19 de maio de 2017

LOBOS EM BRUXELAS, NO JOGO QUE VALE TUDO

Amanhã, às 15 horas de Lisboa, os Lobos estarão entrando em campo para disputarem o play-off de qualificação para o Europe Championship - antiga Divisão 1A - frente à Bélgica, no Estádio Rei Balduíno, em Bruxelas.

Numa decisão inédita da Europe Rugby (antiga FIRA) este ano, pela primeira vez desde que o campeonato da Europa das Nações foi instalado no ano 2000, a subida do segundo escalão para o primeiro deixou de ser automática, e ficou dependendo de um jogo decisivo entre o vencedor do segundo escalão (agora o Europe Trophy) e o último classificado do primeiro escalão (o Europe Championship).


Curiosamente isso acontece na primeira vez desde 2000-2001 em que Portugal foi relegado (automaticamente) para o segundo escalão...
Nunca antes a Rússia, a Republica Checa, a Ucrânia, a Espanha, a Alemanha ou a própria Bélgica, tiveram que se sujeitar a este desafio para subirem ao principal escalão do rugby da Europa (sem contar com o Torneio das Seis Nações).

Mas o que importa é o presente, e então vamos apoiar a nossa equipa neste jogo que vale mais que uma época, pode valer uma geração e mesmo uma gestão!

Começando pelo fim, esta é a oportunidade que a gestão de Cassiano Neves tem de esconder - pelo menos temporariamente - a longa série de asneiras que cometeu nestes dois anos de gestão, em que vimos o rugby nacional perder sucessivos lugares no contexto das grandes competições, onde se destacam, no XV a descida de divisão, e nos sevens, a ausência nos Jogos Olímpicos de 2015 e a desqualificação como equipa residente (core team) do Circuito Mundial de Sevens.
Se aliarmos a isto a péssima classificação no Grand Prix da Europa, compreende-se que esteja cada vez mais difícil conseguir regressar aos bons tempos em que não vencer o Campeonato da Europa era uma excepção...

Claro que este afastamento das grandes competições traz consigo um pesado ónus, e o regresso ao Circuito Mundial - essencial para que a nossa equipa nacional consiga acompanhar a evolução das restantes seleções - é cada dia mais complicado.
E aquela evolução é indispensável para quem pretende disputar futuros Jogos Olímpicos, futuros Mundiais. Que trazem consigo prestígio, consideração, respeito e... dinheiro... muito dinheiro...

Quanto ao rugby de XV, Cassiano conseguiu o que nunca ninguém tinha conseguido! A despromoção da principal divisão do rugby da Europa, onde estivemos sem qualquer interrupção entre 2000 e 2016, tendo mesmo conquistado o título europeu em 2003-2004.
Claro que se poderia aceitar essa despromoção, não fosse ela fruto de uma política desportiva equivocada e ultrapassada, com a opção extemporânea pelo afastamento dos jogadores portugueses que vivem e jogam em França.
Sim, porque muitos deles, mesmo tendo nascido em França, são tão portugueses como os que nasceram em Portugal e pensar o contrário só se pode interpretar com uma simples palavra - estupidez e ignorância... desculpem usei duas palavras, e até me apeteceu usar mais, mas fico por aqui...

Então é neste contexto que vamos defrontar a Bélgica, depois de termos vencido o Europe Trophy sem qualquer contestação, mesmo tendo em consideração o baixo nível da oposição - o que interessa e fica para a história não é o nível dos outros e sim a nossa vitória.

Os belgas, pelo contrário, nesta sua passagem pelo Europe Champioship - onde chegaram sem terem que disputar qualquer play-off! - perderam todos os jogos realizados, e apostam neste jogo no Estádio Rei Balduíno para recuperarem um lugar entre os melhores do continente europeu.

Dois estilos de jogo bem diferentes, com a aposta da Bélgica no poder dos seus avançados, num jogo pesado e de concentração de bola, contra um estilo bem mais atraente dos portugueses, que embora tenham menor poder nos seus avançados, são bem mais poderosos na circulação de bola, na manutenção da sua posse.

Portugal tem todas as condições para vencer este desafio, e nós esperamos sinceramente que assim seja, pois esta passagem pelo Trophy não se deve repetir sob risco de afundar o rugby nacional na sua maior crise de que há memória.

Só esperamos que Cassino Neves e todos os que ao longo dos anos foram opositores dos sevens ou dos luso-franceses aprendam com o que se passou e tenham a humildade de mudar de posição, para bem de todos e do rugby nacional.


4 comentários:

Claudio disse...

Lamentável a ausência dos avançados "franceses". Não sei se a culpa é da fpr ou dos próprios jogadores (apesar do Mike Tadjer que joga a subida para o Top14 não vejo razão de indisponibilidade para os outros) mas uma tal atitude é irresponsável no "jogo que vale tudo".

Leo Leo disse...

Os avançados que jogaram a Trophy foram valentes, mesmo tenho sofrido com avançados contrários (Moldávia,etc...), mais contra a Bélgica eu também penso que é uma estupidez de não aproveitar dos avançados lusodescendentes... o jogo neste aspecto seria diferente e favorável o nós...
Força rapaziada e Força Portugal !!!

Claudio disse...

Inacreditável !

Jogar para a subida sem Francisco Fernandes (jogou quase todos o jogos do campeonato), Cristian Spachuk (está reformado e jogou até o último jogo do campeonato e por isso não deve estar lesionado), Anthony Alves (também jogou muito este ano e até o último jogo), como é possível ?

Será que acreditamos no pai natal ?

Será que se pensa que o rugby é uma espécie de coisa mágica e que basta pensar que é possível para acontecer ?

Continuar a jogar sem avançados dos campeonatos profissionais é como ir de desilusões em desilusões !

Temos direito de saber quem dos avançados franceses ou dos responsáveis da seleção fez que perdemos todas as mêlées hoje à tarde !

Duarte disse...

Qual é o critério da FPR para considerar os jogadores seleccionáveis?

Ter nascido em Portugal, não pode ser porque jogou um 2ª linha australiano (naturalizado à pressão), nascido na Austrália.

Jogar em Portugal também não porque Lima, Bettencourt e Adérito jogaram.

Resta esta hipótese: ser elegível de acordo com os regulamentos da WR, mas não ser luso-descendente. Que sentido é que isto faz?