a formação dos jovens do bairro.

Liderado por Afonso Nogueira, um dos mais prestigiados árbitros portugueses, o Rugby da (M)Alta é uma oportunidade para devolver ao jogo muito do que o rugby trouxe para a formação do Homem.

Com a tónica no desenvolvimento do indivíduo, o Rugby da Alta pega naquela Maltinha e leva-a pela mão, no caminho do crescimento...

Vejam como cresce o Rugby da Alta de Lisboa, pelos olhos e pela voz de Afonso Nogueira.

Mão de Mestre: Quem é o Afonso Nogueira no rugby e fora dele?
Afonso Nogueira: No rugby, neste momento coordeno o Rugby na Alta de
Lisboa e sou árbitro. 
Fora do rugby, terminei o mestrado em gestão e estou envolvido na gestão de projectos ligados a comunicação, marketing, formação e desporto.

MdM: Onde nasceste e cresceste e como se deu o primeiro contacto com o rugby?
A.N.: Estou ligado ao rugby desde os 7 anos e posso dizer que já fiz de tudo nesta modalidade, desde jogador a treinador, passando por dirigente e árbitro. 
Tenho a filosofia de dar de volta ao rugby aquilo que o rugby me deu, amigos para a vida, uma família. 
Joguei até aos 17 anos no Belenenses, nessa altura sofri uma lesão na cervical que me impossibilitou de continuar, como já era treinador de escalões de formação mantive-me envolvido com a modalidade.

MdM: O que fizeste no rugby na época que terminou, e o que vais fazer na próxima?
A.N.: A época transacta foi algo atípica pois estive condicionado em termos de tempo, acompanhei o projecto “Rugby na Alta de Lisboa” um pouco à distancia até Dezembro já que este é um trabalho que exige tempo e capacidade para acompanhar diariamente estes jovens. 
Desde Janeiro que muitas das minhas tardes voltaram a passar pela planificação e operacionalização de actividades deste clube com a missão de criar oportunidades e valores através do rugby. 
Paralelamente, há 8 anos que sou árbitro através da FPR, actividade que me ocupa várias horas por semana entre jogos, treinos físicos e preparação e análise de jogos. 
Para qualquer árbitro que jogou rugby é um prazer estar envolvido com o jogo, é o melhor lugar do estádio! 
Entre jogos da Divisão de Honra, outros escalões nacionais e alguns encontros internacionais estive envolvido em mais de 50 jogos, uma época muito longa.
Na próxima época irei manter no rugby as funções que tenho desempenhado.


MdM: Como surge o Rugby na Alta e quando?
A.N.: Este será o nosso 5º ano de actividade. 
Surgimos em 2009 com o objectivo de unir as várias realidades da Alta de Lisboa, um território onde coabitam muitas culturas, é através do rugby que queremos que todos façam parte da mesma equipa, altos, baixos, gordos, magros, ricos e pobres. 
A Associação de Residentes do Alto do Lumiar (ARAL) é a principal promotora do projecto que conta também com a supervisão técnica da Associação de Rugby do Sul, o apoio do programa K’Cidade da fundação Aga Khan, e também da Associação de Pais e EEs do Agrupamento de Escolas do Alto do Lumiar (APEAL), bem como do Programa Deporto Mexe Comigo da Câmara de Municipal de Lisboa (CML).

MdM: Ao longo dos anos que leva de actividade o clube tem crescido sempre com uma grande preocupação de acompanhamento dos seus atletas, com destaque para a sua sala de estudo.
Como é feito o recrutamento dos seus jogadores?
A.N.: O recrutamento é feito nas escolas e colégios da zona da Alta de Lisboa. 
Paralelamente também participamos e organizamos actividades junto da comunidade para que outras crianças descubram o rugby, já que moram aqui miúdos que não frequentam estas escolas.

MdM: Quais as principais preocupações do RAL na formação dos seus atletas?
A.N.: É um facto que a nossa actividade não se baseia apenas no desporto, temos um raio de acção muito grande, fazemos um acompanhamento individual e individualizado de todos os atletas. 
Temos um sistema que vai para além dos treinos e sala de estudo, conhecemos os nossos atletas e fazemos com que eles evoluam também em termos sociais e escolares. 
Preocupamo-nos com as suas competências sócio-afectivas, fazemos aquilo que hoje em dia se chama “mentoring”
As metas para os nossos atletas não passam tanto por “ir a uma selecção nacional” mas muito mais por ter aproveitamento escolar e evoluir em termos sociais, claro que se tivermos miúdos nas selecções tanto melhor! 
Fazemos com que descubram e construam as suas oportunidades.

MdM: Como é financiada a actividade desportiva do clube? Qual o papel da autarquia neste aspecto?
A.N.: Estamos a atravessar um período em que não temos garantido o financiamento total da actividade. 
A nossa sustentabilidade é desde o início a grande prioridade, não queremos dar passos maiores que as pernas, sabemos que esta não é uma tarefa fácil mas temos procurado criar uma base sólida de parceiros e contactos. 
Depois de dois anos como projecto vencedor da “EDP Solidária” é a Câmara Municipal de Lisboa que através do Programa de Apoio ao Associativismo Desportivo suporta uma fatia do nosso plano de actividade. 
Ainda assim temos em curso outras campanhas de angariação de fundos como venda de rifas, festas temáticas e mais recentemente fomos pioneiros em Portugal com o primeiro “crowdfunding” na área do rugby! 
Paralelamente temos outras duas grandes campanhas em marcha: “Missão - Chuteiras para a (m)Alta” e o Banco de Livros Escolares.

