14 de março de 2017

FPR DEIXA COMPETIÇÕES NACIONAIS AO DEUS DARÁ


O Estatuto da Federação Portuguesa de Rugby é claro na definição do principal objeto da sua ação - ninguém tem dúvida quanto a isso - mas a atual direção federativa não cumpre o código fundamental da comunidade do rugby nacional.


Artigo 2º 
Objeto

1. A FPR tem por principal objeto promover, regulamentar e dirigir, a vel nacional, o ensino e a prática do Rugby, em todas as suas variantes e competições;

Completou-se este final de semana um mês de total abandono por parte da Federação Portuguesa de Rugby, comandada por Cassiano Neves, em relação às competições nacionais.
Sem resultados de jogos, nem atualização das tabelas classificativas, as competições do rugby português parecem um torneio de peladas totalmente abandonadas pelo orgão central que devia dedicar grande parte do seu tempo a gerir as provas nacionais.

Desde o fim de semana de 11/12 de Fevereiro que a FPR não publica um resultado, não divulga uma classificação actualizada, nem na Divisão de Honra, nem na 1ª Divisão, nem na 2ª Divisão!
É o completo abandono!!

E não se julgue que as competições estiveram paradas! Nada disso!!
Na Divisão de Honra disputou-se uma jornada completa, que provocou alterações na tabela classificativa.
Na 1ª Divisão realizaram-se duas jornadas (com dois jogos adiados para o fim de semana que se aproxima) e houve importantíssimas alterações na tabela classificativa.
Na 2ª Divisão, o melhor é não falar, pois as informações são dadas a conta-gotas, são inúmeros os jogos sem informação dos resultados desde bem cedo na prova! Ninguém consegue entender, nem vale a pena tentar!

Sem contar com os sistemáticos erros das tabelas classificativas!
Não acreditam? Então vamos lá:
Na 2ª Divisão Zona Norte/Centro indica-se a Agrária de Coimbra com 5 vitórias (20 pontos) mais 12 pontos de isenção, e 3 pontos de bónus, para um total de pontos na tabela de ... 31 pontos!
Na 2ª Divisão Zona Sul/Lisboa indica-se o Loulé com 4 vitórias (16 pontos) mais 4 pontos de Isenção, mais 4 pontos de bónus, para um total de pontos na tabela de ... 14 pontos!
Na 1ª Divisão, onde não há lugar a pontos de isenção, existe uma coluna para Pontos de Isenção onde se regista 1 ponto de isenção ao Santarém, em vez de indicar esse ponto como bónus defensivo.
Na Divisão de Honra ainda estão esquecidos os 4 pontos de isenção a que Académica e CDUL tem direito desde ... 26 de Novembro!!!
Mas existem mais erros - pode mesmo tratar-se de um novo entretenimento federativo denominado Caça ao erro! Quem descobrir mais, ganha uma bola!

Se juntarmos a isto a situação da arbitragem, e o segredinho em relação à forma de disputa das competições em 2017-2018, lamentamos ter que dizer que esta gestão federativa é completamente incompetente e está-se borrifando para as competições nacionais.

Começou com as nossas equipas nacionais, ignorando a relação óbvia que existe entre a imagem internacional e os apoios e patrocínios, para agora explicar a complicada situação que se vive, com um tímido não há dinheiro - ou seja, não houve capacidade de relacionar as duas coisas antes de tomar decisões que levaram à queda no buraco!
Descemos ao terceiro nível do rugby europeu, fomos afastados do Circuito Mundial de Sevens, foram afastados, contratados e afastados técnicos das seleções nacionais, foi prometida uma reforma do sistema competitivo nacional para a época 2016-2017, mas até agora, com a época a terminar, apenas o presidente da FPR parece saber o que vai acontecer em 2017-2018 (será que sabe?).

As classificações e informações sobre os jogos e competições nacionais têm apresentado ao longo da época inúmeros erros e incorreções, mas agora batemos no fundo - não há (simplesmente não há!) qualquer informação, nem resultados nem classificações...

A FPR navega ao sabor não se sabe bem de quê, não tem dinheiro para pagar aos árbitros, mas a comitiva nacional que foi a Amesterdão levava consigo, além dos jogadores, 11-acompanhantes-11!
Infelizmente parece haver dinheiro para umas coisas, mas não para outras...

Perante este completo descalabro, esta falta de respeito pela comunidade, resta-nos pedir um último gesto elegante ao nosso distinto presidente: Por favor, demita-se!

9 comentários:

manuel lopes disse...

