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10 de dezembro de 2012

E O ÁRBITRO, ESTAVA CERTO?

Assistir a um jogo com a equipa do nosso coração em campo, geralmente leva-nos a julgamentos errados, e a culpabilizar os árbitros por todas as nossas desgraças...

Claro que por vezes temos razão, mas devo admitir que na maior parte dos casos, quando voltamos a assistir à cena, já sem a pressão da assistência ao vivo, somos forçados a rever a nossa opinião.

Com a colaboração do árbitro internacional João Mourinha, iniciamos hoje uma pequena coluna, em que mostraremos algumas imagens e o comentário abalizado do nosso árbitro.

Começamos com um momento do último Portugal-Fiji, no Port Elizabeth Sevens, em que uma sequência ofensiva de Portugal é interrompida pelo árbitro penalizando Portugal, e depois, veja o comentário de João Mourinha.


João Mourinha
O que é pedido aos árbitros é que não permitam que nenhum jogador cubra a bola numa situação de pos-tackle com o famosos bridging
Para distinguir entre um apoio “dentro da lei” e outro, deve avaliar-se se o jogador conseguiria sustentar o seu peso sem as mãos. 
Estaremos de acordo que, nesta situação, com os pés tão atrás e as pernas tão esticadas, o jogador que chega no apoio iria cair se não se apoiasse no jogador placado. 
A decisão parece correta e conforme as recomendações.

26 de setembro de 2012

UM GLOBETROTTER PORTUGUÊS

Para quem viaja com frequência pelos cantos do mundo, não é novidade encontrar um português nos locais mais inesperados.

Mesmo no meio do rugby isso acontece, e há portugueses envolvidos com o nosso desporto desde Macau até ao Brasil, passando pela Austrália, por exemplo.

Entre estes nossos compatriotas, destacam-se curiosamente alguns árbitros, como o Carlos Miraldo na terra dos Wallabies, e, mais recentemente, do João Mourinha no Brasil.

É com este português que já guarda consigo a atuação nos principais campeonatos nacionais de três países - Portugal, Espanha e Brasil - que hoje vamos conversar.

Não sabíamos da presença do João no Brasil, mas no passado fim de semana ele apitou uma meia final do Super 10 (como noticiámos) que foi transmitida em direto pela TV e acabámos por tomar conhecimento da sua atividade no rugby brasileiro.

O João Mourinha é um dos mais conceituados árbitros portugueses, mas, por razão da sua atividade profissional, nos últimos anos tem apitado sobretudo em Espanha, e surge agora, mais uma vez empurrado pela profissão, no Brasil.

Agradecemos a atenção e disponibilidade do Mourinha, que nos deu esta entrevista num intervalo de mais uma viagem entre o Rio de Janeiro, São Paulo e Lisboa...

Mão de Mestre: João, o seu percurso internacional é um exemplo e um estímulo para os árbitros (e não só) portugueses. Como isso tudo aconteceu?
João Mourinha: Sou árbitro há 14 anos e felizmente tive oportunidade de passar por muitos países, frequentar inúmeros cursos nacionais e internacionais. O meu percurso tem sido acompanhado pelos organismos internacionais e isso ajudou muito na hora de iniciar atividade vivendo em Espanha e mais recentemente no Brasil.
Como já conheciam o meu curriculum consegui ter acesso às ligas principais desses países e com isso continuar a fazer o que gosto.
A única atividade que fica prejudicada neste momento é a internacional porque não tenho como viajar do Brasil para arbitrar jogos na Europa em períodos de um fim de semana e também não tenho disponibilidade (por motivos profissionais e pessoais) para torneios com três semanas de duração.
Quanto às viagens, sempre encontro um ginásio para onde vá e tenho sempre um par de ténis na mala. De há uns anos para cá o meu treino é essencialmente de corrida.

MdM: E essa viajem para o Brasil? Você tinha uma vida dividida entre Portugal e Espanha, e aparece agora do outro lado do oceano...
JM: A minha atividade relacionada com o marketing e patrocínios de grandes eventos trouxe-me para o Brasil onde devo ficar pelos próximos anos sem data de regresso.
Mantenho interesses em Espanha e Portugal mas com foco neste momento no Brasil.
O plano é continuar ligado a FPR mas atuando como árbitro convidado da CBRU enquanto a FPR me quiser nos seus quadros.

