28 de maio de 2016

TERRAMOTO NO RUGBY FRANCÊS COM PROD2 NO EPICENTRO

 Ao contrário do que tínhamos anunciado no início da semana, não foi apenas o Tarbes a ser rebaixado do rugby profissional para o rugby amador em França, mas sim o Tarbes e mais três equipas - o Narbonne, o Bourgoin e o Biarritz!

O Conselho Superior da DNACG - a polícia financeira do rugby francês - decidiu pelo rebaixamento destes três históricos hoje mesmo, e a notícia atravessou todo o desporto francês, soando como um alarme sério para a forma como o profissionalismo foi introduzido, mesmo em França, onde se encontram as mais poderosas (financeiramente) equipas da Europa.


Os três moribundos podem ainda recorrer da decisão, para o que dispõem de 10 dias contados a partir da notificação do castigo, mas dificilmente verão a decisão alterada.

Com estas quatro equipas condenadas à Fédérale 1, beneficia directamente o Dax (15º da classificação final) e o  Provence Rugby (16º), que estavam condenados à descida.
O Soyaux-Angouleme e o Vannes, finalistas do apuramento da Fédérale 1, estão já garantidos na ProD2, restando agora saber se Massy et Bourg-en-Bresse, semi finalistas derrotados, sobem ocupando os lugares em vago, ou se os dirigentes do rugby francês se decidem por uma redução de 16 para 14 equipas na 2ª divisão profissional francesa.

Já aqui falámos nesta questão anteriormente, mas nunca é demais chamar a atenção para os clubes portugueses - que julgam que são profissionais - para estas questões quando se fala em quererem entrar no verdadeiro mundo profissional.

Na verdade nenhum clube português - nem Direito, nem CDUL - têm condições para ambicionar calçar as botas do profissionalismo, se estiverem condicionados às exigências que são feitas às equipas profissionais em França, em Inglaterra, ou em qualquer outro país onde o rugby seja realmente profissional.

Mais vale concentrarem-se em serem excelentes equipas amadoras, que mais uma miséria na lista dos candidatos a profissionais...
E nesse sentido se aconselha a que os nossos melhores clubes se dediquem à formação de jogadores nacionais - como faz o Direito - em vez de pretenderem, por exemplo, reduzir no tempo a divisão principal do rugby nacional, sob pretexto de nessas circunstâncias ser mais fácil contratar jogadores estrangeiros...

Admito que o rugby nacional ainda não bateu no fundo, mas com certeza está lá bem perto, então talvez seja bom os nossos clubes pensarem bem no caminho a seguir, pois no rumo em que seguem, o futuro não existe.

3 comentários:

Claudio disse...

Caro Manuel,

Acho que claramente a questão a resolver em prioridade é mesmo essa : queremos um rugby amador ? Ou aspiramos a um rugby profissional ?

As desilusões que alguns fães viveram estes últimos meses têm a ver com isso. Fomos muitos a pensar que depois de 2007, se tinha decidido aproveitar o terramoto que constituiu a participação ao mundial, para passar do amadorismo para o profissionalismo o que, no meu ver, necessitava pelo menos as seguintes prioridades :

- favorizar a visibilidade da modalidade em Portugal (aumentar publicidade, abrir a transmissão dos jogos na TV, encontrar novos patrocínios, desenvolver as escolas de rugby nos clubes, abrir a modalidade ás classes socias populares pouco representadas etc.) ;

- integrar quanto possível os lusodescendentes no XV nacional,

- aumentar quanto possível o numero de jogadores de Portugal nas equipas profissionais francesas e inglesas,

- dar condições aos Lobos de Portugal para se dedicarem a tempo completo, ou quase, a equipa nacional, precisamente na altura do torneio.

Algumas coisas formam feitas nestas direções, mas parece-me que, ultimamente, essa perspetiva foi abandonada e que agora se pensa que Portugal apenas pode viver o seu rugby num modelo amador.

Na verdade, não há vergonha em jogar rugby amador. Há mesmo quem diga que o desporto apenas existe no amadorismo. O que é precise, é dizer as coisas como elas são, ou seja afirmar que essa direção foi escolhida e assumida. Assim, haverá menos desilusões por parte de fães, uma vez que esquecermos qualquer perspetiva de novo apuramento para o mundial, e que deixarmos para trás jogos equilibrados com Rússia, Roménia, Geórgia ou até mesmo Itália, como vimos em 2007.

O amadorismo, resolvera também as dificuldades com os lusodescendentes. Todos saberemos então que nenhum deles que ganhe a vida com o rugby jamais aceitará arriscar-se a uma lesão para ir representar a pátria – mesmo o amor por Portugal seja imenso – no que não passará então de um “passatempo”. Nesse aspeto, as coisas serão simplificadas. E provavelmente em outros também.

Vejo no entanto uma dificuldade com esse modelo. Num continente onde muitos dos países que antigamente se contentavam do amadorismo, querem agora rivalizar com os seis grandes da Europa - equipas como Espanha, Alemanha ou até mesmo Suiça – Portugal, escolhendo, num movimento absolutamente contrario, o amadorismo, arrisca-se a ter cada vez mais dificuldades para encontrar equipas com quem jogar de igual para igual… A não ser que um dia se tenha que jogar com a “Geórgia A” !

Basta agora clarificar !

abmpa ambpa disse...

Caro Claudio,
tanta asneira num só post só pode ser escrita por alguém que não faz a minima ideia do que é o rugby em Portugal,
Abrir a transmissão de jogos na TV? Já não te vou falar do nível dos jogos mas para que saibas para se transmitir um jogo na TV tem que se pagar 5mil € e te garanto que não se arranjam patrocinadores para nos pagar esse valor.
Arranjar mais patrocinios? vê se mesmo que nunca andaste a bater às portas das empresa Portugesas,
O rugby em Portugal só sobrevive de forma amadora , profissionalismo quando os clubes nem campos conseguem ter? as cabines são más ou são poucas, as bancadas não têm condições e depois querem profissionalismo? esse foi o grande erro de grande parte dos clubes a seguir a 2007 foi começarem a mandar vir estrangeiros que nada deixaram...

Claudio disse...

Caro "professor", pode ser mais uma asneira minha, mas as propostas apenas se entendiam numa óptica de aumento do nível de jogo.

Claro, se o projecto é manter o nível ou, pior, o baixar, então na vale a pena estar a gastar dinheiro com transmissões Tv ou tempo a bater às portas.

E também parece artificial estar a dividir as (minhas) propostas, porque tudo está ligado a tudo.

Os bons jogadores trazem os bons resultados, que trazem a curiosidade do público, que traz o interesse dos patrocínios, que traz a Tv, que trás o dinheiro e novamente os bons jogadores e assim os putos nas escolas de Rugby que se imaginam cantar a portuguesa ao ver do resto do mundo. Trata-se apenas de um círculo virtuoso.

Mas aceito a ideia que haja quem prefira os círculos negativos porque de facto os maus resultados fazem fugir os bons jogadores e o interesse da população, os patrocínios e o dinheiro !

Porque mesmo sem dinheiro e com maus balneários ainda dá para passar bons momentos "entre amigos"... Por isso digo, há certamente quem esteja interessado com/por essa ideai de continuar/de regressar ao Rugby amador "entre amigos".

Não sou desses. Antes quer putos a sonharem com campeonatos do mundo.