9 de maio de 2012

SEVENS FEMININOS - AGRÁRIA VENCE EM COIMBRA, TÉCNICO É CAMPEÃO

O TÉCNICO FALHOU O PLENO NO CIRCUITO NACIONAL FEMININO DE SEVENS ao perder a final da 4ª etapa, frente à Agrária por 17-10, mas sagrou-se campeão com 10 pontos de vantagem sobre a segunda classificada.

A etapa de Coimbra foi participada por 15 equipas, notando-se a segunda ausência do Benfica e a terceira de Agronomia...aliás, das oito equipas que estiveram em todas as etapas, apenas o Técnico e Cascais são da zona de Lisboa, sendo três (*) do Centro (Agrária e Bairrada A e B) e duas do Norte (CRAV e Boavista).

Além destas oito equipas participaram no Circuito quatro da região de Lisboa, três das regiões ao sul do Tejo, quatro do Centro e outras quatro do Norte - ou seja, a força do rugby feminino parece estar fortemente implantada a norte do Mondego (incluindo a Agrária, logo ali a seguir ao dito...).

A região de Lisboa também não está mal, mas só se dá por isso quando jogam em casa, ou nos arredores, enquanto Loulé, Setúbal e Portalegre, merecem uma referência especial pela sua coragem e perseverança.

E outra menção para a Bairrada que apresentou sempre duas equipas, e em Arcos chegou mesmo a apresentar três!

Mas a grande referência deste Circuito vai por inteiro para o Técnico, que depois de ver a Agrária vencer o Campeonato Nacional, o Benfica vencer a Taça de Portugal de XV e o Boavista triunfar na Taça de Portugal de VII, venceu três das etapas do Circuito de Sevens, e foi, sem margem para contestação, a melhor equipa da prova.

As outras referências que devem ser feita sobre o Circuito, não são agradáveis, e prendem-se com as já referidas ausências do Benfica e de Agronomia, no campo desportivo, e pela péssima imagem que a Federação fez passar, com uma sucessão de decisões contraditórias e/ou controversas,  que marcaram ainda mais porque, pela primeira vez este ano, ela fora capaz de apresentar a tempo e horas um plano e um regulamento, no campo da organização.

Infelizmente, perdida em guerras internas do tipo D. Quixote e os moinhos de vento, a FPR não foi capaz de controlar a situação e acabou por ser um espetáculo degradante de assistir, com umas pessoas a puxar para trás, parecendo que uns andam com ciúmes dos outros...

Fique com o quadro dos resultados da última etapa, e também o quadro classificativo final.



Fotos: Albuquerque Afonso e Moita Rugby Clube da Bairrada/Facebook

(*) P.S. O Rui Rodrigues da Bairrada chamou-me a atenção para o fato do Viseu também ter participado nas quatro etapas, o que é absolutamente correto - e assim consta do quadro que apresentamos.
Por distração, ao passar a informação para o texto, essa situação foi omitida, mas fica desde já corrigida com o devido pedido de desculpas às meninas de Viseu!

8 comentários:

Anónimo disse...

(Parte I)

E caiu o pano sobre o Circuito Nacional de Sevens 2012.

Alguns comentários e reflexões afiguram-se necessários, nem que seja para promover o debate e a troca de ideias. É do debate e da troca de ideias, mesmo que sejam opostas, e das críticas, sempre que construtivas, que tudo evolui, esperamos, no melhor sentido. E, aqui, o melhor sentido será a evolução e a consolidação do rugby feminino.

Em primeiro lugar, os parabéns à equipa do CR Técnico, este ano a mais combativa, consistente e regular do Circuito Nacional de Sevens. Recheada de excelentes jogadoras e com um modelo de jogo prático, aliada a uma boa condição física, a equipa cumpriu os seus objectivos.

Depois, merecem os parabéns as equipas que estiveram em todas as etapas (2 regionais e 4 nacionais) - Agrária, Bairrada, Boavista, CRAV, Cascais e Viseu, além do Técnico - o que significou também algum investimento por parte dos clubes e grande vontade e disponibilidade das atletas, que encararam a competição de forma séria.

De registar a grande evolução destas equipas - a Agrária, com uma equipa experiente, um rugby maduro e um bom modelo de jogo; o Boavista, com excelente organização e em constante crescendo; a Bairrada, já com um tipo de jogo definido, que se caracteriza pela velocidade e grande combatividade das suas jogadoras; o CRAV, equipa já com organização e que foi, diria, a surpresa positiva da época; uns furos mais abaixo, o Cascais e o Viseu, equipas em progressão e a quem o convívio com as equipas mais evoluídas ajudará a crescer.

Uma palavra de incentivo também para as equipas do Braga, Caldas, S. Miguel, CRUP, Galiza e ISMAI, que participaram apenas em algumas etapas. Constata-se que há trabalho feito e que muito há ainda para fazer, assim exista vontade das jogadoras.


Pela negativa regista-se a eliminação da Agronomia, Loulé, Vitória e, sobretudo, do Benfica, equipa com grandes pergaminhos na história do rugby feminino nacional. Desconhecem-se os motivos mas, o manter o Circuito mais competitivo e o respeito pelas equipas adversárias teria merecido outras decisões. Não será certamente por falta de jogadoras, se olharmos para o número inscritas na FPR.

