19 de janeiro de 2015

SUB-16 - BALANÇO DA 1ª FASE NO ARRANQUE DA FASE FINAL *

* PGS
Concluída a 1ª fase, arrancou este fim de semana a fase final do Campeonato Nacional de Sub-16.

Altura para uma primeira vista de olhos sobre o campeonato principal deste escalão e para o processo que definiu as cinco equipas que irão agora disputar, a duas voltas, o vencedor, e as quatro que irão jogar para... aquecer, dado esta época, segundo parece, não haver despromoções.

Apontado à partida como favorito à vitória final, fruto não só de ser o o campeão em título, como da "geração de 1999" ter vencido o Nacional de Sub14 há duas épocas, o Belenenses concluiu a fase inicial em 1º lugar, mas não sem ter sofrido pelo caminho algumas contrariedades.

Com efeito, o que alguns anteviam como um quase passeio atendendo à qualidade que existe no Restelo, teve escorregadelas em Cascais, onde a equipa local infligiu aos azuis uma derrota nos derradeiros momentos do jogo, e no Jamor, perante uma lutadora Agronomia que fez pela vida e triunfou contra todos os prognósticos.

No entanto, no final das contas, os pontos de bónus deram para fazer a diferença e garantir o lugar no topo aos rapazes de Belém que, apesar de tudo, continuam a ser os principais candidatos ao título.

Para que se perceba a importância dos pontos de bónus atente-se que se não fosse isso os líderes no final desta primeira fase teriam sido outros: Direito e Cascais.
É que ambos somaram, fruto de 6 vitórias, 1 empate e 1 derrota, 26 pontos, contra os 24 do Belenenses (6 vitórias e 2 derrotas). Só que os azuis juntaram 6 pontos de bónus à sua conta, mais do que os amealhados pelos seus dois rivais em conjunto.

Ainda assim, o Direito, com 3 pontos de bónus, conseguiu assegurar vantagem sobre o Cascais, que juntou apenas 2 ao seu pecúlio.
Para já, um pequeno prémio e estímulo para os jovens do Monsanto que nas últimas épocas ficaram fora de algumas das decisões, o que ditava uma posição menos boa na linha de partida para este campeonato. Com uma derrota face ao Belenenses e um empate em Montemor, a equipa ainda mostra alguma inconstância exibicional - capaz do melhor e do... menos bom, por vezes dentro da mesma partida - mas, se conseguir estabilizar e tornar-se mais constante, será sem dúvida um forte candidato à vitória final.

O outro sério candidato, o Cascais, podia ter terminado esta fase em 1º, mas ficou em 3º, em consequência da contabilização dos bónus.
Esta época mora na Guia uma equipa bem arrumadinha, equilibrada entre sectores, senhora de um último fôlego capaz de virar jogos. Sem deslumbrar, foi até agora sempre muito pragmática e, com base numa defesa sólida (a melhor desta fase), fez os pontos necessários para acumular 6 vitórias, com uma única quebra diante do Direito e um empate com o CDUL.

O Montemor terminou na 4ª posição, conseguindo capitalizar ao máximo o pequeno lote de jogadores de que dispõe (apenas 23 inscritos). Invicta na Frigideira - 2 vitórias e 1 empate - estranha-se o desequilíbrio entre as partidas aí disputadas (3) e as jogadas fora (5). Ainda assim, as vitórias no Porto, em Coimbra e nas Olaias e apenas duas derrotas, em Cascais e Belém, deram o apuramento com relativa facilidade e fazem pensar até onde poderia ir esta equipa se...

O 5º e último lugar que garantia o apuramento para o Top 5 foi para uma surpreendente Agronomia que depois de um começo em falso, acumulando derrotas nas primeiras três jornadas e vitórias "tem-te, não caias" nas duas seguintes, engatou, fez um sprint final extraordinário a jogar rugby que não se lhe tinha visto ou adivinhava e, mesmo em cima da meta, agarrou o último lugar no táxi para o título.

