28 de novembro de 2018

RUGBY 2018 – UMA DISCUSSÃO SOBRE O RUGBY EM PORTUGAL (1)

Na sequência da Assembleia Geral da FPR que teve lugar no passado mês de Julho, e em função duma proposta apresentada pelo Grupo Desportivo de Direito, tiveram lugar no mês de Outubro um conjunto de debates que analisaram alguns dos temas mais importantes para que seja possível avaliar e preparar o futuro do rugby em Portugal as partir das eleições que se vão desenrolar 2019.

Dada a extensão do relatório, o Mão de Mestre entendeu que deveria dividir o mesmo em duas partes, publicando hoje a sua parte introdutória e deixando para amanhã a parte dedicada às conclusões sobre cada um dos temas que foram discutidos.

Refira-se ainda que este conjunto de debates foi coordenado pelos delegados do GDD à Assembleia Geral da FPR, Luís Filipe Lança de Morais, Pedro Fragoso Mendes e João Miguel Diniz, que assumem também a responsabilidade da elaboração do relatório que agora se começa a publicar.

RUGBY 2018 – UMA DISCUSSÃO SOBRE O RUGBY EM PORTUGAL
Introdução
Concretizando a Proposta apresentada à Assembleia Geral da Federação Portuguesa de Rugby de 26 de Julho de 2018, que mereceu a votação favorável de 93% dos Delegados presentes, o Grupo Desportivo de Direito tomou a iniciativa, em colaboração com a Académica, C.R. Évora, CRAV e ARS, de organizar diversos debates cujo o objecto era a análise e discussão do Rugby em Portugal e perspectivar o seu futuro a curto e médio prazo, abordando as prioridades, tudo com o desiderato de habilitar os clubes, dirigentes, jogadores, árbitros e outros agentes do jogo com uma informação actualizada sobre o que cada um pensa e quer para o desenvolvimento do rugby no nosso país.
Lançou o GDD o desafio para a discussão dos seguintes temas, que julgou como os mais pertinentes no momento actual;

Tema 1 – A FPR. Os Estatutos., Estrutura e Regulamentos. O Regime Jurídico das Federações Desportivas. Representatividade externa da FPR. A situação financeira da FPR. Patrocínios. Marketing e Comunicação. A envolvência dos clubes na gestão das competições nas suas várias vertentes.

Tema 2 – A autonomização dos Sevens, enquanto modalidade olímpica, face ao XV. Aposta de Portugal nos Sevens. Formação de jogadores e técnicos. Implementação de torneios e circuitos nacionais e participação de equipas portuguesas nos diversos circuitos mundiais e europeus.

Tema 3 - A implementação do rugby de alto rendimento, sua regulamentação e objectivos .A criação de três níveis de rugby : 1 Seleções Nacionais. 2. Franquias e Seleções Regionais. 3. Rugby de clube. Modelos competitivos, sua reformulação e enquadramento, tanto a nível nacional como local, quer no âmbito do alto rendimento quer no rugby social. Implementação de novas competições para além dos
campeonatos nacionais. Criação de franquias com vista à participação em competições internacionais e o regresso de seleções regionais. As competições ibéricas nos escalões sub 18 a sénior

Tema 4 – As Seleções Nacionais de XV e VII. Sua autonomia relativamente ao rugby de clube. As Academias nacionais e regionais sua interligação e coordenação. O Director Técnico Nacional. A formação de jogadores e acompanhamento quer em Portugal quer no estrangeiro, mediante parcerias a estabelecer entre FPR e Clubes com equipas estrangeiras mediante bolsas a atribuir pela FPR. Treinadores e árbitros. Seu recrutamento e formação.

Tema 5 – Rugby escolar. Sua regulamentação. O envolvimento dos clubes na sua implementação em coordenação com as Associações Regionais e com os Municípios.

Foram realizados, no mês de Outubro de 2018, debates em Lisboa, Évora, Braga e Coimbra, tendo neles participado cerca de 90 participantes, no conjunto das quatro reuniões, ou sido representados, os seguintes Clubes e Associações:
Grupo Desportivo de Direito, Associação Académica de Coimbra, AEIS Agronomia, CDUP, CDUL, CR Évora, CRAV, RC Lousã, Caldas RC, Benfica Rugby, Loulé RC, Vila da Moita RC, Rugby Bairrada, Agrária Rugby, Elvas, Guimarães RC, Garranos, Braga Rugby, AR Sul, AR Norte, CRR Centro, ANAR.