Quanto ao modelo competitivo, tendo por referência um Regulamento cheio de omissões, algumas contradições e prestando-se a diferentes interpretações, sempre se dirá que merece também reflexão.

À partida, importará equacionar a necessidade da chamada Fase regional de apuramento. Se de facto é para apuramento para a Face Nacional (8 equipas), não se podem permitir faltas de comparência que, depois, não têm qualquer efeito prático. Se a Norte tudo correu na normalidade, regista-se o facto de na primeira jornada a Sul, estarem muitas equipas nas Caldas e, depois, na segunda jornada, em Loulé, comparecerem apenas o clube local, o Caldas e o Técnico.

Porventura, partir para a próxima época com 2 grupos perfeitamente definidos - A e B - tendo por base a classificação final deste ano 2012, poderá ser uma solução. Mas, claro, tal pode causar polémica, pois equipas como o Benfica, Agronomia, Loulé e Vitória, tendo sido eliminadas por faltas de comparência e a merecer tratamento igualitário, teriam de ser remetidas para o Grupo B.

Uma interpretação correcta do citado Regulamento levaria a dizer que devem ser retiradas do quadro da classificação final publicado pela FPR (e constar como eliminadas, por faltas de comparência) todas as equipas que não compareceram a qualquer uma das 4 etapas do Circuito.
(continua)

Anónimo disse...

(Parte II)

Enfim, é assunto a discutir entre a FPR e todos os clubes, à volta da mesa, aproveitando para rever o dito documento, criando regras claras e práticas e um modelo de competição que permita fazer evoluir as equipas em crescimento e ser verdadeiramente competitivo para as equipas mais evoluídas.
A FPR tem um papel fundamental neste domínio e deve fazer cumprir as regras que ela própria aprova.

Alguns exemplos, para reflexão: (1) organização de etapas pelos clubes - estando sujeitas ao cumprimento de um «caderno de encargos» constatou-se que umas vezes ou não foram distribuídas águas pelas equipas presentes ou que não estava presente uma ambulância. Se o primeiro aspecto não é assim tão importante, o segundo é particularmente grave. E se houver um acidente (felizmente não houve), uma urgência, uma situação que requeira a imediata reação de equipa médica ou o transporte para um hospital?
(2) Cumprimento de regras - em cumprimento das Leis do Jogo, a FPR fez circular a informação de que é proíbida a utilização de collants/leggins, abrindo, curiosamente e em violação dessa regra, a excepção dessa utilização em campos sintéticos. Pois, o certo é que, com uma excepção, se verificou essa utilização. E sabemos como a utilização desse adereço pode dificultar uma placagem... (3) Árbitros - associado ao facto de se ter verificado a ausência de árbitros numa das Etapas, árbitros há a necessitar de uma profunda reciclagem em termos de regras em vigor no Sevens. Ou por desconhecimento ou má interpretação assistiram-se a situações, diria, por vezes hilariantes.(4) A organização da Etapa final em Abrantes, pela FPR - se no Regulamento era claro que ficaria a cargo da Federação a organização da última etapa, não se entende como foi depois realizada em Coimbra, quando já outros clubes se tinham candidatado à mesma e viram rejeitada essa pretensão.

Não pretendendo alargar-nos mais, cremos que o rugby feminino está de boa saúde, em evolução positiva. Apenas necessitará de mais organização e apoio, não tanto ao nível dos clubes, onde o trabalho de captação e de treino é notório, mas sobretudo ao nível da FPR.

Só um trabalho sério, organizado, consistente permitirá, creio, fazer o rugby feminino almejar por patamares mais elevados. E, estando nós no século XXI, já não há espaço para amadorismo, desenrascanços ou organizações em cima do joelho.

O rugby feminino está num momento crucial a nível internacional. O convite para o torneio organizado pelo IRB em Londres é prova de que se acredita nas atletas nacionais e no rugby feminino português. O campeonato da Europa está, também, quase à porta! Mais do que palavras e mais palavras, precisa-se apenas de trabalho, método e organização!

Finalmente, uma palava também para o MdM ou Mão de Mestre pela sua intervenção na divulgação do rugby nacional, em particular do rugby feminino.
E por proporcionar um espaço de debate, por vezes com reacções calorosas dos leitores e também do próprio responsável, mas é esse o preço da democracia e da liberdade de opinião.

09-05-2012

Anónimo disse...

Parabéns a todas as equipas!

Manuel Cabral disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anónimo disse...

Boa Noite,

Viseu participou em todas as jornadas também, falta referir isso no post.

Manuel Cabral disse...

No final do texto isso já está corrigido.

Anónimo disse...

E voilá o que se pode ler no site da FPR:

2012.5.7
Circuito Nacional de Sevens Feminino

«Após a conclusão das 4 jornadas que constituiram o Circuito Nacional de Sevens Feminino. A Equipa de Sevens do C. R. Técnico sagrou-se campeão Feminino após as quatro etapas realizadas.»

Se a Edite Estrela vê isto...

João Quintela disse...

Espero que este texto chegue ao conhecimento dos responsáveis dos Campeonatos em Portugal (Femininos, masculinos, Sevens, etc).
Muito bem.