No meio disto tudo a falta de reconhecimento e de respeito para quem era o unico bénévole! So tenho uma palavra a dizer ....cansaram-me !

Manuel Lopes

Francisco Rocha disse...

Nõ posso deixar de concordar com a totalidade do texto e acrescentar que este presidente ficará na história pelas piores razões .
A forma como lá chegou foi o sinal claro de como iria estar ao serviço , servindo a si e aos seus apoiantes e próximos colaboradores .

A FPR não é o lugar dos competentes , mas sim dos agarrados ao lugar e que nada trouxeram ao rugby nacional , as sanguessugas do sistema , professores e treinadores catedráticos que já seria hora de irem provar a sua enorme competência para outras paragens porque currículo é algo que não têm .

Pior hoje a FPR não tem rumo e não lidera , aprovou-se que um tal grupo g-6 de Lisboa decide por todos , e que o resto que se acomode . O desprezo pelos clubes menores e escalões menores dos campeonatos é demais evidente , só para que ainda nunca teve o desprazer de falar com tais personagens saberia que este presidente é presunçoso e elitista .

Colocar um menino da vida no topo da liderança do rugby nacional foi um erro colossal que vai colocar uma pedra final no rugby nacional . Os seu MENTOR desertou e o coitado lá ficou , os apoios e patrocínios prometidos nem vê-los , lançaram o rugby para a pior crise de resultados da sua história , mascarada agora com resultados com equipas sub-desenvolvidas .

O senhores presidentes de clubes , em particular os de Lisboa do famoso g-6 tomem de uma vez por todas medidas , e a primeira e mais sensata será a demissão desta direção , o rugby nacional merece mais e exige mais .

Luis Pecurto disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Francisco Fragateiro disse...

Tenham juízo. Parem de esticar a mão e perguntem onde podem servir o rugby. Deixem-se de agendas e interesses mesquinhos. Se vêem problemas, perguntem onde podem ajudar, em vez de atirarem pedras de alcoviteira.

Sejam dignos de ser chamados "do Rugby".

Bernardo Rosmaninho disse...

(1/2) O hábito que temos, por demais visto, e que agora se repete aqui, de constantemente criticar e (depois) comparar as direcções da FPR (e seus "feitos", que podem ir do "a minha Direcção tinha mais internacionais do que a tua" - eu assisti a esta ao vivo - até ao comparativo entre qual o "mal menor" feito por cada direcção e o recalcar de como se procedeu a mais um round de política rugbística na nossa comunidade) é demasiado inútil. Não vejo nenhuma Direcção da Federação sem falhas e sem lacunas bem gritantes na sua actuação que, no médio ou longo prazo, não tenham levado a que, com mais ou menos politiquices de permeio, tenha sido substituída.

Pondo a coisa noutros termos e focando a discussão no tema do artigo do Manuel Cabral, que acaba por ser (para além do site da FPR e infelizmente) o autor do único blogue informativo exclusivamente dedicado ao rugby em Portugal e tem mérito no trabalho que faz, nem que seja (para os mais críticos e relutantes em conceder-lhe o mínimo de valor, algo ridículo) porque não temos mais ninguém que o faça actualmente:

1. Se a anterior Direcção da FPR não foi de maneira alguma perfeita e teve a sua quota-parte de responsabilidade tanto nos sucessos como naquilo que são agora os problemas da nossa comunidade, em especial no que concerne ao plano internacional e às Selecções Nacionais seniores, todos esperamos (ou esperávamos) que a actual Direcção faça um trabalho que nos leve a melhores resultados, pelo menos no plano internacional sénior. Agora, muita gente aponta e bem, tanto aqui como no facebook, onde esta discussão também se deu (vide https://www.facebook.com/mestrerugby/posts/1430113750352230) que custa ver a hipocrisia de algumas atitudes e posturas, e que, como o Manuel Cabral escreveu no seu artigo, existem demasiadas incongruências na gestão financeira e na comunicação da Federação Portuguesa de Rugby. Como credor, tanto a nível individual como empresarial, da FPR, é-me muito desagradável ver estas incongruências ser expostas mas prefiro não acusar A, B ou C e esperar por um futuro melhor.