MdM: Qual o papel das empresas do bairro?
A.N.: Há empresas e lojas sediadas no território que nos têm apoiado, são pequenos contributos que fazem a diferença. 
A Dona Fernanda da Engomadoria Poupa Tempo faz-nos o favor de semana após semana lavar os equipamentos e o Talho d’Alta tem-nos apoiado regularmente. 
O Oeste Quiosque é outro dos apoios que nos tem garantido lanches e afins, estamos a organizar o SUNSET DO RUGBY DE LISBOA para o início de Setembro com eles, fiquem atentos! 
Ao longo da época outros cafés e mercearias fazem questão de ajudar o projecto. 
Aproveitamos e lançamos mais pedidos de apoio (altarugby@gmail.com).

MdM: O RAL tem algum acordo de desenvolvimento com escolas da sua região?
A.N.: Trabalhamos directamente com as escolas da zona, inicialmente foi feita uma ponte através da Associação de Residentes e da Associação de Pais, hoje em dia tornou-se recorrente serem as escolas a procurar os nossos treinadores para resolver problemas pontuais que ocorram com os nossos atletas. 
Até já houve solicitações para animarmos alguns dos intervalos de uma escola, somos uma “marca” de sucesso junto da comunidade.

MdM: Onde se realizam os treinos e os jogos do clube?
A.N.: Treinamos e jogamos no Complexo Desportivo do Alto do Lumiar, um complexo com dois campos sintéticos, gentilmente cedido pela Câmara Municipal de Lisboa ao abrigo do Programa “Desporto Mexe Comigo”. 
É neste local que temos a nossa Sala de Apoio ao Estudo!
Depois da proposta de construção de um Complexo Municipal de Rugby na Alta de Lisboa ter vencido o Orçamento Participativo de 2010 da CML fizemos um esforço para reforçarmos a actividade. 
Desde então que temos assistido a sucessivos avanços e recuos por parte da CML. 
A ARAL (Associação de Residentes do Alto do Lumiar) interpelou a CML na última Discussão Pública da Proposta de Alteração do PUAL (Plano de Urbanização do Alto do Lumiar) relembrando que a proposta de “Criação de um Campo de Rugby Municipal na Cidade de Lisboa” indicava inequivocamente a Alta de Lisboa como local de implementação dos campos. Houve por parte da CML uma resposta favorável à nossa participação, pelo que aguardamos com expectativa todos os desenvolvimentos.

MdM: Em que competições participaram na época 2012-13?
A.N.: Sendo este um clube com vocação para a formação não gostamos de chamar competição, estivemos presentes em inúmeros convívios sub-8, sub-10 e sub-12 e começámos a participar nos Sevens Regionais Sub-14 organizados pela ARS. 
É muito importante para estes jovens terem contactos com outros clubes e realidades, notamos a evolução a cada saída, a cada encontro!

MdM: Quem foram os treinadores dos diversos escalões?
A.N.: Somos três elementos no “core staff”: a Sofia Teixeira, o Ednilson Ceita e eu. 
Para além dos treinadores contamos com várias mãos que fazem a diferença quer nos treinos e jogos, quer na sala de estudo: Paula Lage, Rute Ricardo, Vítor Vasconcelos, Barbara Oliveira, Sónia Silva, Eric Cardoso, Kátia Costa, Francisco Sepúlveda, António Vasconcelos, Avelino Costa, João Silva entre outros. 
De destacar ainda o apoio de voluntários do Colégio S. João de Brito e do Colégio Planalto. 
Este é um projecto que tem crescido com apoio de muitas mãos voluntárias.

MdM: É pública a intenção de proceder a algumas alterações no funcionamento do clube, nomeadamente no que respeita aos treinos e sala de estudo.
A.N.: Para a época 2013-14 quais os principais objectivos desportivos e no acompanhamento fora de campo dos seus atletas?
Queremos continuar a ser uma escola transmissora de valores pessoais e sociais, é essa a nossa missão e a nossa identidade. 
Em termos desportivos pretendemos reforçar a participação nos convívios sub-12 e jornadas de sevens sub-14, promovendo experiências enriquecedoras aos nossos atletas. 
Queremos também repetir a proeza da nossa “digressão” ao Torneio Internacional Youth Braga Cup! 
Apesar de várias raparigas fazerem parte da equipa, outro objectivo interno é lançar os alicerces para a criação de uma equipa feminina, pelo que lançamos o desafio a todas as voluntárias que queiram ajudar a formar esta equipa...

MdM: Quem vão ser os treinadores do clube para a próxima época?
A.N.: A equipa técnica vai manter-se com “prata da casa”. 
Nos mais pequenos a Sofia Teixeira continuará à frente dos sub-8 e sub-10 com a ajuda de um dos nossos atletas mais velhos, o Rúben Coelho. 
Nos sub-12 e sub-14 eu e o Ednilson Ceita seremos os treinadores. 
O Ednilson é um exemplo vivo para os nossos jogadores, cresceu no território e sabe lidar com miúdos como ninguém. 
Tal como nos últimos anos estamos abertos à participação de voluntários que queiram dar o seu contributo na formação integral destes atletas, precisamos de colaboradores quer para a sala de estudo, quer para treinos e jogos. 
Todos os interessados podem contactar-nos através do e-mail altarugby@gmail.com

MdM: Quem quiser jogar no Rugby na Alta o que deve fazer?
A.N.: É muito simples... estamos as tardes de 3ª, 4ª e 5ª no Complexo Desportivo, é só aparecer! 
Todas as novidades podem ser consultadas no nosso blogue  e na nossa página do Facebook
À disposição estão também os nossos números (218267585 e 960154631) e o nosso e-mail (altarugby@gmail.com ou aralumiar@gmail.com).

1 comentário:

Ana Meira disse...

Que projeto maravilhoso. Parabéns a todos que apoiam e que intervêm no desenvolvimento e crescimento saudável de jovens.
Ana Meira