13 de dezembro de 2015

BLITZBOKS VENCEM EM CASA AO BATEREM ARGENTINA NA FINAL

Com Fiji e Nova Zelândia arredadas do título sul-africano logo nos quartos de final, coube à África do Sul defender a honra dos poderosos, e defrontando a Argentina na final, assegurar que a ordem normal das coisas não era (mais...) alterada.

A Argentina marcou primeiro, e manteve-se na frente com um ensaio transformado até ao sétimo minuto, altura em que Senatla marcou o segundo ensaio dos africanos, e  como cada equipa ainda marcou mais um ensaio transformado, o resultado ao intervalo era favorável à África do Sul por 17-14.


O segundo tempo foi mais complicado para os sul-americanos, e quem fez a festa foram os blitzboks com mais dois ensaios sem resposta, para um resultado final de 29-14.

A França não conseguia uma classificação tão boa como agora desde 2012-2013, altura em que, também na África do Sul, disputou (e perdeu) a final com a Nova Zelândia.
Desta vez os franceses não chegaram à final - foram batidos pela África do Sul nas meias finais por 12-21 - mas ficaram com o terceiro lugar no torneio, pois derrotaram o Quénia no jogo decisivo por 28-16...

França... quem a viu e quem a vê... lembram-se quando nós éramos do nível dela, quando a batíamos no Europeu? Pois, foi numa altura em que nem os responsáveis franceses, nem os responsáveis portugueses davam grande importância aos sevens... Mas depois, os franceses abriram o olho, começaram a criar condições para o crescimento dos sevens internos, enquanto nós, os intelectuais, os mais que tudo, os mais espertos, os mais inteligentes, os mais... idiotas, nada fizemos para manter a nossa superioridade, consubstanciada em oito, leram bem, oito títulos de campeões da Europa, em 10 anos...

E não era preciso ter feito muito, apenas organizar competições nacionais decentes de sevens, dar condições aos clubes para jogarem sevens, manter aberta a porta de acesso ao pequeno grupo de jogadores de elite, mesmo que eles não pertencessem aos aristocráticos clubes habituais: Direito, CDUL, Belenenses...
Mesmo quando se começou a perceber que não tínhamos quantidade de jogadores que chegasse, e começamos a pescar soluções de recurso com o recrutamento de jogadores - que não têm culpa nenhuma, apenas jogaram - que devem fazer corar de vergonha quem os angariou, os ouvidos dos nossos doutores e engenheiros da treta, continuaram cheios de muros......

Claro, os responsáveis têm nomes, alguns já não estão no poleiro, outros continuam a dar opiniões que já se provaram erradas e construídas em cima do preconceito, e nós só esperamos que a atitude dos novos corpos gerentes, encabeçados por Luís Cassiano Neves, tenham a lucidez e a humildade de não embarcar nesses preconceitos e criem condições para os sevens crescerem em Portugal...

Até lá, as equipas que nos representam no Circuito Mundial, ou as que nos representaram recentemente nos torneios de qualificação para os Jogos Olímpicos, ou no Mundial - por muito que se queira dizer bem - são apenas uma amostra do ponto a que chegou o nosso rugby.
Ou, se preferirem, elas são "uma equipa portuguesa, com certeza!"

Na Cidade do Cabo nada se esperava da nossa equipa, até que o calendário pôs à nossa frente a Rússia.
Chegámos a pensar que nos poderíamos bater de igual para igual com este adversário.
Um adversário a quem tínhamos o hábito de vencer, e com quem até 31 de Dezembro de 2013 tínhamos jogado 28 vezes, vencido 22 jogos, empatado 1 e perdido 5, desde o início dos tempo (no caso desde Junho de 2000)!

Infelizmente a política desportiva da anterior gestão federativa, levou-nos a uma situação muito diferente, e, em 2014 e 2015, defrontámos a Rússia (incluindo o jogo de hoje) em seis vezes, e conseguimos perder em cinco dessas seis vezes!
E a derrota de hoje, por 5-38, entra mesmo no (ainda) restrito número das derrotas pesadas frente a este adversário, depois dos 41-7 de Glasgow em Maio de 2013, e dos 45-7 de Lyon em Julho de 2014.

E voltamos à França, para lembrar que a história dos nossos jogos com ela se dividem em três conjuntos: de 1998 a 2002, defrontámos os gauleses em quatro ocasiões, e perdemos em todas elas. Depois, entre 2003 e Julho de 2011, jogámos com a França 28 vezes, vencemos 19, empatámos 1 e perdemos 8.
Finalmente, após Julho de 2011 e hoje, perdemos 19 dos 21 jogos que fizemos com os franceses, empatámos 1 e vencemos 1 também...

Claro que nós sabemos que os outros evoluíram, investiram... Claro que sabemos! E sabemos também que nada fizemos, nada investimos. Ficámos parados, a ver passar o comboio...

Enfim, os erros de gestão (e de visão!) pagam-se caro, e infelizmente quem mais os sente são os jogadores, afinal aqueles que menos o mereciam.

Fique com o quadro do Cidade do Cabo Sevens, e fique ainda com os grupos e jogos da próxima etapa do Circuito, que se realiza em Wellington, na Nova Zelândia, nos dias 30 e 31 de Janeiro.



Fotos: World Rugby
Quadros: Mão de Mestre - pode copiar, pode utilizar, mas seja justo e dê-nos o respectivo crédito!

2 comentários:

Julio Faria Faria disse...

E queriam um rugby mais competitivo!Reduzir o numero de clubes,etc.etc..E se calhar o numero de jogadores!Parece-me que isso estão a conseguir,pelo menos ,os de algum nivel.

O mão de mestre tem toda a razão.É só doutores e engenheiros,mas que não percebem nada de Rugby,infelizmente.

Um abraço e viva o Rugby dos proletários!!!

Julio Faria

Duarte disse...

Da forma como os treinadores são escolhidos, por melhor que fosse a estratégia os resultados seriam sempre desastrosos.

Vê-se, por exemplo, que ninguém treinou estes miúdos a defender em sevens.

Quanto mais depressa sairmos do circuito e deixarmos de gastar dinheiro com isto, melhor.