2. É importante que se registe que até acredito que a actual Direcção da FPR tenha um plano e uma ideia do que quer para o rugby nacional, mas que esta tem a sensibilidade e a precisão de um pilar a chutar aos postes via pontapé de ressalto no lidar com o resto da comunidade, lá isso tem. Na comunicação, que é a área de que posso falar com algum conhecimento de causa, as coisas já estiveram bem pior, mas também já estiveram melhor. A comunicação (e por inerência o site) da FPR são actualmente mais ou menos o mesmo que ver aquele 3ª linha que se recusa a ficar em forma e que no máximo em vez de comer hambúrgueres no Mac passa ir lá comer salada. Fogo-de-vista, para inglês (Rugby Europe? Sponsors?) ver. Muito template e outsourcing, falta de estratégia e abertura no contacto com a comunidade. E infelizmente faltam meios (humanos e financeiros) para que se faça melhor.

3. Acima de tudo, onde se falha no rugby nacional, é na forma como se maltratam as pessoas e instituições, como se descartam modelos competitivos, competições, clubes e indivíduos com capacidade e conhecimentos válidos (e sem estar a pensar em alguém específico, consigo dar dois bons exemplos que me vêm logo à cabeça, por motivos completamente diferentes: os Professores Delfim Barreira e Henrique Rocha). Não temos uma ilusão sequer de memória institucional no rugby nacional e por oposição nota-se uma necessidade constante de rebaixar o trabalho, seja actual ou passado, das outras pessoas, alienando, numa comunidade minúscula como a nossa, indivíduos e famílias que dão e deram bastante ao rugby. Vejo isso em Clubes e na Federação. Patrocinadores, Treinadores e Dirigentes são descartados como uma fralda suja de um bebé. Venha o próximo que este já não serve.

Bernardo Rosmaninho disse...

(2/2) Mas, tal como fiz no facebook e para terminar, peço-vos que se responda de forma honesta às seguintes (ou pelo menos pensem nelas antes de fazerem mais um comentário anónimo e sem sentido nenhum):

a) Quantos projectos desportivos (leia-se candidaturas) e visões bem melhores (ou mais praticáveis) para a nossa modalidade não foram descartados a troco de votos em eleições pagos com decisões mais de acordo ou com o que o "Senhor do Norte" quer, ou com Campeonatos Europeus na Região Centro e jogos dos Lobos em Taveiro, ou mediante a mudança da esfera de influência de dois ou três clubes de Lisboa, para outros dois ou três clubes de Lisboa? Antes de nos queixarmos de como é que as sucessivas Direcções da FPR agem, importa recordar como é que estas são eleitas e a responsabilidade que TODOS têm nesse processo.

b) Quando é que foi a última vez que tivemos um edifício competitivo, dos sub-16 aos seniores, dos emergentes ao rugby feminino, que fosse simples, compreensível pelos media e pelos clubes e sobre o qual se fizesse uma aposta que durasse pelo menos um ciclo olímpico, para que ao fim de 4 (quatro) anos se pudesse fazer uma análise do que correu melhor, do que correu pior, de como os nossos adversários no estrangeiro estão face a Portugal (e por adversários digo a Espanha, a Alemanha, a Bélgica, a Holanda e, com os devidos ajustes, a Rússia), para depois se actuar sobre isso? Em que competição ou modalidade a solução é, quando as coisas correm mal à respectiva Selecção Nacional, reduzir o número de clubes nas principais divisões e centrar tudo numa cidade (Lisboa? no nosso caso)!? Isso não é uma panaceia, é labreguice, irresponsabilidade e é querer tapar o sol com a peneira. É o equivalente a querermos meter um talonador de 1,60m a jogar a segunda linha só porque ele não é titular na sua posição. Não faz nenhum sentido continuar a copiar modelos e pontos de bónus aos franceses (por exemplo, ou à Rugby Europe) se as nossas realidades são completamente diferentes.

c) Quando é que foi a última vez que, dos clubes à federação, se conseguiu tomar uma medida ou posição colectiva minimamente equitativa nas questões que afectam o desenvolvimento da modalidade (por exemplo, verbas ou material de apoio aos clubes, as distâncias em deslocações que os clubes de fora de Lisboa fazem por oposição aos clubes desta, o local onde se realizam os jogos e competições envolvendo as nossas selecções, o número de participantes nos campeonatos, os clubes que cedem mais ou menos jogadores às selecções, como tratar os jogadores de nacionalidade portuguesa que jogam profissionalmente lá fora)? Aquilo que distingue a capacidade competitiva das principais ligas, independentemente do desporto e destas serem profissionais ou não, por comparação com as demais, é a existência de mecanismos que visam tratar os participantes não de forma igual, mas de forma equitativa. O desprezo e a conveniência com que os clubes, jogadores e árbitros de fora das três grandes cidades (leia-se Lisboa, Coimbra e Porto) são tratados roça o ridículo (apesar terem sido estes clubes, por exemplo, de dimensão média ou mais pequena - genuínos gigantes, no meu entender - a conseguirem fazer a principal coisa que, no pós-Mundial de 2007 importava fazer e não se fez, o reforço das infraestruturas para se poder aumentar o número de praticantes, leia-se mais campos!) e a forma egoísta como se tomam decisões mesquinhas só contribui para que as coisas estejam como estão agora (vide o típico “deem para cá as nossas 20 bolas de rugby e 4 sacos porque temos 400 jogadores na formação” e um Tomar ou um Elvas da vida tem que vir a Lisboa levantar 3 bolas e - por caridade - 1 saco usado, onde ainda se lê o nome do clube lisboeta já desgastado que se "apropriou" do saco novo que tinha chegado entretanto e deixou lá esse).