Neste só cabiam, como se sabe, 5 passageiros. Apeado ficou, com todo o estrondo e surpresa, o CDUL.
A equipa que era apontada à partida como a maior concorrente do Belenenses na luta pelo título foi vítima de erros próprios e de resultados que ditaram um trambolhão na classificação até acabar fora da luta.
O talento e o potencial estão lá, mas demasiadas coisas não. Ou falharam, pois quem termina com mais derrotas do que vitórias...
Agora, é levantar a cabeça. Outras competições haverá.

Técnico, Académica e CDUP, terminaram por esta ordem nos últimos lugares da 1ª fase de um campeonato que decorreu "coxo" por desistência do CRAV e por a alteração dos regulamentos efectuada em Agosto pelo presidente da FPR negar a hipótese de preenchimento dessa vaga.

Como balanço desta primeira fase fica a ideia de, continuando a tendência de pelo menos a época passada, haver um superavit de emoção que de alguma forma compensa uma certa escassez de qualidade geral. Isto pese a existência de alguns atletas com talento e outros com potencial para dentro de alguns anos, poderem chegar ao topo do rugby nacional, se para isso não lhes falhar motivação, humildade, sorte e correcto enquadramento e orientação técnica.

Por contraposição ao entusiasmo e competitividade presentes nalguns jogos, como pontos fracos destaque-se a pouca qualidade na tomada de decisão e a exagerada "formatação" na abordagem táctica do jogo.

De assinalar que as equipas do Centro e Norte, Académica e CDUP respectivamente, continuam a ter muitas dificuldades em ser competitivas neste escalão, tendência que parece agravar-se de ano para ano. O CDUP, em particular, terminou esta fase sem qualquer ponto conquistado e com um score de -225, entre pontos marcados e sofridos.

Para terminar, uma nota negativa para a acção de alguns liners.
O resultado de um jogo não pode sobrepor-se a tudo e fazer fechar os olhos quando convém a valores essenciais.
Quando é um jogador ou um pai a desempenhar a função, devem os responsáveis dos clubes presentes primar por ensinar, orientar e, se necessário, corrigir os erros dentro dos valores da modalidade.
Quando são os próprios treinadores ou responsáveis nesse papel, devem fazê-lo em consciência, procurar estar acima de clubismos e ter presente que são também educadores e um exemplo para os seus atletas.
Nesta 1ª fase, tanto a fazer fé no que nos foi reportado como baseando-nos naquilo a que nós próprios assistimos, registaram-se erros grosseiros nalguns campos, com o cúmulo a ser atingido na Tapada da Ajuda, na última jornada e em jogo decisivo.
Lamenta-se e espera-se que não se repita.

Como referido, a fase final iniciou-se este fim de semana, com, no grupo que vai disputar o título, Direito e Cascais a defrontarem-se no Monsanto e a Agronomia a deslocar-se a Montemor, enquanto o Belenenses folga. Nos "4 de baixo", o CDUL recebeu os congéneres do Porto e Académica e Técnico defrontaram-se em Coimbra.

O Mão de Mestre manter-se-á atento e regressará daqui a alguns meses com mais notícias sobre este escalão.

Até lá, bons jogos e divirtam-se!

7 comentários:

Joao Constantino disse...

Caro Manuel Cabral,

Chamo-me João Constantino, tenho 52 anos e sou o TM (vulgo secionista) dos Sub 16 de Agronomia.
Sou um apreciador do seu site, onde consigo informações atempadas e fidedignas do panorama rugbistico nacional. Joguei 15 dos quais 5 anos no CDUL onde tive colegas como o JMPinto, AJales, NAbecassis, PCruzeiro; Ferreirinha,Macieira, Moita, etc.. e treinadores como o "eterno" Quim Pereira, Castro Pereira, etc., posteriormente fui para a Agronomia, onde joguei com o JRAndrade, Cardos Pinto,JFroes, J.Braulio, Carapuço, JBravo etc.. e tive como treinadores o C.Amado, P Lince, JSLima, etc.. finda a apresentação, e lendo o seu site fiquei desapontado com os seus comentários relativos ao trabalho do liner e fazendo insinuações relativamente aos valores morais do staff técnico (entre os quais eu me incluo) da Agronomia. Na realidade o jogador da Agronomia pisou a linha, mas era impossível o liner visualizar quer pela intensidade da jogada quer pelas pessoas que estavam junto á linha entre as quais eu. E posso assegurar-lhe que caso tivesse visto essa falta, esta seria assinalada. Por outro lado só foi possivel verificar efectivamente que o jogador pisou a linha, pois a foto foi tirada e colocada num site pelo pai de um atleta da Agronomia. Assim o seu comentário parece-me exagerado e fora do contexto a que as classes de formação assim exigem. Quando vier a Portugal terei todo o gosto em convidá-lo para almoçar no nosso restaurante a Pateira e aproveitar para tirar umas fotos do nosso parque desportivo, para muitos, o melhor da Península Ibérica e colocá-lo no seu site o que muito nos honraria.