MdM: Da sua longa permanência em Espanha, com que opinião você ficou do estado do rugby em casa dos nossos vizinhos?
JMTenho que dizer que a Division de Honor espanhola é uma competição muito interessante e deveria até ser explorada como treino para os árbitros portugueses, assumindo que a competição em Portugal pelo título nos últimos anos está concentrada apenas em três ou quatro equipas.
Em Espanha, apesar das diferenças, a competição é mais equilibrada - os jogos são todos disputados e o marcador não costuma ser muito desnivelado.
As principais equipas portuguesas, a meu ver, conseguem bater-se de igual para igual com as melhores espanholas.
A diferença maior está quando começamos a descer na tabela. Há mais clubes espanhóis perto dos lugares de topo do que creio haver em Portugal.
Em Espanha, as Federações Regionais, com os incentivos ao desporto dos seus Estados, têm permitido investimentos a alguns clubes (uns bem aplicados, outros não) que têm dado frutos nos últimos anos.
Portugal luta com muito mais dificuldades nesse aspecto e isso só traz mais mérito à comunidade rugbística portuguesa que tem lutado para manter e melhorar o nível da modalidade ano após ano.

MdM: E agora que está a viver uma experiência nova, quais são as suas primeiras impressões
JMA minha relação com a CBRU é muito recente e por isso não posso opinar demasiado.
Sou muito bem tratado, conto com um apoio regular e bastante profissional do Xavier Vouga e do novo responsável pelo desenvolvimento, o argentino Marcelo Toscano, e há um trabalho muito interessante desenvolvido com alguns jovens árbitros, dos quais destaco o empenho e dedicação do jovem Henrique Platais, no Rio de Janeiro.
Até pela proximidade geográfica troco ideias frequentemente também com o Henrique para o desenvolvimento de novos projetos e apoio a árbitros.
O TMO e o uso de rádios só existem nas provas acompanhadas pela TV (semi finais do super 10, final e brasil sevens). O sistema não é perfeito  mas funciona e é louvável o esforço por tê-lo.
O rugby por aqui cresce a passos largos no escalão senior mas também na formação, onde há poucos dias a seleção de M18 conquistou o titulo sul americano B, liderada pelo nosso amigo João Uva.


















Fotos: João Mourinha/Facebook e Miguel Rodrigues

21 de setembro de 2012

SCARLETS LIDERA RABODIRECT E SUPER 10 COM ÁRBITRO PORTUGUÊS

Scarlets e Ulster seguem nas duas primeiras posições da RaboDirect apenas com vitória e separadas apenas por dois pontos de bónus, mas Edimburgo, terceiro com menos dois que o Ulster, e Munster Cardiffe Leinster seguem logo ali com menos um ponto que os escoceses, todos com nove na tabela.

Hoje realizam-se três jogos, com o Scarlets (1ª) a receber o Ospreys (11ª) - a grande decepção deste ano - e o duelo galês deve acabar por ser favorável ao líder, enquanto em Itália o Ulster (2ª) vai visitar o Zebre (12ª) naquela que deve ser uma viagem sem história, e na Escócia o Glasgow (7ª) recebe os irlandeses do Connacht (9ª) e deve conseguir a sua segunda vitória na prova, apesar dos cinco pontos que cada equipa apresenta na tabela.

Amanhã completa-se a jornada com o Cardiff (5ª) a receber como favorito o Benetton Treviso (10ª), e o Munster (4ª) a receber o Newport e a recolher também o favoritismo para a vitória.
Finalmente o Leinster (6ª com nove pontos), recebe o Edimburgo (3ª com 10 pontos) e o embate vale um lugar aos sol, pelo que não se adivinham facilidades para os escoceses...

SUPER 10 NO BRASIL COM ÁRBITRO LUSITANO

No Brasil a época dá os últimos sinais de vida, com a realização das meias finais da Super 10, que vão pôr frente a frente, por um lado, no sábado, o SPAC e o Desterro, e no domingo o São José e o Pasteur.

Note-se que destas equipas, apenas o Desterro, de Santa Catarina, não esteve nas finais do ano passado, e substitui agora o Bandeirantes, que foi vice na última época, enquanto o Pasteur se apresenta como a única equipa a conseguir, nos dois últimos anos e em qualquer competição, bater os atuais campeões e seus adversários do fim de semana, o São José - iremos assistir a uma repetição do feito, ou será antes a vingança dos ofendidos?

Quanto ao São José e ao SPAC, elas são as duas únicas equipas só com vitórias na competição, e são por isso mesmo os grandes favoritos para passarem à final e discutirem o título nacional de 2012.

Fomos surpreendidos com a escalação dos árbitros para esta meia final, já que no jogo de domingo, aparece um nome conhecido, João Mourinha.

Sem sabermos se se tratava do "nosso" Mourinha, contatamos um membro da CBRu que nos confirmou ser o próprio lusitano, que se encontra no Rio de Janeiro

Uma excelente aquisição para o rugby brasileiro, que já conta nas suas fileiras com alguns outros elementos vindos "lá da terrinha"!


Fotos: http://www.rabodirectpro12.comhttp://www.brasilrugby.com.br/ e http://www.facebook.com/leandro.caetano.79230