Bernardo Rosmaninho disse...

PS.

Em suma, enquanto não se adereçarem estas questões e outras, enquanto continuarmos a olhar só para o nosso quintal mas a querermos que, numa modalidade comicamente amadora, a FPR seja minimamente profissional; enquanto continuarmos a ter uma relação no mínimo bipolar, para não dizer horrenda, com os jogadores portugueses que estão lá fora, que não são mercenários, lamento informar, mas sim profissionais, e acharmos que o futuro não é fazermos como o futebol fez na década de 90 e como a Roménia, por exemplo, fez e faz, ao longo das últimas décadas (décadas!), e incentivarmos os nossos melhores jovens a irem jogar nos melhores campeonatos da Europa e assumirmos o desafio de ter pelo menos um grupo grande de atletas no estrangeiro profissionais e selecções seniores semiprofissionais; não sei quem é o patrocinador, a empresa ou marca que pega no rugby português, qual o governo ou autarquia que tem interesse em suportar novos campos de rugby (mesmo em ano de eleições) e como se pega numa modalidade que mal entra no Top-20 das mais praticadas no país e se faz dela algo mais, algo que resista à passagem do tempo e coloque o nosso rugby ao nível a que este poderia, na melhor das hipóteses, estar, que é o das vinte melhores nações a nível mundial e o das dez melhores nações a nível europeu.

Agradeço ao Manuel a republicação aqui daquilo que é parte de uma discussão que vem de outro meio do Mão de Mestre (o facebook dele em: https://www.facebook.com/mestrerugby/posts/1430113750352230) mas que se centra à volta deste artigo e visa ser lida como uma reflexão e algo construtivo. Mesmo que fosse apenas um espectador e não tivesse jogado nem tivesse qualquer conhecimento dos problemas da modalidade, creio que acima de tudo procuraria encontrar soluções visando melhora-la e apresenta-las a quem de direito. Faz mais sentido do que vir para a internet, a coberto do anonimato e da forma mais cobarde possível, deixar mais umas linhas de uma crítica vazia a quem está no poder.

Cumprimentos,
Bernardo Rosmaninho

Francisco Rocha disse...

Devias perguntar aos teus colegas quando é que eles deixam de ter a mão no meu bolso e de todos nós .

Tens um clube que é uma desgraça e importaste para a FPR a desgraça , pessoas de sempre de mão esticada e que se apoderaram de lugares que ao que parece são cativos .
Pergunto eu , quem é esse Varela , Branco e Garcia , ilustres treinadores de seleções , resultados "BOLA " ??? quem são eles ao pé do Tomas Morais , do João Luis , do Frederico Sousa , do João Uva entre outros

Ao que parece a FPR está capturada e refém de uma grupeta ,que através da manipulação e conjugação de interesses se apoderou dos destinos do rugby , hoje o rugby está pela rua da amargura .
Com a mudança de residência do presidente para o Porto , Porque não mudar a sede para a cidade , deixavam de fazer as viagens e tudo seria mais fácil .

Dignidade seria essas pessoas saírem rapidamente e largarem os lugares que estão colados à muito tempo , aliás tempo demais . Nunca o rugby teve tão falta de pluralidade e de representatividade , só entra quem pertence ao clube e faz parte desse círculo restrito .

A minha ajuda começa por denunciar assim como o Manuel Cabral as péssimas práticas . Foi com a anterior direção que critiquei também e que não estava à altura dos acontecimento assim como , esta seria também alvo de escrutínio .

Já chegou o 25 de Abril e a pluralidade prezo muito .

Dignos ser do rugby era esses senhores saírem e mostrarem que não estão agarrados aos lugares .

Nuno Gramaxo disse...

Infelizmente a incompetência e os interesses "ocultos" têm dominado o Rugby Português. Que saudades da presidência do Raul Martins !!!!!