Participaram também nos debates individualidades ligadas ao Rugby, nomeadamente Carlos Amado da Silva, João Paulo Bessa, César Pegado, Paulo Tomé, Jorge Mendes da Silva, José Mendes da Silva, Francisco Sequeira, António Lencastre Leitão, José Maria Marques, João Fragoso Mendes, Nuno Cambezes bem como os membros da Comissão Provisória da FPR, Manuel Fonseca e Costa, Pedro Vassalo, Pedro Vieira e Jaime Carvalho e o treinador da seleção de sevens António Maria Aguilar.

É tempo de dar boa nota a todos os agentes do rugby, desde o Presidente da Mesa da Assembleia Geral da FPR, Delegados à Assembleia Geral, órgãos sociais da FPR, Clubes, Associações Regionais, Árbitros, jogadores, até ao público em geral, as ideias, as propostas e conclusões que emergiram dos
debates realizados, certos que as mesmas serão uma referência incontornável para quem vier a assumir a governação do rugby em Portugal, no seguimento das eleições agendadas para o final do primeiro trimestre de 2019.

Não temos dúvidas de que a concretização dos debates enriqueceu o património do rugby português já que permitiu uma discussão ampla e aberta de vários e diferentes temas, dando lugar a opiniões diversas, tendo sempre em vista a necessidade de enfrentar o rugby e a FPR como um jogo de todos e para todos, promovendo a irradicação definitiva de clivagens e separações que apenas têm arrastado o jogo para a situação em que se encontra.

A consagração do princípio da igualdade, tratando de forma diferente aquilo que não é igual, é o resultado maior das reuniões havidas.
Haverá, no futuro, que tratar de forma diferente realidades que não são comparáveis, nomeadamente a nível competitivo, mas também não é menos verdade que todos os agentes do rugby, sejam clubes, jogadores, treinadores, árbitros e dirigentes são credores da devida atenção pela FPR, nomeadamente no que tange à implementação das competições regionais, seleções regionais e rugby escolar, pedras bases e elementares para o desenvolvimento do jogo, seja a nível de aumento do número de clubes e jogadores ou de adeptos.

A consagração do rugby de competição a três níveis – seleções nacionais, seleções regionais/franquias, e rugby de clube - resultou dos debates como uma meta a atingir de forma célere, sendo necessário disciplinar a sua autonomia e articulação, sempre com o primado das selecções nacionais.

A conclusão maior que haverá a retirar das reuniões é de que os Sevens deverão ser a aposta primeira da FPR, pondo definitivamente de lado a ideia de apenas constituírem um itinerário para o XV.
A partir da consagração olímpica dos sevens a FPR não poderá deixar de cuidar desta variante do jogo tanto a nível de selecções, de todos os escalões etários, como de clubes, com a reformulação das competições nacionais, bem como da organização de torneios e circuitos no território nacional.
O regresso às World Series e participação olímpica são a prioridade do rugby nacional nos próximos anos!

Antes da passarmos a elencar de forma individualizada as várias conclusões alcançadas, não se deixa de referir que a situação financeira da FPR foi abordada e discutida, merecendo especial relevância a presença do membro da Comissão Provisória Pedro Vassalo que antecipou uma situação grave e difícil de superar, que melhor explicada será no âmbito da próxima Assembleia Geral.
Fica, no entanto, a nota de que as medidas/conclusões que emergiram dos debates, apesar das dificuldades financeiras da FPR, serão, no quadro presente, exequíveis, sendo necessário um maior contributo dos seus associados.

Isto posto, evidenciamos cinco pontos estratégicos que mereceram maior relevância no âmbito dos mesmos e que resultam da opinião unânime dos participantes (90 pessoas) no conjunto dos debates realizados.
Assim,

(i) o primado dos Sevens como aposta inequívoca da FPR para o desenvolvimento do rugby em Portugal,

(ii) a consagração do rugby de alto rendimento e a sua articulação com e nas seleções nacionais, seleções regionais/franquias e rugby de clube,

(iii) o rugby escolar e o envolvimento da FPR, Clubes e Associações Regionais na sua efectiva implementação e sustentabilidade,

(iv) a organização de novas competições nacionais e regionais em todos os escalões etários e

(v) a reformulação do quadro estatutário e regulamentar

Conclusões do Debates
Amanhã serão apresentadas as conclusões dos debates realizados, tendo por referência os Temas anunciados e supra referidos.

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