17 de dezembro de 2012

DO RUGBY PARA O ATLETISMO E OS JOGOS OLÍMPICOS

Carlin Isles é a nova coqueluche do Circuito Mundial de Sevens, e entrou na equipa americana do jogo reduzido porque é um velocista, não um jogador de rugby.
Ou seja, os eagles esperam resolver os seus problemas de ineficácia, com a contratação de atletas de outras modalidades, que façam os índices da equipa subir exponencialmente.

Mas o que é mais curioso é o espanto com que as pessoas olham para o novo internacional norte americano, que, na verdade, não foi ainda capaz de, dentro de campo, encontrar o sucesso que faz fora dele.

Basta referir que nas três etapas do Circuito já realizadas esta época Carlin marcou seis ensaios, muito distante do que conseguiram jogadores como o inglês Dan Norton e o canadiano Sean Duke, que marcaram 15 cada um, ou do espanhol Pedro Martin que conseguiu fazer 16 toques de meta no conjunto das três etapas referidas.

Recorde-se que o melhor marcador de Portugal, nos mesmos torneios, é Pedro Leal, com cinco ensaios marcados , num total de 56 pontos, o que o coloca na 14ª posição dos melhores marcadores da época, enquanto o jovem americano não consegue entrar no top-25.

Carlin Isles, 23 anos, regista como seu melhor tempo nos 100 metros 10,13 segundos, o que aconteceu numa ocasião em modo wind-assisted, já que o seu melhor sem a ajuda de Éolo, foi de 10,24 segundos, enquanto nos 60 metros o seu melhor registo é de 6,65, mas esta estória toda fez-nos regressar no túnel do tempo, até 1974, quando, entre outros, dois putos gémeos lousanenses com 14 anos, começaram a jogar rugby pela mão do eterno José Redondo (O Professor).

Eram eles o Pedro e o Paulo Curvelo, que cedo mostraram a sua capacidade de correr mais depressa que os adversários e companheiros de equipa, com ou sem a bola na mão.

Passados 10 anos a jogar rugby, já com 24 anos, os Curvelo foram descobertos para o atletismo e acabaram por estar presentes nos Jogos Olímpicos de Seoul em 1988, onde o Pedro correu os 4x100 e o Paulo os 4x400.
Quatro anos depois, em Barcelona, o Pedro voltou a estar presente, correndo as duas provas, e nesse período chegou mesmo a ser recordista nacional dos 400 metros, e uma irritante lesão no joelho impediu o Paulo de lá estar também.

Mas o curioso é que eles sempre continuaram a jogar rugby - eu tive o privilégio de ser treinador dos dois em finais dos anos 80, quando treinei a Lousã - e o Pedro foi internacional de rugby de XV em 1989 e, juntamente com o Paulo, foi também internacional de sevens em 1994.

Ou seja, enquanto nos EUA o rugby vai ao atletismo buscar os mais rápidos, isso em Portugal foi ao contrário, foi o atletismo que veio ao rugby buscar a velocidade!

PS:  Já depois de escrito este texto lembrei-me de duas histórias do tempo em que estive na Lousã, relacionadas com estes dois extraordinários jogadores, atletas e cavalheiros.

A primeira é mais geral e diz respeito à irritação de algumas equipas adversárias que não gostavam de uma tática que utilizávamos com alguma frequência, e que consistia em ir dando espaço ao adversário, e recuando para os nossos 22, esperando uma ocasião em que o entusiasmo se apoderasse da outra equipa e todos os seus jogadores se atirassem para o ataque.
Essa era a altura em que o João Bandeira fazia uso do seu longo pontapé, punha a bola lá bem longe, nos 22 da outra equipa, e era então lindo de ver os Curvelos partirem por ali fora, chegando à bola antes que qualquer adversário e aproveitando a ocasião para marcar...

Diziam na altura alguns puristas que aquilo não era rugby, mas hoje todos gostam quando, por exemplo, o Pedro Leal põe a bola atrás da defesa adversária e assim Portugal aproveita para marcar...

A outra história é mais personalizada e corresponde a um período de intenso treino do Paulo (não me recordo se do Pedro também) na corrida com barreiras.
Em certo jogo contra uma equipa de Lisboa - não vou referir nem o clube, nem o jogador com que isto aconteceu, por mera delicadeza... - o Paulo, num movimento de ataque, viu-se cara a cara com um adversário, sem qualquer espaço para lhe fugir.

O jogador adversário pareceu mesmo sorrir antecipando o momento, e fez-se à placagem frontal.

Foi então que o Paulo Curvelo se lembrou das barreiras, e pulou por cima do adversário em grande aceleração e marcou mais um ensaio!
O defensor placou...o vento! e ainda hoje deve perguntar onde está o gajo?

Apenas para que fique registado, o Paulo e o Pedro foram ambos recordistas e campeões nacionais de 4x100 e 4x400 metros diversas vezes e foram também recordistas de 400 metros - o Pedro primeiro com 46,66 e depois o Paulo com 46,58 - e em 1989 foram ainda campeões de 100 metros (o Pedro) e de 400 (o Paulo).
A melhor marca do Pedro nos 100 metros foi 10,52 (10,36 com vento) e a do Paulo foi 10,71 (10,62) e nos 60 metros o Pedro fez 6,79 e o Paulo 6,88.

E tudo isto em dois jogadores de rugby, que aos 24 anos se começaram a dedicar ao atletismo...

6 comentários:

Anónimo disse...

peço imensa desculpa, mas este artigo nao interessa mesmo nada.

Anónimo disse...

Manel. Gostei de ler este artigo sobre 2 jogadores da Lousã que estiveram ao mais alto nível em duas modalidades. O artigo faz-me lembrar o que seria Portugal com o Pedro Leal e o Carlin Isles. Mesmo percebendo pouco de rugby, o Carlin Isles a jogar ao lado do actualmente melhor jogador do mundo em pontapés tácticos e não só, seria demolidor para qualquer adversário, incluindo os NZ.
Abraço do José Redondo

José lopes disse...

Sem dúvida um percurso desportivo de excepção.

Deve-se acrescentar, contudo, que com excepção da idade esse percurso não é único. O melhor velocista francês da actualidade, nos 100m, é também um produto da escola do rugby onde jogou até aos sub 18.

Anónimo disse...

Ainda bem. É sinal do ecletismo do rugby e que entre nós temos dos melhores do mundo.

Anónimo disse...

achei o primeiro comentário displicente, belo artigo para fazer acreditar e sonhar. abraço das olaias

Anónimo disse...
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