9 de fevereiro de 2023

FEDERAÇÃO CONVOCA SELEÇÃO NACIONAL DE SEVENS

Ontem, de repente, veio a público uma convocatória para uma Seleção Nacional Masculina de Seniores de Sevens, embora se desconheça a que competição se destina esta equipa.
Bom, na verdade os clubes - ou pelo menos alguns clubes - foram informados há poucos dias que a FPR iria criar um Grupo Olímpico de Sevens, o que seria eventualmente um projeto de preparação de uma equipa nacional para a tentativa de participação nos próximos Jogos Olímpicos.

Ou seja, alguém na FPR acordou um dia destes bem disposto e disse: Eureka, grande ideia que eu tive - vamos fazer uma seleção para ir aos Jogos Olímpicos!

Mais uma vez a FPR está a fazer tudo errado!

Olhem para o calendário de competições nacionais e verão que no escalão senior masculino não existe programado nenhum torneio de sevens!

Então como pretende a FPR preparar uma tentativa de qualificação para os Jogos Olímpicos?? 

Notem que esta questão dos Sevens e dos Jogos Olímpicos não tem nada a ver com o facto de você gostar de Sevens ou não gostar.
Os Jogos Olímpicos são o maior evento desportivo mundial, e no rugby são os Sevens que estão presentes! 
Assim, seja você adepto ou não dos Sevens, precisa ter consciência que é nesta variante que o Rugby acompanha e participa no evento que de quatro em quatro anos domina toda a atenção desportiva Mundial, sendo o grande veículo de promoção de qualquer desporto, incluindo o nosso.

Antes de continuarmos na análise de mais esta insanidade federativa convém esclarecer - sem deixar qualquer dúvida pendente! - que somos fervorosos apoiantes dos Sevens e das nossas Seleções de Sevens e que nada nos deixaria mais felizes que ter Portugal presente nos JO de Paris 2024, tanto nos homens como nas mulheres!

Mas daqui até vermos com bons olhos a forma como a FPR pretende atingir aquele objetivo, vai uma enorme diferença - sem qualquer mau olhar para os jogadores que forem escolhidos, para a equipa técnica indicada, onde se destaca Pedro Leal enorme figura dos Sevens de Portugal que deixou uma marca profunda nos Sevens Mundiais, ou para o Diretor de Equipa indicado, Francisco Martins, que ocupou este cargo por muitas vezes no passado defendendo sempre da melhor maneira os interesses nacionais.

Claro que sabemos que desde 2011 a FPR vem abandonando os Sevens no canto escuro do rugby português, o que levou ao afastamento das Séries Mundiais em 2016 e a uma modesta presença no Europeu da modalidade a partir de 2012.
Veja o quadro histórico da nossa equipa nacional de sevens, desde 1993.


Não por acaso, é com o atual Presidente e com o anterior, que os Sevens perdem o seu lugar de destaque no rugby europeu e mundial, não tendo conseguido participar em nenhuma das edições dos Jogos Olímpicos, deixando os lugares de topo do Europeu (que venceu apenas por oito-vezes-oito), perdendo o seu lugar como Core Team do Circuito Mundial, não conseguindo a presença no Mundial (2018) e não passando de um (muito) modesto 22º lugar em 2022.

No entanto o que mais impressiona é o completo abandono dos Sevens a nível nacional, chegando ao absurdo de termos uma modalidade Olímpica, que não tem qualquer competição interna onde possam surgir novos nomes e desencadear novo interesse entre clubes existentes e clubes que possam vir a existir.
Surgir agora com uma convocação para uma seleção nacional em que apenas um jogador não é de Lisboa, e pretender criar um Grupo Olímpico de Sevens, é mais que uma brincadeira - é uma ofensa!

Claro que este descaso não é apenas verificado na variante de sevens, já que se compararmos o numero de equipas em competição masculinas de XV nesta época (37) com o número de equipas que participaram de competições nacionais em 2006/07 (27), em 2010/11 (32)  ou em 2011/12 (37) verificamos que a evolução nos últimos 12 anos não existe!

Então eu pergunto: será que esta criação de um Grupo Olímpico de Sevens pretende ser um passo na evolução do rugby português ou será que não passa de um princípio de campanha eleitoral do atual presidente federativo, que sabe que nada tem a mostrar ao rugby português, com exceção do trabalho nas seleções, e que vê aproximarem-se as eleições federativas com receio de que os clubes, em especial os de fora de Lisboa, corram com ele?

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