Assim fico á espera das suas noticias

Melhores cumprimentos

João Constantino

Manuel Cabral disse...

Caro João Constantino,

Agradeço o teu comentário, que enderecei ao autor do texto, identificado por PGS.

Não conheço o caso concreto referido pelo autor, mas tenho presenciado ao longo dos últimos anos à repetição de cenas como a que foi descrita, que em nada ajudam a educar os jovens jogadores, e urge terminar com elas.

Quanto ao convite para a Pateira - que conheço muito bem - ou para visitar o vosso parque desportivo - que também conheço bem, e onde já estive esta época - terei todo o gosto em aceitá-lo.

Quanto às fotos do vosso parque, não vão ser necessárias de momento, até porque ao longo dos últimos quase seis anos tenho publicado diversas.

Quanto à tua história no rugby acho-a muito interessante, mas como és mais de 10 anos mais novo do que eu, é natural que não te lembres de mim, como jogador, treinador, árbitro ou dirigente, funções que exerci desde meados dos anos 60 - uma vida dedicada ao rugby.
Mas tenho sempre todo o prazer em conhecer malta mais nova!
Abraço

Manuel Cabral disse...

Por dificuldades técnicas diversas, apenas agora foi possível publicar a resposta de PGS ao comentário de João Constantino, e do facto pedimos desculpa. Aqui fica essa resposta, que, dada a sua extensão será publicada em partes.

"...fazendo insinuações relativamente aos valores morais do staff técnico (entre os quais eu me incluo) da Agronomia. Na realidade o jogador da Agronomia pisou a linha, mas era impossível o liner visualizar quer pela intensidade da jogada quer pelas pessoas que estavam junto á linha entre as quais eu. E posso assegurar-lhe que caso tivesse visto essa falta, esta seria assinalada. Por outro lado só foi possivel verificar efectivamente que o jogador pisou a linha, pois a foto foi tirada e colocada num site pelo pai de um atleta da Agronomia."

Caro João Constantino,

Com os anos que tem de ligação a este desporto certamente já assistiu, como eu, como o Manuel Cabral e muitos outros, a várias situações semelhantes, nos mais diversos campos e escalões. Se é algo que se repete e não melhora com o passar das épocas, então, certamente concordará comigo, é um problema para o qual se deve chamar a atenção. Até porque uma vez ou outra podemos estar do lado dos beneficiados, mas é certo e sabido que, mais tarde ou mais cedo, também havemos de estar do outro. E ninguém gosta de estar nessa posição. Portanto, por um bem maior, o melhor é contribuir por pouco que seja para procurar acabar com o que não está bem.

Ao longo desta 1ª fase do CN Sub-16 chegaram-me relatos de várias situações envolvendo erros de liners - curiosamente, mais do que de erros de arbitragem - em vários campos e eu próprio assisti a algumas. Por essa razão, pela coincidência, entendi aproveitar o espaço do Mão de Mestre para fazer essa chamada de atenção e deixar uma recomendação. Porque o rugby, no que tem de bom e menos bom, somos nós que o fazemos, e por isso acredito que há algumas coisas que todos podemos fazer para procurar minorar o problema.

Se ler com atenção o parágrafo em questão, não é referido em lado nenhum que o erro grosseiro - que o foi, mas já lá vamos - na Tapada da Ajuda foi em benefício ou prejuízo de A ou B. Ou sequer que, não deixando de afectar o resultado de um jogo decisivo, tenha sido por si só determinante. Pura e simplesmente, não fiz menção ao seu clube. Logo, não é verdade que tenha feito “insinuações relativamente aos valores morais do seu staff técnico". Onde, aliás, se incluem pessoas que muito prezo.

Todavia, se leu isso nas minhas linhas e isso o fez trazer o assunto à baila, abordemo-lo em específico então.

Manuel Cabral disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Manuel Cabral disse...

=continuação=

Primeiro, o erro propriamente dito.

Como reconhece, existiu. O jogador em questão não apenas "pisou a linha", mas sim fez um ou dois apoios com o pé de fora (esquerdo) completamente para lá da linha (talvez até o pé de dentro, o direito, tenha pisado a linha - nota: depois de ter escrito isto fizeram-me chegar a foto abaixo que comprova exactamente isso: se o “pé de dentro” está a pisar a linha, o “pé de fora” terá feito antes e/ou depois apoios para lá da linha). O liner, um elemento da equipa técnica, estava a seguir o movimento deslocando-se ao longo da linha, seguindo a linha de corrida do jogador.

Foi claro para todos os que estavam junto de mim - ou seja, neste caso, não me "relataram", eu próprio assisti ao jogo - que 1) o jogador tinha pisado e ultrapassado a linha, e 2) era praticamente impossível que o liner não o tivesse visto.

Se dúvidas houvesse sobre a existência do erro, estava um elemento pertencente ou ligado à área técnica do clube da casa a filmar o jogo exactamente no enfiamento da linha em causa e o próprio prontamente confirmou o ocorrido.

Ou seja, contrariamente ao que refere, não foi preciso esperar - nem "só foi possível verificar efectivamente que o jogador pisou a linha" - pela publicação de uma fotografia de um pai para constatar a existência do mesmo. A confirmação foi feita ali mesmo, meros segundos depois, e a prova, se fosse necessária, estava ali à mão, filmada por um homem da casa.

Havendo erro, na situação em causa a responsabilidade é do liner seja ele quem for (árbitro, jogador, pai, seccionista, treinador, etc.) porque é ele que tem a obrigação de olhar para os apoios do portador da bola e, como auxiliar do árbitro, compete dar-lhe a correcta indicação. Na circunstância, o liner estava bem posicionado e acompanhou bem a jogada (deslocou-se em corrida ao longo da linha, no eixo do portador da bola, quase como se estivesse ele em situação de apoio - nota: de novo, a foto que me chegou depois de ter feito estas linhas comprova exactamente e incontestavelmente isso). Por isso, não tenho qualquer intenção de o melindrar, mas a sua afirmação de que "era impossível o liner visualizar quer pela intensidade da jogada quer pelas pessoas que estavam junto à linha" soa a tentativa de justificação (nota: mais uma vez, a foto deixa bem claro que não havia rigorosamente ninguém junto à linha a obstruir a visibilidade e/ou o caminho do liner).

Vi o jogo com total e absoluta neutralidade, a Agronomia jogou muito bem, tem jovens de valor e pareceu-me muito bem trabalhada, venceu com todo o mérito (quando, refira-se, apenas o empate bastava), mas com o score final maculado pelo erro. Ponto nº1. A responsabilidade, com ou sem justificações, é de quem estava na função de liner. Ponto nº2. Se houve um momentâneo "fechar de olhos" ou não, só o próprio o saberá ao certo e é um problema da sua consciência. Se estiver tranquilo, tanto melhor.

Eu também estou com a chamada de atenção e a recomendação geral que deixei. Espero que possamos contar com a sua colaboração e atenção redobrada para ajudar a eliminar ou minorar situações como esta de maneira a que, no futuro, quem fizer análises ou balanços deste tipo só tenha razões para se focar em aspectos positivos.

Boa noite, continuação de bom trabalho e bons jogos.

PGS

Manuel Cabral disse...

NOTA: Infelizmente estas caixas de comentário não suportam ficheiros de imagem, pelo que a iremos publicar imediatamente na nossa página do Facebook em: https://www.facebook.com/mestrerugby

Manuel Cabral disse...

NOTA: Infelizmente estas caixas de comentário não suportam ficheiros de imagem, pelo que a iremos publicar imediatamente na nossa página do Facebook em: https://www.facebook.com/mestrerugby